{"id":13402,"date":"2014-08-22T10:43:34","date_gmt":"2014-08-22T13:43:34","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2014\/08\/22\/la-route-du-rock-lama-e-portishead\/"},"modified":"2016-03-03T10:47:44","modified_gmt":"2016-03-03T13:47:44","slug":"la-route-du-rock-lama-e-portishead","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2014\/08\/22\/la-route-du-rock-lama-e-portishead\/","title":{"rendered":"La Route du Rock: lama e Portishead"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/laroute1.jpg\" height=\"300\" width=\"450\" \/><\/p>\n<p>O festival franc\u00eas La Route du Rock existe desde 1991 na Bretanha Francesa e tem uma hist\u00f3ria tradicional de crescimento moderado, ano a ano, at\u00e9 alcan\u00e7ar o recorde de p\u00fablico, com 27 mil pessoas em um dia para ver The Cure em 2005 (em 2007, com Smashing Pumpkins de headliner, a soma de p\u00fablico alcan\u00e7ou 24 mil espectadores). No ano seguinte, 2006, a produ\u00e7\u00e3o decidiu fazer duas edi\u00e7\u00f5es anuais do evento, uma no inverno, outra no ver\u00e3o, esta \u00faltima encabe\u00e7ada pelo Portishead em 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/laroute2.jpg\" \/><\/p>\n<p>A casa principal do festival, que tamb\u00e9m oferece concertos gratuitos em alguns lugares de Saint Malo durante o fim de semana do evento, \u00e9 o Forte de Saint-P\u00e8re, constru\u00eddo no s\u00e9culo XVIII, durante o reinado de Louis XVI, para proteger a Fran\u00e7a dos ataques dos cors\u00e1rios ingleses. Como o forte est\u00e1 localizado na cidade de Saint-P\u00e8re-Marc-en-Poulet, 9 km ao sul de Saint-Malo, a produ\u00e7\u00e3o oferece \u00f4nibus gratuito para ir e voltar do festival saindo de tr\u00eas pontos de Saint Malo (com o \u00faltimo \u00f4nibus saindo 5 da manh\u00e3).<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/laroute3.jpg\" height=\"300\" width=\"450\" \/><\/p>\n<p>Dai voc\u00ea pensa: um festival que existe a mais de 20 anos cujo line-up 2014 re\u00fane nomes como Portishead, The War on Drugs, Kurt Vile &amp; The Violators, Metz, Liars, Anna Calvi e Slowdive (entre muitos outros) e que acontece em um forte franc\u00eas do s\u00e9culo 18? Deve ser bem chique, certo? Na verdade \u00e9 um chiqueiro. Como j\u00e1 disse um produtor (inexperiente) de grande festival no Brasil, lama (e feno molhado deixando cheiro de urina no ambiente) faz parte do imagin\u00e1rio de um festival de rock, mas para tudo h\u00e1 um limite.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/laroute4.jpg\" height=\"300\" width=\"450\" \/><\/p>\n<p>No caso do La Route du Rock, edi\u00e7\u00e3o de ver\u00e3o 2014, esse limite j\u00e1 havia sido ultrapassado na \u00e1rea de entrada do festival, no terceiro dia do evento, quando uma piscina de lama recebia o animado p\u00fablico. Aqueles que n\u00e3o foram preparados (90% se arma de galochas, mas h\u00e1 uns 8% de desavisados e mais uns 2% de corajosos que enfrentam o lama\u00e7al de t\u00eanis ou mesmo chinelos de dedos) ir\u00e3o se arrepender profundamente, e mesmo a turma da galocha pode cair numa armadilha de trope\u00e7ar e nadar na lama (aconteceu).<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/laroute5.jpg\" height=\"300\" width=\"450\" \/><\/p>\n<p>N\u00e3o que o festival deva ser sempre assim, muito embora numa regi\u00e3o marcada por chuvas deva ser dif\u00edcil imaginar a grama do forte resistir a 20 mil f\u00e3s de m\u00fasica um dia que seja, mas a grande quest\u00e3o \u00e9 que fica dif\u00edcil se concentrar na m\u00fasica quando o ambiente em torno de voc\u00ea chama mais a aten\u00e7\u00e3o (e a preocupa\u00e7\u00e3o) do que o que est\u00e1 acontecendo no palco. Desta forma, os artistas do terceiro dia do festival tiveram que conquistar n\u00e3o s\u00f3 a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, mas tamb\u00e9m desviar essa aten\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio deprimente de lama e feno.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/laroute6.jpg\" height=\"300\" width=\"450\" \/><\/p>\n<p>Nesse ponto, Anna Calvi surpreendeu com um show bastante eficiente, que mostra que a cantora est\u00e1 se distanciando das compara\u00e7\u00f5es com PJ Harvey e adquirindo personalidade pr\u00f3pria. Isso ficou evidente na postura de Calvi, incorporando momentos hendrixianos e solando muito, e no pr\u00f3prio set list: ap\u00f3s abrir a noite (de sol) com \u201cSuzanne &amp; I\u201d, de sua estreia (\u201cAnna Calvi\u201d, 2011), quatro can\u00e7\u00f5es seguidas de \u201cOne Breath\u201d, de 2013, mostraram f\u00e9 no novo repert\u00f3rio. Uma cover da sessentista \u201cJezebel\u201d p\u00f3s fim ao \u00f3timo show.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/laroute7.jpg\" height=\"300\" width=\"450\" \/><\/p>\n<p>Na sequencia, ap\u00f3s um show matador em Oslo, no \u00d8ya Festival, o Slowdive chegava \u00e0 Bretanha com sua turn\u00ea de retorno mudando absolutamente nada do repert\u00f3rio, o que facilitou a compara\u00e7\u00e3o dos dois shows, com o de Oslo, numa tenda (seca) sendo quil\u00f4metros superior. N\u00e3o a toa, a primeira frase de Neil Halstead antes mesmo da guitarra soar no forte foi: \u201cAinda bem que parou de chover\u201d. Ainda que inferior ao show do \u00d8ya, a apresenta\u00e7\u00e3o no La Route colocou sorrisos guitarreiros na cara de muita gente (at\u00e9 da Rachel).<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/laroute8.jpg\" height=\"300\" width=\"450\" \/><\/p>\n<p>J\u00e1 com a noite escura (o que tornou o ambiente do festival mais ca\u00f3tico), o Portishead subiu ao palco para produzir mais um show irrepar\u00e1vel. O set list praticamente n\u00e3o muda (mas a banda atualizou as belas imagens do tel\u00e3o que interagem com a c\u00e2mera ao vivo), a voz sofrida de Beth Gibbons continua comovente enquanto riffs e batidas eletr\u00f4nicas convidam o espectador a dan\u00e7ar numa cintilante festa f\u00fanebre que transforma a execu\u00e7\u00e3o de can\u00e7\u00f5es como \u201cSour Times\u201d, com o tel\u00e3o do fundo de palco \u201cestendendo\u201d uma cortina branca e simulando um cabar\u00e9, em momentos absolutamente m\u00e1gicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/laroute9.jpg\" height=\"300\" width=\"450\" \/><\/p>\n<p>O show continua sendo aberto pela voz do brasileiro Claudio Campos declamando a \u201cRegra Tr\u00eas\u201d, introdu\u00e7\u00e3o de \u201cSilence\u201d, faixa de \u201cThird\u201d (2008), terceiro disco do Portishead, e base para o show (com cinco can\u00e7\u00f5es fixas no set list mais \u201cChase the Tear\u201d, lan\u00e7ada em 2009). Dos dois primeiros \u00e1lbuns saem p\u00e9rolas como \u201cMysterons\u201d, \u201cWandering Star\u201d, \u201cOver\u201d e \u201cCowboys\u201d al\u00e9m, claro, de \u201cGlory Box\u201d, que pode ser tocada quantas vezes for, e continuar\u00e1 arrepiando. No bis, \u201cRoads\u201d e \u201cWe Carry On\u201d encerram um show especial.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/laroute10.jpg\" height=\"300\" width=\"450\" \/><\/p>\n<p>O balan\u00e7o de apenas um dia de La Route du Rock \u00e9, no entanto, negativo. Os tr\u00eas grandes shows da noite, que ainda teria Liars pela frente (vencido pela dificuldade de suportar as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es do ambiente), mereciam um local melhor, pois poucas vezes o ditado \u201cp\u00e9rolas arremessadas na lama\u201d caiu t\u00e3o bem quanto aqui para explicar um festival de rock. Pretendo voltar para a Bretanha para conhecer melhor St. Malo, ir ao Monte Saint-Michel e esticar at\u00e9 a Normandia, mas provavelmente evitarei o La Route du Rock. Se vier traga galochas, prepare o nariz e tor\u00e7a muito para n\u00e3o chover.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/laroute12.jpg\" height=\"300\" width=\"450\" \/><\/p>\n<p>Ou ent\u00e3o curta a bagun\u00e7a. \u00c9 sempre bom pensar que algo que uma pessoa n\u00e3o gosta, outra pode curtir. Eu, por exemplo, nunca iria ao Glastonbury. S\u00e3o muitos palcos, \u00e9 muita lama, \u00e9 muito longe da cidade e meu corpo cansado precisa de uma cama ap\u00f3s uma maratona de shows. Tem gente que prefere acampar, e isso \u00e9 legal. Saint Malo, ao menos em 2014 (vai que em 2015 faz uma semana de sol na Bretanha) n\u00e3o foi um festival para mim, f\u00e3 de festivais urbanos como Primavera Sound e \u00d8ya Festival, ou mesmo Benic\u00e0ssim, Rock Werchter e Best Kept Secret. O segredo, na verdade, \u00e9 encontrar o seu tipo de festival. E se jogar. Vai um balde de lama ai?<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/laroute11.jpg\" height=\"300\" width=\"450\" \/><\/p>\n<p align=\"center\"><em>Fotos 1, 2, 4, 5 e 6 por Marcelo Costa<br \/>\nFotos 3, 7, 8, 9, 10 e 11 por La Route du Rock (<a href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/laroutedurock\" target=\"_blank\">veja galeria<\/a>)<\/em>\n<\/p>\n<p align=\"center\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/category\/europa-2014\/\" target=\"_blank\">Europa 2014: Di\u00e1rio de Viagem<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O festival franc\u00eas La Route du Rock existe desde 1991 na Bretanha Francesa e tem uma hist\u00f3ria tradicional de crescimento moderado, ano a ano, at\u00e9 alcan\u00e7ar o recorde de p\u00fablico, com 27 mil pessoas em um dia para ver The Cure em 2005 (em 2007, com Smashing Pumpkins de headliner, a soma de p\u00fablico alcan\u00e7ou [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[52],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13402"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13402"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13402\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13402"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13402"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13402"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}