{"id":1261,"date":"2009-01-06T17:10:49","date_gmt":"2009-01-06T20:10:49","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2009\/01\/06\/ultimo-dia-em-ouro-preto\/"},"modified":"2009-09-09T18:53:12","modified_gmt":"2009-09-09T21:53:12","slug":"ultimo-dia-em-ouro-preto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2009\/01\/06\/ultimo-dia-em-ouro-preto\/","title":{"rendered":"\u00daltimo dia em Ouro Preto"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/3174868642\/\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/igreja_rosario.jpg\" style=\"width: 450px; height: 338px\" width=\"450\" height=\"338\" \/><\/a><\/p>\n<p>Eu tinha dito no post anterior que o dia aqui havia amanhecido ensolarado, n\u00e9 mesmo. Bah, S\u00e3o Pedro tirou uma com a nossa cara. S\u00f3 foi o tempo de irmos tomar caf\u00e9 no albergue, papear r\u00e1pido com outros hospedes e sair que as nuvens cinzas cobriram a cidade, mas n\u00e3o impediram a gente de bater pernas e aproveitar cada minuto do nosso \u00faltimo dia em Vila Rica.<\/p>\n<p>Come\u00e7amos descendo a rua dos Bancos e ca\u00edmos em frente \u00e0 Casa dos Contos (o equivalente a Casa da Moeda), um belo casar\u00e3o monumento do barroco mineiro, constru\u00eddo entre 1782 e 1784. O pr\u00e9dio abriga uma \u00f3tima exposi\u00e7\u00e3o sobre as moedas nacionais, mas o que mais chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a importante exposi\u00e7\u00e3o, na senzala da casa, sobre a escravid\u00e3o na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Sa\u00edmos dali tentando fugir da chuva, mas o tempo abriu a ponto de podermos apreciar com calma a arquitetura de uma das mais belas igrejas da regi\u00e3o, a de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio, que se diferencia das outras por sua fachada circular, constru\u00edda em 1785. Acabamos almo\u00e7ando por ali mesmo, no Largo do Ros\u00e1rio, no restaurante Acaso 85, em um casar\u00e3o que impressiona (e a comida tamb\u00e9m \u00e9 boa).<\/p>\n<p>A pr\u00f3xima parada foi na igreja mais rica da cidade (qui\u00e7a do Brasil), a de Nossa Senhora do Pilar, padroeira da cidade. Aqui foram usados\u00a0400 quilos de ouro e 400 quilos de prata. A entrada impressiona, e pedimos o aux\u00edlio de uma guia, a Sonia, para contar hist\u00f3rias do local. Trabalharam na constru\u00e7\u00e3o o tio, o pai e\u00a0o mestre de Aleijadinho, que tem algumas pe\u00e7as\u00a0assinadas por ele\u00a0expostas no museu no subsulo.<\/p>\n<p>\u00c9 uma das igrejas mais impressionantes de toda a viagem, at\u00e9 agora, e s\u00f3 n\u00e3o bate a\u00a0de S\u00e3o Francisco de Assis, obra m\u00e1xima de Aleijadinho.\u00a0A quantidade de detalhes chama a aten\u00e7\u00e3o, e a nave, mais espa\u00e7osa, lembra muito a de um anfiteatro. Sem contar a quantidade de ouro usada, que marca a abund\u00e2ncia do per\u00edodo. Ela foi inagurada em 1733, ainda n\u00e3o terminada, e diz a lenda que a prociss\u00e3o que se seguiu para levar a padroeira da igreja do Ros\u00e1rio para a nova foi feita toda sobre ruas cobertas com p\u00f3 de ouro.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/praca_tiradentes.jpg\" style=\"width: 450px; height: 338px\" width=\"450\" height=\"338\" \/><\/p>\n<p>A guia nos contou v\u00e1rias hist\u00f3rias interessantes, e saiu com uma das m\u00e1ximas mais bacanas da viagem: &#8220;Ouro Preto \u00e9 para ser vista \u00e0 noite&#8221;. Segundo ela, v\u00e1rias obras trazem \u00e1 tona novos significados quando vistas na escurid\u00e3o. \u00c9 o momento em que detalhes interessantes que os artistas ocultam nas obras surgem. Como, por exemplo, segundo ela, uma caveira na fachada da Igreja de S\u00e3o Francisco de Assis, que \u00e9 valorizada em dias de chuva, que escurecem certas pedras mais do que outras. &#8220;Dizem que ele errou em alguns profetas de Congonhas, n\u00e9. Que nada. Ele fez aquilo de prop\u00f3sito para mostrar o defeito das pessoas e s\u00edmbolos da ma\u00e7onaria&#8221;, comentou.<\/p>\n<p>Na sa\u00edda, a chuva apertou, e acabamos parando na cacha\u00e7aria Milagre de Minas, na rua de cima da Igreja de Pilar. Ficamos ali uma meia hora, e a Leila caprichou na hospitalidade. Experimentamos cerca de dez ou doze cacha\u00e7as (sacum\u00e9, perdi a conta), al\u00e9m de uma geleia da marvada. Acabei optando por um jogo de copos para pinga e uma bela garrafa da cacha\u00e7a da casa, a Milagre de Minas, aguardente curtida em dezenas de especiarias. Logo mais em casa, em S\u00e3o Paulo. Aguarde.<\/p>\n<p>Nosso \u00faltimo ato tur\u00edstico foi visitar o Museu da Inconfid\u00eancia, na Pra\u00e7a Tiradentes, com um excelente acervo que conta n\u00e3o s\u00f3 a hist\u00f3ria de Minas Gerais, mas tamb\u00e9m do Brasil. \u00c9 se segurar para n\u00e3o sair de l\u00e1 procurando uma lojinha com a camiseta que traz a estampa da bandeira mineira e o popular &#8220;Liberta que ser\u00e1 tam\u00e9m&#8221;. Estou me segurando, mas alguma coisa eu devo levar, al\u00e9m das cacha\u00e7as (ainda tomo uma Provid\u00eancia em BH, pode ter certeza).<\/p>\n<p>Ainda passamos pela Igreja Nossa Senhora do Carmo (frequentada pela aristocracia rica da cidade), projetada pelo pai de Aleijadinho, e que\u00a0conta com\u00a0um bel\u00edssimo desenho\u00a0de Athayde na sacristia. Interessante observar como cada comunidade local tinha sua igreja, mesmo os negros, que apesar de n\u00e3o terem fontes de renda, construiram uma das mais belas igrejas da cidade, a do Ros\u00e1rio. Agora \u00e9 hora de um caf\u00e9. Amanh\u00e3 seguimos viagem para S\u00e3o Jo\u00e3o Del Rey.<\/p>\n<p>Ps. Ap\u00f3s terminar o post fomos comprar as passagens na Rodovi\u00e1ria. Demos sorte. Pegamos dois dos \u00faltimos quatro lugares (vamos em um \u00f4nibus que segue para S\u00e3o Paulo e nos deixar\u00e1 em S\u00e3o Jo\u00e3o). Aproveitamos que est\u00e1vamos por ali para ver a Igreja de S\u00e3o Francisco de Paula (uma das que mais chama a aten\u00e7\u00e3o na cidade, por estar sobre um morro). Dali &#8220;descobrimos&#8221; outra bastante especial descendo o morro, a Igreja de S\u00e3o Jos\u00e9.<\/p>\n<p>Erguida entre 1730 e 1811, a <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/3175401902\/\" target=\"_blank\">Igreja de S\u00e3o Jos\u00e9<\/a> pertencia \u00e0 uma irmandade que reunia v\u00e1rios artistas chamada Confraria de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Bem Casados, entre eles Aleijadinho, que\u00a0desenhou (gratuitamente) o risco do ret\u00e1bulo, da capela-mor e da torre. Junto com a do <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/3174872462\/\" target=\"_blank\">Ros\u00e1rio<\/a> e de <a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/3164291274\/\" target=\"_blank\">S\u00e3o Francisco de Assis<\/a>, a de S\u00e3o Jos\u00e9 \u00e9 a que mais me chamou a aten\u00e7\u00e3o (embora seja vis\u00edvel o descuido com a obra) em toda a viagem, parte por ela fugir do padr\u00e3o e ter uma entrada circular e\u00a0suas sacadas\u00a0frontais.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\">\u00a0<a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/3174550797\/\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/ouro_preto_montanha.jpg\" style=\"width: 450px; height: 338px\" width=\"450\" height=\"338\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center\">Fotos: Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\">http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu tinha dito no post anterior que o dia aqui havia amanhecido ensolarado, n\u00e9 mesmo. 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