{"id":1257,"date":"2009-01-06T08:37:11","date_gmt":"2009-01-06T11:37:11","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2009\/01\/06\/estrada-real-e-os-profetas\/"},"modified":"2009-05-21T16:37:43","modified_gmt":"2009-05-21T19:37:43","slug":"estrada-real-e-os-profetas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2009\/01\/06\/estrada-real-e-os-profetas\/","title":{"rendered":"Estrada Real e Os Profetas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/3173006987\/\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/estradareal.jpg\" style=\"width: 450px; height: 338px\" width=\"450\" height=\"338\" \/><\/a><\/p>\n<p>Quando disse no post anterior que ir\u00edamos fazer um &#8220;bate e volta&#8221; para Congonhas, n\u00e3o imaginava que seria uma quase aventura (hehe). Aviso aos navegantes: no site de Ouro Preto consta que existem \u00f4nibus direto da cidade para Congonhas, mas essa linha foi desativada. Agora s\u00e3o dois os caminhos a seguir: pegar um \u00f4nibus de Ouro Preto para Ouro Branco ou ent\u00e3o para Conselheiro Lafaiete, e de l\u00e1 para Congonhas.<\/p>\n<p>Parece simples, n\u00e3o. N\u00e3o \u00e9. Para Conselheiro Lafaiete s\u00f3 existem duas partidas e voltas di\u00e1rias. Para Ouro Branco h\u00e1 mais possibilidades. Acabamos optando pela primeira, cujo \u00f4nibus saia quase uma hora antes da segunda, mas n\u00e3o fazia o mesmo trajeto pois a estrada estava &#8220;fechada&#8221; (como descobrir\u00edamos na volta), ent\u00e3o a linha seguia um longo atalho pela Estrada Real (<a href=\"http:\/\/www.estradareal.org.br\/\">http:\/\/www.estradareal.org.br\/<\/a>).<\/p>\n<p>A Estrada Real inicialmente ligava a antiga Villa Rica, hoje Ouro Preto, ao porto de Paraty, mas pela necessidade de uma via de escoamento mais segura e mais r\u00e1pida ao porto do Rio e, tamb\u00e9m por imposi\u00e7\u00e3o da Coroa foi aberto um &#8220;caminho novo&#8221;. A rota de Paraty passou a ser o &#8220;caminho velho&#8221;. Com a descoberta das pedras preciosas na regi\u00e3o do Serro, a estrada se estendeu at\u00e9 o Arraial do Tejuco (atual Diamantina), deixando Ouro Preto como o centro de converg\u00eancia.<\/p>\n<p>Muitos anos atr\u00e1s, ainda na \u00e9poca em que eu trabalhava na Pr\u00f3-Reitoria de Extens\u00e3o da Universidade de Taubat\u00e9, fiz um trecho de caminhada pela Estrada Real de Cunha at\u00e9 Parati com alunos de Arquitetura. Agora pegamos mais de quarenta minutos em estrada de terra batida com asfalto em paisagens lindissimas, mas \u00e9 preciso est\u00f4mago para se concentrar no visual e n\u00e3o enjoar diante das dezenas de curvas.<\/p>\n<p>Atravessamos Cachoeiro do Campo, um pedacinho de Glaura, Santo Ant\u00f4nio do Leite, Engenho Correia, Miguel Burnier e Lobo Leite. Foi quando percebi uma placa de Congonhas, e sai correndo para falar com o motorista, que nos deixou debaixo de uma ponte na BR-040 avisando: pode ficar ai que o \u00f4nibus para Congonhas passa logo. N\u00e3o deu outra: dez minutos depois pegamos um que vinha exatamente de Conselheiro Lafaiete. No m\u00ednimo duas horas de economia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/3172994673\/\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/basilica_congonhas.jpg\" style=\"width: 450px; height: 338px\" width=\"450\" height=\"338\" \/><\/a><\/p>\n<p>Na Rodovi\u00e1ria de Congonhas, o pessoal meio que olhou torto quando perguntamos sobre o Santu\u00e1rio de Bom Jesus de Matosinhos, at\u00e9 se atentarem que est\u00e1vamos na verdade querendo conhecer a Bas\u00edlica. H\u00e1 um \u00f4nibus com este mesmo nome que deixa o visitante na porta do santu\u00e1rio, obra de Aleijadinho em 1757 (e terminada em 1790)\u00a0sob encomenda de Feliciano Mendes como forma de pagar uma promessa para o santo.<\/p>\n<p>\u00c9 aqui que est\u00e3o os famosos Profetas de Aleijadinho, obras impressionates que praticamente flutuam na entrada da igreja. \u00c9 um conjunto t\u00e3o forte que \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o querer traze-los pra casa, nem que for em miniatura, como eu fiz (ok, n\u00e3o vou ter espa\u00e7o para os 12 profetas, mas j\u00e1 separei alguns para amigos). O Santu\u00e1rio \u00e9 completado com seis capelas que ilustram os Passos da Paix\u00e3o de Cristo em obras tamb\u00e9m de Aleijadinho. De cair o queixo.<\/p>\n<p>Almo\u00e7amos no Restaurante da Ladeira, ali mesmo, um t\u00edpico prato de Tutu a Mineira que serve para dois, mas na verdade dava f\u00e1cil para quatro, acompanhado de uma cacha\u00e7a artesanal (mais uma). Na volta ainda passamos pela igreja matriz (tamb\u00e9m de Aleijadinho) e partimos para a saga do retorno para Ouro Preto, com escala em Ouro Branco, passagem r\u00e1pida pela Vila de Itatiaia, mais um trecho da Estrada Real e uma parada estrat\u00e9gica.<\/p>\n<p>Lembra que tivemos que fazer um longo trecho em estrada de terra pois a estrada que liga Ouro Preto com Ouro Branco estava fechada? Ent\u00e3o, mais ou menos fechada. Na verdade, est\u00e1 proibida a passagem de \u00f4nibus sobre a ponte do Rio Falc\u00e3o, ent\u00e3o o que o pessoal da empresa Vale do Ouro faz: eles levam o passageiro de Ouro Branco at\u00e9 a ponte, e trocamos de \u00f4nibus atravessando a p\u00e9 (passageiros do outro lado fazem o caminho inverso). Coisas de Brasil.<\/p>\n<p>A paisagem na volta \u00e9 novamente bel\u00edssima apesar das nuvens baixas e da chuva constante. Chegou a lembrar o alto da Cordilheira dos Andes, na regi\u00e3o do Atacama, quando visitamos alguns lagos perto de vulc\u00f5es ativos. \u00c9 imposs\u00edvel n\u00e3o\u00a0ter vontade\u00a0de fazer o caminho da Estrada Real conforme as tradi\u00e7\u00f5es: a p\u00e9, de bike ou, melhor, \u00e0 cavalo. Quem sabe um dia, n\u00e9 mesmo.<\/p>\n<p>Hoje o dia amanheceu ensolarado novamente em Ouro Preto, mas a maioria das igrejas abre para visita\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o meio-dia. Ap\u00f3s um bom caf\u00e9 no albergue, l\u00e1 vamos n\u00f3s atr\u00e1s das belezas do barroco mineiro. Me aguarde.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/3173006199\/\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/estradareal01.jpg\" style=\"width: 450px; height: 338px\" width=\"450\" height=\"338\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center\">Fotos: Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/\">http:\/\/www.flickr.com\/photos\/maccosta\/<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando disse no post anterior que ir\u00edamos fazer um &#8220;bate e volta&#8221; para Congonhas, n\u00e3o imaginava que seria uma quase aventura (hehe). Aviso aos navegantes: no site de Ouro Preto consta que existem \u00f4nibus direto da cidade para Congonhas, mas essa linha foi desativada. 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