{"id":1101,"date":"2008-11-21T10:37:47","date_gmt":"2008-11-21T13:37:47","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2008\/11\/21\/titas-e-sonic-youth-nas-telonas\/"},"modified":"2009-01-20T18:08:33","modified_gmt":"2009-01-20T21:08:33","slug":"titas-e-sonic-youth-nas-telonas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2008\/11\/21\/titas-e-sonic-youth-nas-telonas\/","title":{"rendered":"Tit\u00e3s e Sonic Youth nas telonas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"235\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/titas_filme.jpg\" height=\"329\" style=\"width: 235px; height: 329px\" \/>\u00a0<img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"235\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/sonic_filme.jpg\" height=\"329\" style=\"width: 235px; height: 329px\" \/><\/p>\n<p><strong>&#8220;A Vida At\u00e9 Parece Uma Festa&#8221;<\/strong>, de Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves<br \/>\nCota\u00e7\u00e3o: 1\/5<\/p>\n<p>Uma das principais forma\u00e7\u00f5es de rock do pa\u00eds, o Tit\u00e3s chega \u00e0s telonas (via Mostra RJ e SP \u2013 estr\u00e9ia oficial apenas em janeiro) com um document\u00e1rio caseiro que procura contar a trajetoria da banda atrav\u00e9s de imagens de programas de TV e registros que Branco Mello come\u00e7ou a fazer quando comprou sua primeira c\u00e2mera VHS em 1986. Dividido a quatro m\u00e3os entre o tit\u00e3 e o diretor Oscar Rodrigues Alves, &#8220;A Vida At\u00e9 Parece Uma Festa&#8221; trope\u00e7a enquanto cinema, mas f\u00e3s v\u00e3o adorar.<\/p>\n<p>Os melhores momentos do filme s\u00e3o quase que exclusivamente retirados de programas de televis\u00e3o em imagens de (90%) p\u00e9ssima qualidade. Mesmo assim \u00e9 hil\u00e1rio ver o grupo pulando do Barros de Alencar para o Qual \u00e9 a M\u00fasica de Silvio Santos, gastando adrenalina no Cassino do Chacrinha, divertindo-se no Programa do Bolinha e Perdidos na Noite, programa do Faust\u00e3o na Band. E o raro flagra do Trio Mam\u00e3o (Bellotto, Mello e Fromer) e as Mamonetes em um programa da TV Tupi \u00e9 hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, se forem retiradas as imagens de TV, pouca coisa relevante sobra em &#8220;A Vida At\u00e9 Parece Uma Festa&#8221;. A edi\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica tamb\u00e9m n\u00e3o ajuda. N\u00e3o h\u00e1 um fio condutor que dirija a hist\u00f3ria, e sim idas e vindas que s\u00f3 n\u00e3o v\u00e3o confundir quem realmente \u00e9 f\u00e3 da banda. As cenas extensas s\u00e3o outro ponto negativo. Exemplo: a cena seguinte ap\u00f3s o caso da pris\u00e3o de Arnaldo e Belloto com drogas \u00e9 ilustrada com uma colagem da m\u00fasica &#8220;Pol\u00edcia&#8221; em diversos lugares que poderia ser muuuuuito mais curta. Outra, com a banda enlameada na Chapada das Guimar\u00e3es, tamb\u00e9m poderia ser cortada pela metade.<\/p>\n<p>Para fazer a liga\u00e7\u00e3o entre alguns trechos carentes de imagens de arquivo, Alves filma o que restou da banda no \u00f4nibus de turn\u00ea a caminho de algum show, o que poderia ter sido um \u00f3timo v\u00e9rtice para a hist\u00f3ria, mas \u00e9 usado raramente e poderia valorizar passagens interessantes como uma em que a banda vota para escolher quais can\u00e7\u00f5es v\u00e3o entrar num \u00e1lbum (com Nando Reis frustrado diante da c\u00e2mera), outra em que Charles Gavin leva um esporro do produtor Liminha ou, ainda, uma terceira, mais recente, com Arnaldo quase caindo da cadeira ao passar uma can\u00e7\u00e3o em casa com outros tit\u00e3s.<\/p>\n<p>Os pontos primordiais da hist\u00f3ria da banda ganham espa\u00e7o na tela \u2013 a sa\u00edda de Arnaldo Antunes e Nando Reis; a morte de Marcelo Frommer; o come\u00e7o, meio e momento atual da banda; a vida na estrada \u2013 mas poderiam ser melhor explorados. No fim fica a impress\u00e3o que &#8220;A Vida At\u00e9 Parece Uma Festa&#8221; foi feito exclusivamente para f\u00e3s com mais foco na hist\u00f3ria musical do que no cinema. At\u00e9 por isso destaca o roteiro capenga. H\u00e1 bons momentos no document\u00e1rio, mas uma banda do porte e trajet\u00f3ria do Tit\u00e3s merecia muito mais. A gente n\u00e3o quer s\u00f3 comida.<\/p>\n<p>******************<\/p>\n<p><strong>&#8220;Sonic Youth: Sleeping Nights Awake&#8221;<\/strong>, de Projeto Moonshine<br \/>\nCota\u00e7\u00e3o: 3\/5<\/p>\n<p>Imagine a cena: sete estudantes do segundo grau t\u00eam uma &#8220;tarefa&#8221; para o fim de semana: registrar a passagem da turn\u00ea &#8220;Rither Ripped&#8221;, do Sonic Youth, por sua cidade, a pequena Reno, no estado de Nevada, Estados Unidos. O trabalho faz parte do Projeto Moonshine (<a href=\"http:\/\/www.projectmoonshine.org\/\">http:\/\/www.projectmoonshine.org<\/a>), uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos que visa ensinar cinema a adolescentes para que eles possam documentar importantes eventos em suas comunidades. &#8220;Sonic Youth: Sleeping Nights Awake&#8221; foi o primeiro longa do grupo, e o Projeto se saiu muito bem.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nada de revolucion\u00e1rio no m\u00e9todo de filmagem e roteiro de &#8220;Sonic Youth: Sleeping Nights Awake&#8221;, pressuposto correto para um grupo iniciante na arte de cinematografia. O grupo parte do b\u00e1sico nos registros e capta\u00e7\u00f5es de imagens: acompanha a banda de sua chegada em Reno at\u00e9 a partida com reveladoras entrevistas com membros da equipe t\u00e9cnica e com os pr\u00f3prios m\u00fasicos at\u00e9 imagens dos shows (com a integra de can\u00e7\u00f5es como: &#8220;Tom Violence&#8221;, &#8220;Shaking Hell&#8221;, &#8220;Mote&#8221;, &#8220;Incinerate&#8221; e &#8220;Kool Thing&#8221;).<\/p>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o \u00e9 primorosa e valoriza imensamente o resultado final. Com sete c\u00e2meras nas m\u00e3os de estudantes, o Projeto mixa v\u00e1rias imagens (todas em PB) estilosas que muitas vezes come\u00e7am e\/ou terminam desfocadas, op\u00e7\u00e3o que casa \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o com a pouca experi\u00eancia do grupo de estudo e tamb\u00e9m com a sonoridade do Sonic Youth. Outro ponto alto \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o dos integrantes \u2013 principalmente Thurston Moore \u2013 com a filmagem, agindo numa naturalidade raras vezes vista em um document\u00e1rio.<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 faz 17 anos desde a \u00faltima vez que tocamos aqui, n\u00e3o lembro o nome do lugar&#8221;, diz Thurston em certo momento do show. Um f\u00e3, no meio da plat\u00e9ia, grita o nome do local, e Thurston emenda: &#8220;Esse ai. Obrigado por terem nos trazido de volta&#8221;. E come\u00e7a o massacre com &#8220;Kool Thing&#8221;. O Projeto entrevista uma garota cujo pai tem o nome do grupo tatuado na perna. Minutos depois o encontra para que ele mostre a tatuagem para \u00e1s c\u00e2meras. O descompromisso toma conta e contagia.<\/p>\n<p>Kim Gordon fala sobre a dificuldade de cantar, a vida na estrada e filhos, um deles trabalhando na turn\u00ea, na banca de camisetas da banda. Lee Ranaldo tenta explicar como a banda dura tanto e o ex-baixista do Pavement, Mark Ibold, fala sobre a adapta\u00e7\u00e3o ao grupo. Mas os melhores momentos s\u00e3o de Thurston, que parece n\u00e3o levar \u00e0 s\u00e9rio o document\u00e1rio. &#8220;Voc\u00eas s\u00e3o estudantes da high school? Legal. Querem Hersheys?&#8221;, pergunta no camarim. &#8220;S\u00f3 tem dois. Voc\u00eas v\u00e3o ter que dividir&#8221;, diz o guitarrista j\u00e1 de mochila nas costas enquanto Kim comenta: &#8220;Vou levar um pouco de comida para o \u00f4nibus&#8221;.<\/p>\n<p>Um dos momentos reveladores do longa, por\u00e9m, parte de um dos membros da equipe t\u00e9cnica. O entrevistador pergunta: &#8220;Como voc\u00ea sabe que eles est\u00e3o felizes no palco, que a noite est\u00e1 sendo boa?&#8221;. O rapaz hesita, mas responde: &#8220;Eu sei quando eles n\u00e3o est\u00e3o felizes. Por exemplo: na turn\u00ea do \u00e1lbum \u2018Sonic Nurse\u2019, ainda com o Jim O\u2019Rourke na banda, o clima n\u00e3o estava bom&#8230; ent\u00e3o eles tocavam vers\u00f5es de 20 minutos de uma m\u00fasica, s\u00f3 microfonia, nenhum movimento. Eles estavam jogando sobre o p\u00fablico todas as suas frustra\u00e7\u00f5es&#8221;, diz, explicando por tabela a frustrante apresenta\u00e7\u00e3o no Claro Que \u00e9 Rock, em 2005, ap\u00f3s a primeira passagem antol\u00f3gica, no Free Jazz, em 2000.<\/p>\n<p>O intimismo e a espontaneidade valorizam &#8220;Sonic Youth: Sleeping Nights Awake&#8221;, um document\u00e1rio jovem que flagra uma das bandas mais importantes do cen\u00e1rio independente mundial. Apesar de ter por base a execu\u00e7\u00e3o ao vivo das can\u00e7\u00f5es do grupo \u2013 as entrevistas surgem entre uma m\u00fasica e outra, o document\u00e1rio soa interessante tamb\u00e9m para aquele p\u00fablico que n\u00e3o conhece e\/ou nem \u00e9 f\u00e3 do Sonic Youth, mas tenha curiosidade pelos bastidores de uma banda de rock em turn\u00ea, num registro que merece ser visto.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; &#8220;Sonic Nurse&#8221; exibe as cicatrizes do Sonic Youth, por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/sonicnurse_resenha.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;Murray Street&#8221;, do Sonic Youth, faixa a faixa, por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/faixasonicyouth.html\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Claro Que \u00e9 Rock em S\u00e3o Paulo, por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/claroqueerock.htm\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 &#8220;A Vida At\u00e9 Parece Uma Festa&#8221;, de Branco Mello e Oscar Rodrigues Alves Cota\u00e7\u00e3o: 1\/5 Uma das principais forma\u00e7\u00f5es de rock do pa\u00eds, o Tit\u00e3s chega \u00e0s telonas (via Mostra RJ e SP \u2013 estr\u00e9ia oficial apenas em janeiro) com um document\u00e1rio caseiro que procura contar a trajetoria da banda atrav\u00e9s de imagens de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4,3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1101"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1101"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1101\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1101"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1101"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1101"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}