{"id":1015,"date":"2008-10-29T10:31:12","date_gmt":"2008-10-29T13:31:12","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2008\/10\/29\/mostra-sp-loki-arnaldo-baptista\/"},"modified":"2009-06-23T12:51:55","modified_gmt":"2009-06-23T15:51:55","slug":"mostra-sp-loki-arnaldo-baptista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2008\/10\/29\/mostra-sp-loki-arnaldo-baptista\/","title":{"rendered":"Mostra SP: &#8220;Loki &#8211; Arnaldo Baptista&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"340\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/10\/loki_filme.jpg\" height=\"457\" style=\"width: 340px; height: 457px\" \/><\/p>\n<p><strong>&#8220;Loki&#8221;, de Paulo Henrique Fontenelle<\/strong> &#8211; Cota\u00e7\u00e3o 5\/5<\/p>\n<p>Nas ruas de Londres, um f\u00e3 (aparentemente) brit\u00e2nico p\u00e1ra Arnaldo Baptista e come\u00e7a um discurso emocionado que enaltece a grandiosidade do\u2019s Mutantes, grupo que Arnaldo formou com seu irm\u00e3o S\u00e9rgio e, aquela que viria a ser sua primeira namorada e mulher, Rita Lee. Na seq\u00fc\u00eancia, um brasileiro passa por Arnaldo, caminha uns dez passos e volta gritando: &#8220;Mutantes, porra, voc\u00ea \u00e9 foda demais&#8221;. A palavra \u00e9 exatamente essa: Arnaldo Baptista \u00e9 foda demais.<\/p>\n<p>&#8220;Loki&#8221;, document\u00e1rio emocional de Paulo Henrique Fontenelle, lan\u00e7a luz com devo\u00e7\u00e3o sobre a carreira do homem respons\u00e1vel por uma das maiores \u2013 se n\u00e3o a maior \u2013 e mais geniais forma\u00e7\u00f5es de rock do lado debaixo do Equador. Fontenelle busca amigos, parceiros e produtores que abrem o cora\u00e7\u00e3o para a c\u00e2mera detalhando hist\u00f3rias e causos da vida de Arnaldo Baptista. Mais: resgata imagens rar\u00edssimas de \u00e9poca, trechos de entrevistas e apari\u00e7\u00f5es em TV que soam como pepitas de ouro visuais que d\u00e3o um colorido especial ao passado.<\/p>\n<p>O filme come\u00e7a com um amigo de escola, Raphael Villardi, que lembra o momento em que Arnaldo comprou um baixo e decidiu formar um grupo de rock. Estava criado O\u2019Seis, grupo que viria a ser um dos embri\u00f5es do\u2019s Mutantes. Da\u00ed em diante entra em cena a Tropic\u00e1lia, os grandes festivais da Record, raras entrevistas e a viagem para a Europa que rendeu a grava\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum &#8220;Technicolor&#8221;, gravado em 1970 e lan\u00e7ado apenas em 2000.<\/p>\n<p>Em um dos trechos mais tocantes da pel\u00edcula, Arnaldo comenta sobre a rela\u00e7\u00e3o com Rita Lee, o casamento e a separa\u00e7\u00e3o, pede desculpas e assume que n\u00e3o p\u00f4de dar a aten\u00e7\u00e3o que ela merecia naquele momento. Dinho (baterista) e Liminha (baixo) relembram \u2013 emocionados \u2013 o dia em que Rita avisou que estava pulando fora do barco. &#8220;Eu sai para fora da casa do Arnaldo e comecei a chorar&#8221;, conta Liminha. &#8220;Era o fim&#8221;, sentencia Dinho (de olhos marejados). N\u00e3o foi ao menos por um tempo, enquanto Arnaldo segurou a forma\u00e7\u00e3o ao lado de S\u00e9rgio.<\/p>\n<p>O irm\u00e3o \u00e9 outro que d\u00e1 a cara a bater no filme. &#8220;Ele saiu e eu fiquei com os Mutantes, e eu n\u00e3o sabia o que fazer. Eu estava perdido e segui com a banda porque era o que eu achava que tinha que fazer&#8221;, desabafa o guitarrista, que em um dos momentos mais intensos do document\u00e1rio culpa a imprensa, os amigos e a si mesmo pela falta de tato com o irm\u00e3o. &#8220;Ele \u00e9 um g\u00eanio e a imprensa&#8230; e as pessoas ficavam falando coisas que confundiram e atrapalharam ele. S\u00e3o todos uns cretinos. E eu tamb\u00e9m sou um cretino por n\u00e3o conseguir entende-lo e quero pedir desculpas publicamente por isso&#8221;, diz S\u00e9rgio.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s sua sa\u00edda do\u2019s Mutantes, Arnaldo lan\u00e7ou seu primeiro disco solo, &#8220;Loki&#8221;, que d\u00e1 t\u00edtulo ao filme e \u00e9 considerado por muitos como um dos dez maiores \u00e1lbuns da m\u00fasica popular brasileiro, um flagrante de sofrimento e dor que impressiona e comove por sua sinceridade. A partir da\u00ed, ele segue com projetos paralelos com a banda Patrulha do Espa\u00e7o (registros lan\u00e7ados no \u00f3timo \u00e1lbum &#8220;O Elo Perdido&#8221;) at\u00e9 lan\u00e7ar o segundo \u00e1lbum solo, &#8220;Singin Alone&#8221;, em 1980, e caminhar at\u00e9 a janela do Hospital do Servidor Publico, em S\u00e3o Paulo, quebrar o vidro e pular do terceiro andar atirando-se numa tentativa de suic\u00eddio.<\/p>\n<p>O resultado do v\u00f4o: sete costelas fraturadas, v\u00e1rias les\u00f5es pelo corpo e dois edemas: um cerebral \u2013 ser\u00edssimo \u2013 e um pulmonar. O m\u00fasico ficou quase dois meses em estado de coma, e quando retornou a si, precisou de mais dois meses para se recuperar (a traqueotomia a que fora submetido afetara suas cordas vocais alterando seu timbre de voz). Amparado por Lucinha Barbosa, Arnaldo renasceu e foi morar em Juiz de Fora, em Minas Gerais, afastado da m\u00eddia e do p\u00fablico em busca de paz. De l\u00e1 pra c\u00e1 apari\u00e7\u00f5es espor\u00e1dicas em pequenos shows em S\u00e3o Paulo e no Free Jazz Festival, ao lado de Sean Lennon, f\u00e3 confesso do\u2019s Mutantes, at\u00e9 o \u00e1lbum &#8220;Let It Bed&#8221; em 2004 e a reuni\u00e3o consagradora do grupo em 2007.<\/p>\n<p>&#8220;Loki&#8221; \u00e9 um dos daqueles document\u00e1rios que vangloriam o cinebiografado, mas exibe uma sinceridade t\u00e3o toc\u00e1vel que anula qualquer coment\u00e1rio contr\u00e1rio a sua imensa qualidade. Rita Lee n\u00e3o topou dar entrevistas para o filme, mas liberou o uso de suas imagens. Bancado pelo canal fechado TV Brasil, &#8220;Loki&#8221; ter\u00e1 raras e esparsas exibi\u00e7\u00f5es nos cinemas (em sess\u00f5es especiais e festivais ao redor do pa\u00eds) at\u00e9 estrear definitivamente na telinha. Uma pena. &#8220;Loki&#8221; \u00e9 daqueles filmes que deveriam ficar semanas e semanas em cartaz com grande divulga\u00e7\u00e3o e grande p\u00fablico em uma telona. Fique atento e n\u00e3o perca a oportunidade de assisti-lo.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"450\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/10\/loki_filme_foto.jpg\" height=\"297\" style=\"width: 450px; height: 297px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Loki&#8221;, de Paulo Henrique Fontenelle &#8211; Cota\u00e7\u00e3o 5\/5 Nas ruas de Londres, um f\u00e3 (aparentemente) brit\u00e2nico p\u00e1ra Arnaldo Baptista e come\u00e7a um discurso emocionado que enaltece a grandiosidade do\u2019s Mutantes, grupo que Arnaldo formou com seu irm\u00e3o S\u00e9rgio e, aquela que viria a ser sua primeira namorada e mulher, Rita Lee. 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