Faixa a Faixa
Manic Street Preachers
This is my truth, tell me yours
por Marcelo Silva Costa

13 motivos para você levar essa pequena jóia para sua casa:

1) Everlasting - O álbum começa com uma bateria eletrônica cadenciada, um violão e a voz maravilhosa de James Dean Bradfield. O ritmo cresce e os teclados nos fazem flutuar. A letra é um lamento existencialista que diz que não seremos 
perdoados por sermos eternos. Além, "eu não acredito em atos patéticos por causas desprezíveis".

2) If you tolerate this your children will be next - Uma guitarra cheia de efeitos abre o primeiro single do álbum que fala de política como o bom e velho The Clash (lembra, a última banda que realmente importava). "O futuro lhe ensina a ficar só e o presente lhe ensina a ficar com medo e indiferente mas assim como eu posso atirar em coelhos, (famoso passatempo europeu) que eu possa também atirar em fascistas".  O título e refrão foi lema das Brigadas Internacionais que combateram os fascistas de Francisco Franco na Guerra Civil Espanhola: "Se você tolerar isso, seus filhos serão os próximos".

3) You stole the sun from my heart - Começa cadenciada e alegre o que contrasta com a letra de início. Depois, encaixa. É um lamento inocente tipo "eu acreditei em vocês e vocês roubaram o sol do meu coração, mas tudo bem, eu amo vocês mesmo!" O refrão é uma explosão de guitarras...

4) Ready for drowning - Teclados e violões abrem essa canção. Tons progressivos são pano de fundo para Bradfield dizer que não está pronto para se afogar (assim, talvez, como o ex-líder da banda, Richey James, que, supostamente se suicidou pulando da Severn Bridge; o corpo não foi encontrado). O refrão novamente é pesado com guitarras e harmônicas.

5) Tsunami - Trás uma citara e é um belo exemplar de canção pop. Uma melodia genial, refrão forte e uma letra que diz que "os médicos me disseram que minha doença é o cinismo..." 

6) My little empire - Canção lenta cheia de efeitos. O pequeno império é sua própria casa. "A realeza não existe e ideologias estão mortas,  cuide de suas coisas".

7) I’m not working - Outra canção lenta mas nessa a melodia lembra, pasmem, Madonna!!! "Eu sou minha própria experiência",, sentencia Bradfield.

8) You’re tender and you’re tired - Duas constatações surgem nessa faixa: A primeira é de que quem via (desconfiado) Radiohead e Verve como algo de progressivo, deve ficar assustado com o Manic. E, se você era punk (como Courtney Love) e hoje se acha estúpido, prepare-se para o novo século. O Manic tem sim muito de progressivo, assim como também tem muito do The Clash. Improvável, mas verdadeiro.

9) Born a girl - Outra canção lenta, progressiva, e a letra é daquelas que diz que cada um tem o direito de ser o que quiser:  "Eu desejava ter nascido uma menina ao invés dessa bagunça de homem que sou...".  Não dá para imaginar uma banda progressiva cantando isso...

10) Be natural - Essa lembra bastante Yes. Seja natural comigo está noite... ainda é cedo para dizer adeus...

11) Black dog on my shouder - A bateria quer nos manter no chão e os teclados querem nos fazer flutuar.

12) Nobody love you - Contrastando com as faixas anteriores, guitarras barulhentas dominam essa faixa. Em algum lugar do mundo, Betty Gibbons lamenta que ninguém a ama e ressalta, "é verdade". Aqui, Bradfield parece querer completar esse tormento cantando que ninguém a amou; ninguém lhe fez sentir tão só. Depois completa: "O que estou dizendo é que ainda há folhas de inverno e isso me faz desacreditar em vinganças...".

13) S.Y.M.M. - Bradfield: "O subtexto dessa canção era um pensamento sobre partir para longe, mas isso não é realmente o tipo de coisa que as pessoas querem ouvir eu cantar. O contexto dessa canção, bem, eu poderia caminhar sem parar mas ainda é antiquado acreditar em princípios..."

Ps. É antiquado, mas eu também acredito. E eu também era punk e hoje me acho estúpido, mas, esta é a minha verdade... conte-me a sua.

Texto publicado no fanzine Scream & Yell on paper número 3