Um Dia
Cinzento
de
Renata Gonçalves dos Santos
Hoje foi mais um dia cinzento... fumei
alguns cigarros, escutei Sarah Brigtman e pensei em ligar para alguém...
mas não recordei-me de nenhum amigo. Vejo pela janela pessoas indo
e vindo, como tudo na vida. As ondas vêem e vão, alguns se
deixam levar, outros param na beira da praia, mas todos tem o mesmo olhar.
É surpreendente....a profundidade,
a frieza, os medos e amores... tudo revelado em alguns segundos.
Um amigo pediu-me em casamento!!!!
E por e-mail, o que a tecnologia não faz? Às vezes, penso
se realmente as pessoas falam sério. Mas o que importa se a vida
não é nada séria. Na verdade, pergunto-me por vezes
se Deus não morre de rir ao ver suas marionetes se questionando.
Livre arbítrio e consciência, não é uma mistura
fantástica?
Devo confessar que ando meio amarga
esses dias, mas para que fingir que tudo está bem, que o final sempre
será feliz? Creio que não... e para muitos o final já
chegou sem sequer se darem conta. Não vivem mais, apenas sobrevivem,
já que a alma está morta.
Quanto a mim, penso que tudo o que
resta de bom neste mundo é a música... preenche todos os
espaços, entra pelos poros, faz você ainda conseguir sonhar
em tempos em que se sonhar pode custar caro.
Fora isto, meu caro amigo, não
se iluda e nem tenha esperanças em vão. A vida pode ser bela,
mas para a maioria é trágica. Só nós resta
percorrer a estrada e torcer para que pessoas cruzem conosco... pessoas
que nos entendam e se deixem entender. Pessoas que não julguem,
ou que como diria Camus, sejam juízes-penitentes... a queda é
inevitável. |