Theo
e Isabel
por
Marcelo Damaso
madamaso@terra.com.br
Theodoro fez apenas uma carreira de
cocaína sob a pele alva de Isabel. Pouco acima da pélvis
recém-depilada. Ele colocou o canudo na narina esquerda e cheirou
a droga que entrou em sua cabeça provocando mais ainda aquela saga
subversiva que começara na aula de macro-economia, da turma do quarto
ano no bloco F.
Isabel despertava a libido de todos
quando mostrava a marca de seu biquíni nas costas nuas e vermelhas.
Quem havia comido ela depois de cheirar também, foi o Camilo. Por
isso Theo já sabia como utilizar a garota para seus interesses pornô-sádicos.
Ele ainda não tinha penetrado-a com o pênis. Ela parecia gostar
mais, e interrompia os rituais para dar um tiro. Ela pedia "vai, coloca
essa rola em mim!". Theodoro ousava brincar com a vagabunda junkie que
trocava sua buceta por drogas. Ele achava que fazendo aquilo, Isabel ia
entrar na dele e ia querer sempre transar. Camilo contou que ela passou
a ignora-lo depois que ele quis transar careta com ela, propondo um amor
mais genuíno. "Essa garota não vale nada Theo, desencana
e manda essa vadia pra bem longe!", foi o que Camilo falou quando Theo
havia lhe falado que ela estava mandando bilhetes para ele no meio da aula
do professor Chagas, de macro-economia. "Nunca vi menina de economia cheirar
e trepar como ela, essa mina não existe Theo", as palavras de despeito
tentavam desencoraja-lo. Mas Theo sabia como Camilo reagia ao ser repelido.
Mas o fato é que nosso herói estava ali, com a garota mais
exuberante de seu bloco na faculdade, deitada nua sob as luzes fortes do
motel que ficava bem afastado da cidade. Camilo já sabia disso,
Theodoro saiu com ela do bar do Miguel sob os olhares atenciosos do amigo.
Assim como Sabrina, amiga de Isabel, também sabia, pois estava no
bar acompanhada das outras comparsas do adultério infanto-juvenil.
Theo agora vê Isabel de bruços
utilizando o espelho que ficava na borda da cama redonda. Observa a bunda
dela e, sem mais delonga, enfia tudo o que pode. Ela grita e começa
a gemer de prazer. Ele não fecha os olhos em nenhum momento, pois
está sem acreditar na cena que presenciava pelo espelho do teto,
da frente e dos lados. Isabel finalmente estava recebendo dele. Logo ele,
aquele cara pacato que andava cercado dos mais caretas da faculdade, com
exceção do Camilo, lógico. Logo ele, o rapaz que assistia
a todas as aulas e se obrigava a tirar notas boas no curso que sempre detestou.
Logo ele... Sem parar de estocar, ele tenta colocar a chave dentro do pacote
e cheirar em pleno movimento, quando Isabel vira e pergunta:
-O que você ta fazendo?
Ele não responde e cessa
os movimentos. Isabel estava com uma garapa de sangue escorrendo do nariz.
- Puta merda, o que é isso
Isabela?
- Isabela o caralho! Meu nome é
Isabel porra!
- Ok, me desculpa, apenas coloquei
uma vogal, mas teu nariz ta sangrando demais, você já viu?
- Meu Deus! O que está acontecendo?
Theo, nosso herói, agora
dono de uma ereção desmanchada, vai ao banheiro pegar papel
higiênico para limpar seu rosto.
- Papel higiênico? Poxa, não
tinha algo mais macio?
- Tem sim, as toalhas, mas se manchar
de sangue tem que pagar, aí você já viu né?
Como é motel, eles vão cobrar muito caro e...
- Porra Leo!
- É Theo, de Theodoro, meu
nome...
- Enfim, que seja, volta lá
e pega essas toalhas pra mim.
- Caralho, você manchou o lençol
também!
Nesse momento a garota não
falou mais nada. Pegou sua calcinha e foi ao banheiro. Theo tirou
o lençol da cama e jogou no chão. Deitou sob o colchão
de estofado em couro e acendeu um cigarro. A menina grita do banheiro:
- Não vai acabar com esse pó
ai sozinho viu?
Sem acreditar, Theodoro dá
um tiro pra derreter seu cérebro. Seu espírito parece ter
dado lugar a um espírito de velho índio caçador. Foi
ao banheiro, deu um chute na porta e já apareceu de pau duro pra
Isabel que estava lavando seu nariz na pia. Aproveitou que ela estava naquela
posição e começo ali mesmo a proferir estocadas em
sua bunda branca
- Você ainda quer meu pó?
Então deve querer a minha pica também.
E a cada movimento Theo se surpreendia
mais com as atitudes bárbaras de Isabel. Ela gritava alto de prazer,
e seu nariz sangrando um pouco. Theodoro só chegou a se incomodar
com o sangue que ele escorreu do nariz para os seios. Ele, sem parar, colocou
a mão na torneira, que ainda estava ligada, e passou a limpar os
seios de sua colega de macro-economia. Ele goza minutos depois interrompendo
o ato de luxúria.
Deitados novamente sob o colchão
desnudado. Os dois fumam cigarros e assistem ao Jô Soares na tv do
quarto. Sem rir muito do apresentador eles se olham. Ela sorri, o sangue
já havia estancado. Ele dá um trago no cigarro e sorri também.
Pura cumplicidade. Nenhum dos dois sabia de tal potencial para superar
situações absurdas como aquela. Isabel é a primeira
a falar:
- Você deveria ser um herói
do prazer.
Nada como se estancar o sangue com
estocadas. Risadas travadas e desordenadas emudecendo o gordo da tv que
já estava entrevistando uma modelo famosa.
- Ele deve estar dando em cima dessa
mina.
Theodoro fala, já com Isabel
deitada em seu ombro na cama.
- Quer saber? Eu daria pra esse cara.
- Sério? Porque?
- Ah, sei lá, ele é
famoso e deve cheirar muito também.
- Você ta maluca que o Jô
Soares cheira cocaína!
- Ué, porque não?
- Meu, esse é o mal das pessoas,
querem descontar suas fraquezas em qualquer um. Igual viado, se um cara
se assume aí resolve sair dizendo por aí que todo mundo é
viado.
- Ah, mas viado é diferente,
sei lá. Porque você acha que o Jô não cheira?
- Lógico que não!
- Tá bom, mas será
que já dá pra eu continuar colocando pra dentro?
- O quê?
- A Cocaína, seu bobo!
- Não dá não,
arrebentou artéria aí dentro pô!
- Que merda! Qual a graça
ter droga e não poder usar?
- Porque? Você sempre que tem
usa tudo?
- Não, mas eu nunca transo
se não tiver cocaína.
- Como assim nunca?
- Ah Theo, eu gosto de prazer em
alta velocidade.
- Então ta, vou te mostrar
outra forma de prazer em alta velocidade.
Theodoro, o herói junkie e
chupador, abriu as pernas de Isabel e iniciou outra incursão oral
gruta adentro. Isabel finalmente gozava sem cocaína. Ela não
acreditava e beijou a boca que a proporcionou tanto prazer. Theodoro estava,
acima de tudo, lisonjeado. Encontrou na parceira de drogas, de gozo e de
macro-economia, uma pessoa perfeita onde ele poderia exorcizar seus traumas.
A brochada que ele deu certa vez com uma garota deixou marcas profundas
em seu ego. Mas até essa noite. Nessa noite Theodoro virou Theo,
o herói das línguas e narinas. Foi essa a fama que ele recebeu
em todo o bloco F. Camilo agora andava orgulhoso ao lado do amigo que recebera
o medalhão de ouro na categoria subversão.
Mais tarde, Camilo e Sabrina vieram
a ser padrinhos do casamento de Theo e Isabel, que dura até hoje.
Suas duas filhinhas, a Carolina de 10, e Isadora de 8, recebem instruções
dos pais para se afastarem das drogas, inclusive as que o casal guarda
no cômodo da sala de jantar.
FIM
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