Sexta-feira
por
Renata Gonçalves
Ela pára no parapeito da varanda
e olha vagamente para o chão. Os pés já estão
posicionados para o lado de fora. Tudo está quieto demais para uma
sexta-feira e a lua continua brilhando no céu. Se ela se jogasse
o que mudaria no mundo? E se desistisse alguém ficaria feliz? Alguns
cachorros latem, brincam e o seu namorado pergunta o que ela pretende com
aquela cena.
-Bem, na verdade não é
uma cena porque eu não sou atriz, ela responde.
-Ah, então o que isso significa?
Você pretende se jogar ou quer só chamar a atenção?
Passam-se alguns minutos, ele vai
e volta, ela fica em pé no parapeito e senta e a cena se repete
durante algum tempo sem que nenhuma palavra fosse trocada.
Não, ela não queria
chamar a atenção. Morrer? Talvez... por um instante ela teve
a sensação de flutuar antes de atingir o chão. Mas
não teve coragem e depois de balançar as pernas e sentir
o ar fresco da madrugada, calmamente deixou a varanda, chegou à
sala e sentou como se nada houvesse acontecido. Mas o namorado dela era
muito curioso e queria saber a todo custo o que se passava na cabeça
dela.
-como responder se eu não
sei, pensou ela. E instantes mudos se passaram. Ela disse qualquer coisa
para encerrar o assunto e foi dormir com a sensação de que
realmente havia flutuado....talvez em seu sonho tenha realmente alcançado
as nuvens e fumado um cigarro lá do alto vendo as pessoas como formigas.
Centenas, milhares, milhões de formigas trabalhando, ordenando e
querendo saber da vida das outras. Tudo isso parece tão cansativo
que se ela pudesse permaneceria horas entre as nuvens- só observando.
Talvez um anjo viesse conversar com ela ou então ela escutaria o
barulho das harpas e esqueceria de onde veio e para onde terá de
voltar. Mas os sonhos sempre acabam e na manhã seguinte o despertador
tocou e ela foi trabalhar, como uma formiga em plantão.
Olhos
jovens
por
Renata Gonçalves
Vendo as pessoas
paradas, elas parecem todas iguais.
Nascemos e
crescemos da mesma maneira, mas cada homem, cada mulher, cada um é
um universo próprio, cheio de inquietações, de dúvidas
e expectativas, de medo e amor.
Temos vontade
de fazer tudo e nada ao mesmo tempo. Queremos o mundo agora neste momento.
No amanhã,
pensamos às vezes, mas preferimos guarda-lo no fundo dos nossos
jovens corações. Talvez por covardia, afinal, quem nos assegura
que haverá um amanhã?
Somos seguros
e inseguros ao mesmo tempo. Somos alegres e tristes. Somos poetas e vivos!!!
Às vezes,
achamos que somos egoístas, individualistas, mas a grande verdade
é que só queremos esquecer os problemas, as dificuldades,
toda a dor.
Só queremos
amar e ser amados. Queremos que compreendam isso e não julguem,
descriminem.
Queremos ser
livres, ter a liberdade de expressão e de ação, porque
queremos ser apenas nós mesmos.
O que pedimos
é que entendam isso, que vejam o mundo com os olhos da descoberta,
da paixão. Porque nosso momento é esse e não queremos
e nem podemos esperar por um amanhã.
Hoje, queremos
apenas viver.... vivendo e sorrindo.... com a boca, com os olhos, com a
alma.
"Refúgio"
"Um
dia cinzento" |