Para
alguém distante
por
Priscilla Fogiato
Você disse que não, mas
paixão é coisa de drogado, sim, paixão, paixonite,
é tudo uma merda. Mas eu quero mais é conhecer gente nova,
que me faça sentir de novo essas coisas todas, que faça tudo
isso valer à pena. E quer saber mais? Eu queria era publicar isso
em edital, tipo "A QUEM POSSA INTERESSAR". Um desafio. Vamos ver se alguém
me tira do marasmo. O prêmio parece interessante, don´t you
think? Posso garantir que fala inglês, arrisca um francês,
aprecia literatura e tem quatro tatuagens em locais estratégicos
a serem mordidos. Com força e urgência.
Se paixonite é gripe e paixão,
pneumonia, eu diria que meu caso era mais grave, e que fui mandada do hospital
pra casa por falta de leito disponível. Meu seguro saúde
não banca essa história. Nem tem reembolso pra certos remédios...
Não casei, não vou casar,
fugi de quem me amava - minha mãe vive dizendo que meu problema
é não querer ficar com quem quer ficar comigo - e agora tô
aqui, nessa em que ando te escrevendo em tão econômicas palavras.
Ainda sou clubber enquanto a saúde
permite, mas como ela e a memória não andam mais a mesma
e andam reclamando alguns cuidados, eu parei tudo e tô tentando cuidar
um pouco mais de mim. Mas queria mesmo é que alguém cuidasse.
De que adianta ter asas nesse mundo
se ninguém quer voar comigo?
De que adianta saber altas manobras
se ninguém se arrisca nos vôos ousados, que são os
meus preferidos?
Não vou falar sobre trabalho,
mesmo porque não há muito o que dizer. Não estou mais
me sentindo inútil, mas essa sensação, como todos
os sentimentos ultimamente, anda cada vez mais parecida com aquela música
do Lulu Santos: vai e vem em ondas.
Ainda gosto de "So Far Away", e também
de Charles Aznavour, mon cher, mas meus cds andam abandonados, juntando
poeira ainda na caixa de mudança. Eu quero deixar de ser Rob Fleming
nessa vida, e ouvir música não tem me ajudado nem um pouco
a crescer. Estar sem som no meu quarto também colabora para essa
teoria...
Não quero escrever, não
quero escrever. Escrever me coloca a pensar e eu não quero pensar.
Eu quero sentir! Eu quero sentir... Não escrever nem pensar, quero
produzir, ganhar dinheiro e ir viver minha vida, pra poder reclamar de
outras coisas depois. Não quero escrever nem pensar, nem ficar infeliz.
Eu não deixo ninguém
apaixonado, embora Aimeé Mann tenha me traduzido muito bem
como uma "goner", alguém que sempre vai embora. Eu é que
sempre insisto em fazer as pessoas erradas se apaixonarem por mim.
E pra quem não quer pensar,
já falei muito.
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