De como
um xis pode mudar sua vida
de
Maria Fernanda Baigur
mariafernanda59@hotmail.com
Aos dez nos de idade eu achava que
a Xuxa era minha mãe e eu queria ser arquiteta.
Aos doze já tinha superado
minha frustração de não ter nascido a Sacha e desenhava
o apartamento que iria ser meu aos dezoito.
Aos quinze, o namorado e os compromisos
fisico-socias não deixavam sobrar muito tempo para os desenhos....que
foram ficando cada vez mais para as últimas folhas do caderno de
alguma matéria chata.
Com dezessete tive que escolher. Os
desenhos? Não. Administracao de empresas.
Deve ter sido o lança perfume
que eu cheirava todo dia no banheiro do colegio, ou os baseados diários
no recreio. Mas eu não estava bebada, drogada ou com um 38 enfiado
na cabeça. Eu marquei um xizinho em Administração
em plena consciência. Aquele filho da puta daquele xis que eu achava
que iria decidir minha vida.
Tá certo. Tem gente que com
dezessete já sabe o que vai fazer pro resto da vida...mas eu...uhmmmm...
eu só queria saber de beber, me drogar e sair na night, inconscientemente,
a procura de alguém que fizesse aquele circo todo não ter
mais graça. Mas eu não quero falar da minha busca amorosa
que dura, conscientemente, até hoje.
Era Administração.
E era tudo o que eu não queria.
Aos dezoito, depois do primeiro semestre
da Puc e com bastante alcool nas veias, me dei conta que não tinha
um apartamento para decorar do meu jeito, não tinha um carro para
ir aonde eu quizesse, não era filha da Xuxa para ser chamada de
princesa e não desenhava mais nem um coracãozinho em um guardanapo.
O que eu estava fazendo?? Será
que eu passei todo esse tempo dopada?? Eu tinha que mudar aquele xis. Mudar
tudo, não era nada disso.
Incrivel foi a mudanca: Educação
Física com especialização em fisioterapia.
Eu ja não fumava há
meses, bebia pouco e quase não saia. Foi o periodo mais geração
saúde da minha vida. Aprendi até a pegar onda e tomar suco
de clorofila. Uau!!!
Mas, durante dois anos e meio de faculdade,
as palavras da minha real progenitora ecoavam dentro da minha cabeca: "E
melhor fazer ginastica pagando, do que sendo paga..."
E quando perguntavam: - O que sua
filha estuda? Ela respondia com o ar mais pejorativo do mundo: "Ginastica".
Pirei. Larguei tudo. Não aguentava
mais um dia naquela academia e nem mais uma aula na faculdade. Mandei tudo
pra merda. Estágio, alunos de personal, tese, tudo.
E aquí estou eu. Com vinte
anos, tentando voltar a desenhar.
Tratando de descobrir o que eu gosto,
buscando ser eu mesma.
Não quero me arrepender de
nada que eu fiz. Já foi. Já passou. O lance é, daqui
para frente, seguir marcando xis aonde meu coracao mandar.
Aos vinte anos...eu acho que minha
mãe sabe é minha mãe mesmo e sabe o que eu quero ser?
Feliz.
FIM
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