Maria Clara clareou 
por Renata Gonçalves

No começo era apenas um carocinho. 
Um pequenino ser. 
Sem rosto, sem corpo, sem nome. 

Depois, a barriga foi arredondando, 
Vieram os chutes e as cabeçadas. 
Era a própria revolução e dentro da minha barriga! 
Alguns meses depois, era minha filhinha. 

Passava as tardes imaginando seu rosto, sua boca, suas covinhas. 
Como seria seu cabelo? Seus olhos? Sua vida? 
Será que eu estava pronta para ela? 

Maria Clara. 
Ela parecia não se importar se eu estava pronta ou não. 
Seguia fazendo a parte dela... 
crescendo, tomando conta de mim. 

Quando me dei conta, não havia mais espaço. 
Na minha barriga, no meu mundo, no meu coração. 
E ela continuava, clareando, chacoalhando, louca para sair. 

No final, sentia medo de ter de dividi-la com o mundo. 
Nove meses, filha, todinhos para mim. 
Agora, o mundo é seu e você é do mundo. 
Seja bem-vinda!