Hold
me thrill me kiss me kill me
de
Priscilla Fogiato

Como uma ferida que nunca se fecha.
Pior: está sempre sangrando, manchando roupas, deixando o cheiro
adocicado e metálico de sangue no ar. Como se todo meu corpo flutuasse
por algum espaço e de repente ela ficasse exposta, sem aviso. Como
ouvir qualquer música, ver fotos ou o pôr do sol. De repente
ela começa a arder novamente. Pulsando, latejando.
Nunca sei o que fazer.
O tubarão mastiga as conexões
sem parar – o cérebro pára nos nós para se alimentar.
Quanto mais penso, mais quero achar a solução, encontrar,
entender, falar. Lembro de algumas coisas insuspeitáveis, penso
em atirar outras pela janela e sofro por cada página do livro que
não foi lida.
Ela sangra.
Alguém pergunta se me machuquei,
o que há. Como dizer? “Olha, eu tive um grande amor que foi embora”.
Não liga, não, eu amo você. Mas ainda dói, é
isso. Ainda dói.
Delírios febris, noites em
claro. O cérebro não dorme, sonha. Tenho medo do que ele
traz: um grito no meio da noite, o nome errado, lágrimas sem justificativa.
Já não sofro pelo que perdi, mas pelo que deixo de ter. Não
sei se voltaria atrás, mas essa conclusão... Essa conclusão?
Me escapa antes que eu possa toma-la como verdadeira.
Você ainda tem a arma na mão?
Você ainda tem o punhal?
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