Eterno Retorno ou A Volta Dos Que Não Foram 
por Priscilla Fogiato

Ela viu nos olhos dele.
 Ela viu quando eles passaram pelo seu pescoço e não encontraram a mesma corrente com pingente de coração, presente de Natal. E ele pensou – então ela tem outro. Ele é astuto, deu outra corrente. E quer o lugar que é meu. Talvez ela seja feliz – pensou. Talvez esteja bem.

Mas ele não reparou nas mãos que tremiam, nos gestos inseguros, no olhar atento, nos olhos que brilhavam. Ele não reparou que ela mal falou sobre si mesma.

Talvez eu não deva dizer nada, temeu. Talvez seja a hora errada, talvez ela nem me queira mais. Então ele disse que estava confuso.

What’s the hell do I have with it?  - ela quis gritar. Seu coração não deixou.

Ela pensava as mesmas coisas. Ela pensava igual. Ele mal falou sobre si. Talvez esteja feliz, talvez esteja bem. Ele não a convidou para entrar. Talvez (ele) esteja na defensiva. Talvez pense que possamos ser amigos.

Ela se surpreendeu com traços da letra dele. Ele estranhou o perfume novo. Ele pensou na correntinha e se sentiu inútil – tarde demais. Ela guardou detalhes como os tapinhas nas costas na hora do abraço, as frases em outra língua que não entendia, os olhos, que diziam mais do que ele desejava. Ela não sabia mais se ele havia ficado feliz em vê-la. Achou que era imaginação, que ele não a queria mais.

Ela tinha certeza de que não deveria dizer nada. Apesar da vontade de sair correndo. Ela teve vontade de beijá-lo e pensou em traição. A idéia fugiu rápido.

 Eles se olharam por segundos. Eternos.

Ela pensou enxergar algo nos olhos dele. Pensou que ele gostaria de dizer algo. Ele esperou que ela dissesse. Ela disse “tchau, até logo”. Ele foi embora. Ela foi embora. E a noite ficou vazia.