O derramar da noite
de Marcelo SIlva Costa

A noite despeja sobre mim saudade
e eu vou caminhando ao acaso,
à vontade,
vou vagando abandonado
por entre a chuva suave que cai na cidade.
 

A noite despeja sobre mim cerveja
e eu encontro um castelo,
acendo um incenso 
e escrevo minhas odes pequenas,
narro as minhas incertezas
e bebo todos os venenos:
a noite despeja sobre mim desejos...
 

A noite despeja sobre mim uma estrela
e nas contas do homem de negócios 
ainda existem quinhentos e um milhões
seiscentos e vinte e duas mil
setecentos e trinta estrelas a cair 
e eu só espero que até a última
seja atendido o meu pedido de ser feliz...
 

A noite despeja sobre mim saudade
e se eu soubesse onde encontrar minha metade
não terminaria esse poema tão assustado com  fantasmas...