Circus of heaven
por Renata Gonçalves

Dias estranhos, noites longas e infinitas...sonhos que vem e vão. Olho pela varanda, na verdade, sento no parapeito e fico por alguns minutos olhando ora o chão, ora a lua. Não sei o que se passa pela minha cabeça, mas desço algum tempo depois e coloco Yes no CD. De repente, uma paz instantânea invade a minha alma e penso no que há de bom na vida. É verdade que são poucas coisas, mas Yes com certeza é uma delas. Escrever que o amor contamina tudo o que faço não é para qualquer um. Nem falar do dia em que o circo do céu chega a Terra. Bem, certamente o céu deve se parecer com um circo e o inferno não deve ser tão incandescente como nos conta Dante. Se bem que se ir para o inferno significa encontrar Aristóteles, Plutão e outras figuras histórias deve haver algo aí de relevante. Mas na verdade, religiões e misticismo à parte, entre céu e inferno deve haver uma sutil diferença, assim como acontece aqui na Terra. Ou será aqui o verdadeiro inferno, porque com certeza o céu não é. Bom, algumas pessoas parecem anjos mas devem ser anjos caídos, tal como Lúcifer. E a grande maioria não passa de diabinhos querendo o seu sangue a qualquer custo. E é difícil resistir à tentação, ou separar o que é bom do que parece ruim. Mas lembrando mais uma figura extraordinária, Oscar Wilde, já previa no século passado que as pessoas não são boas ou más e sim fascinantes ou entediantes. E convenhamos não há quase nada pior do que o tédio. Ficar aí parado esperando que as coisas aconteçam. Bem há alguns anos algumas coisas não acontecem, os políticos continuam os mesmos, a miséria idem e os ricos ainda acreditam que estão a salvo do perigo dentro dos seus carros blindados. Ah, a música mudou, é claro que Ozzy Osbourne não é o mesmo da época de Black Sabbath. Mas no fundo as pessoas pouco mudam, tiram um pouco a máscara, trocam a fantasia, mas a essência continua a mesma. E com todo o respeito a Jon Anderson acho que ainda levará um bom tempo para anjos dançarem na rua e um novo mundo ser encontrado.


"Refúgio"
"Um dia cinzento"