Velhas Botas
 

Minhas velhas botas estão cobertas de pó,
vermelhas, descansam ao lado da cama,
andei tanto e agora penso que é hora de parar,
dar um tempo nas mudanças, nas andanças,
criar filhos, cachorros, orquídeas, sei lá.

Minhas velhas botas me olham, me pedem caminhos,
léguas mil, tento sossegá-las com meu olhar,
não adianta, são botas
e botas nasceram para caminhar.


Poema que abre o livro Letras de Fúria, do poeta Augusto Capucho (guto_capucho@easygold.com.br), lançado pela Cooperativa dos Autores Honestos, em 1999.