Smiley, power pop na baixista santista
por Marcelo Damaso
madamaso@terra.com.br

Santos, a cidade litorânea conhecida por acolher grande número de aposentados, praias poluídas, putas, paulistanos no fim de semana, bandas de hardcore e temperatura elevadíssima no verão, também já pode ser vista com uma cena emergida no ano passado, na formação de um pequeno, mas novo, cenário do pop nacional contemporâneo. E neste caso específico, um Power Popzinho de qualidade.

Na absorta cena rocker da cidade, onde o hardcore com toques funk toma conta e impregna (leia-se Charlie Brown Jr), o espaço para bandas com outras propostas é estupidamente reduzido. Nesse vácuo de área, surgiu o Smiley, em 1999, banda formada por cinco jornalistas, cada um saído de uma banda. 

O velho e bom começo de toda e qualquer banda: uniram seus gostos em comum (no caso, Beatles, Beach Boys, Teenage Fanclub, Lemonheads e Big Star) e começaram a compor. As músicas tomaram uma identidade própria, que caracteriza a banda com guitarras bem tocadas, violão, backing vocais trabalhados e letras reverenciando o cotidiano, desilusões afetivas, estratégias de aproximação e todo o panfletarismo romântico que o pop (ainda bem!) insiste em nos dar. Logo de cara, o diferencial da banda fica mais por conta de sua formação, onde ao invés de duas guitarras, a base é feita pelo violão. 

Após desestímulos e voltas, fizeram um show na cidade junto ao Pullovers, onde visavam "definir melhor os rumos da banda". Mas a reação das (poucas) pessoas foi inesperada e despertou nos caras à vontade de manter o sonho e prosseguir incisivamente com a banda. As músicas primeiro eram em inglês, mas logo depois passaram a ser cantadas em português numa mudança infinitamente melhor. 

Leandro Saueia, vocalista da banda diz que "rolava um receio de cantar em português, pois esse público não admitia. Com o Astromato e as bandas do sul essa percepção mudou. O Astromato mostrou que esse tipo de som pode ser cantado em português, sem que fique parecido com Legião Urbana, e o público gostar. As bandas do sul colocaram o mesmo público que escuta Ride e Jon Spencer Blues Explosion para cantar junto com eles. Então para nós começou a fazer sentido de novo cantar em português". 

Tão boa foi a mudança, que os caminhos foram se abrindo a partir daí. Com um single de quatro músicas lançado de forma independente, e também disponibilizado no site deles, a banda seguiu novos rumos e foi chamada pra tocar em outras cidades, ampliando seus horizontes. Abençoados pelo site Senhor F, o Smiley participou de um festival em Florianópolis em janeiro desse ano e recebeu ótimas criticas. Inclusive os apelidando de "O Teenage Fanclub brasileiro".

Foram convidados para tocar num festival em Porto Alegre em maio, e o disco deles está para sair a qualquer momento. O ano de 2002 parece ser decisivo para a banda.

Junto ao Drosophila (www.drosophila.cjb.net), a cena da baixada santista está se solidificando, mas ainda em estado incipiente. Muitas bandas passaram a ganhar mais espaço na cidade e o Smiley recebe enorme crédito sobre isso. "Hoje em dia a gente recebe e-mail de banda nova pedindo apoio. Graças a nós e o Drosophila, uma cena nova está surgindo aqui", completa Leandro. Santos, que já foi lembrada como a Seattle brasileira, hoje abriga um estilo que merece a atenção de todos os ouvidos, mesmo os desavisados, e desponta para uma categoria que parece estar recebendo uma carga de qualidade, o Power Pop.

http://www.popsmiley.cjb.net