Quatro Letras, George Israel 14/02/2005 George Israel, pra quem não lembra, é o saxofonista do Kid Abelha. Para todos aqueles que tiveram arrepios, um alerta: Quatro Letras é um disco bom. Divido com muitos o desgosto do uso de sax na música pop (com raríssimas exceções). Por outro lado, admiro o pop redondo do Kid Abelha, que deixou a desejar apenas em seu último álbum de estúdio, Surf. A vocalista Paula Toller já tinha arriscado vôo solo em 1998 com um excelente disco apoiado em sambas clássicos como E o Mundo Não Se Acabou, Onde Está a Honestidade e, principalmente, a maravilhosa Cantar. Israel, por sua vez, optou por um repertório totalmente inédito em sua estréia solo, que se apóia em letras de Alvin L, Arnaldo Antunes, Cazuza e Dulce Quental, entre outros, além de participações especiais de um "time de estrelas" do rock nacional, indo dos Barões Frejat, Mauricio Barros e Rodrigo Santos, passando pelo trio paralamico, pelo ex-mutante Sergio Dias, por Lulu Santos, pelo parceiro Bruno Fortunato, Flávio Guimarães, Cris Braun e a novata Bhianca Jordan (tocando theremin). Quatro Letras tem produção impecável e a voz de Israel não compromete em um álbum de várias boas músicas. Das três parcerias do músico com Cazuza, a faixa título se destaca. Hoje é um rascunho de Cúmplice, do primeiro disco solo de Cazuza (até repete alguns versos), e Não Reclama é apenas mediana. No entanto, George Israel assina sozinho a bonita balada Por Trás Desses Olhos Verdes, com um bom arranjo de cordas por Lincoln Olivetti (que faz o mesmo em outras três músicas), e o bom pop rock Abra o Molho, além de dividir com Arnaldo Antunes a melhor música do disco, Nós. Lançado de forma independente, pelo selo Siri Music, e distribuído pela Universal, Quatro Letras é um disco que surpreende pela qualidade de produção, na medida, sem exageros. Pop rock bem feito e bem tocado. Por Marcelo Costa |