Lifeblood, Manic Street Preachers 15/03/2005 Na faixa de abertura de Lifeblood, 1985, o vocalista James Dean Bradfield canta em primeira pessoa a história de um adolescente que descobriu sua voz em 1985. Um rapaz que descobriu o ceticismo de Nietzsche, as canções dos Smiths e percebeu o poder de sua rebeldia. O instrumental da música segue a linha nostálgica da letra. Não fosse pela voz super característica de Bradfield, algum desavisado poderia acreditar que se trata de uma faixa perdida do New Order. A música seguinte, The Love Of Richard Nixon lembra algo de um dos primeiros trabalhos do Duran Duran. E assim são as outras canções. Em seu sétimo álbum, o trio galês esqueceu de vez seu passado hard rock e busca na década de 80 o combustível para seu som. Esta estética oitentista na sonoridade da banda se faz presente através de sintetizadores, efeitos nas vozes, teclados etéreos. Os riffs de To Repel Ghosts e Empty Souls possuem efeitos dignos do pós-punk, enquanto A Song For Departure é tecnopop puro. Lifeblood traz uma consistência não vista (ouvida) em um disco dos MSP desde os excelentes The Holy Bible (1994) e Everything Must Go (1996). Uma de suas principais qualidades, inclusive, é sua curta duração (45 minutos). Quem lembra do irregular e interminável Know Your Enemy deve concordar. Always Never é a música que mais remete ao som grandioso de Everything Must Go. E, ainda no passado, a balada I Live To Fall Asleep parece uma homenagem ao ex-guitarrista Richey James, desaparecido há dez anos. Lifeblood é pop redondinho e despretensioso. Despretensioso musicalmente, diga-se. Porque os temas das letras continuam sendo os típicos do trio. Revolução, política, alienação, socialismo (os caras até já tocaram em Cuba, para o Fidel), anti-imperialismo. Tudo aquilo que os Manics sempre pregaram está explícito em títulos (Glasnost e The Love Of Richard Nixon) e letras. Em Empty Souls, James canta frases como "exposed to a truth we don’t know/collapsing like the Twin Towers". Não sei, ainda acho que seria mais fácil dominar o mundo com os refrãos bacanas do que com a postura engajada. Por Jonas Lopes Yer Blues |