Azure Ray
por Cleber da Silva
leonardo.vinhas@bol.com.br

O nome é Azure Ray, traduzindo fica algo como raio azul celeste. E só isso já explicaria bem o som dessas meninas... muita melodia, lindos vocais... aquela combinação fatal cujo intuito maior parece ser derreter o coração de qualquer um.

Possivelmente o nome Azure Ray não lhe seja completamente estranho. Se você é fã do Moby fica mais fácil. É que elas fazem os vocais da faixa "Great Escape", uma das mais belas canções do albúm "18" e até estão acompanhando o DJ em alguns shows de sua turnê norte-americana. 

Na realidade não é uma banda, e sim uma dupla formada por Maria Taylor e Orenda Fink. Elas são da discreta cidade de Athens no estado da Georgia, berço de bandas magistrais como o R.E.M. e o B-52's. 

Orenda e Maria já tocaram juntas em outros grupos, mas hoje gravam por um pequeno selo local, o Warm Records, e já tem lançados, em sua curta carreira, dois discos e um EP.

O CD de estréia leva o próprio nome da dupla. Lançado no começo do ano passado, o álbum foi solenemente ignorado, o que de forma alguma tem a ver com a qualidade do trabalho. Se a repercução foi mínima lá fora, aqui no Brasil esta talvez seja a única vez que você vai ler alguma coisa sobre ele, mas a beleza das canções merece esse texto. 

É claro que, analisando, a delicadeza do "Azure Ray" não calha com o título de  "the next big thing" do rock que toda a critica mundial está procurando. Suas canções são de extrema beleza e sutileza, todas seguinda a mesma linha de lindas melodias, sempre com uma instrumentação simples, porém elegantes - algumas vezes só com um violão dedilhado ou um piano.  As letras são introspectivas, carregadas de tristeza e melancolia, e, sobre tudo isso, os doces e sutis vocais dão um brilho todo especial a esse raio azul celeste (são, sem exagero, duas das mais bonitas vozes da atualidade).

"Azure Ray", o disco, é belo e triste. Os dois adjetivos estão sempre presentes na música do duo, como uma combinação perfeita. É fácil reconhecer a tristeza na letra da bela e simples balada de violão "For no one", em que elas cantam  "I love no one/ and now no one love me". 

"Another week" também acena melancolina com os versos "he makes me lonely / when he comes down / I try for years / to beat this one down", assim como os vocais de "How will you survive" ou o violino de fundo da arrepiante "Displaced". 

A beleza transpira da primeira a última música... seja na porthsheadiniana "Don’t make a sound" (com aquele climão bem sombril), seja nas guitarras mínimas de "Sleep" e "Rise" (as duas com uma levada mais pop, lembrando o som de bandas como Pinback e Park Avenue Music), seja nas baladas de violão como "Save and Sound", seja na ingenuidade  de "4th July", ou na já sitada "Another Week" ( só o duo de vozes e um piano de fundo ) e na levada alt-country da faixa "Fever".

Dfícil não se emocionar. 

O duo acaba de lançar o segundo álbum, "Burny and Shiver". É claro que nenhum dos dois foi lançado no Brasil e, provavelmente, nunca embelezem nossas prateleiras. Mas se você está procurando música que emocione, "Azure Ray" é a dica. Anote e ouça. Vale a pena.