Punk
e hard rock dos anos 70 norteiam o TSAR
por Rodrigo
Seabra
rseabra@hotmail.com

Dizer, hoje,
que determinada banda toca um rock tipicamente adolescente soa como uma
ofensa ao músico. Afinal, o que era antes considerado uma autêntica
manifestação de rebeldia tornou-se música comercial
e sem criatividade, feita apenas para chamar a atenção, como
demonstram Blink 182, Bloodhound Gang e tantos outros.
Entretanto,
o primeiro disco do Tsar, um quarteto de Los Angeles formado em
1998, traz exatamente isso e, surpresa, não estaciona na tal superficialidade.
Os garotos Jeff Whalen (vocais e guitarra-base), Daniel Kern (guitarra
solo e vocais), Jeff Solomon (baixo) e Steve Coulter (bateria) souberam
resgatar o hard rock e o punk de espírito simples e divertido dos
anos 70 e trazê-los para o novo século com ares de música
pop.
Segundo o vocalista
Whalen, as músicas do Tsar têm a intenção de
acordar o espírito libertário e revolucionário de
cada pessoa e de mostrar para quem está começando a vida
que tudo é possível. O CD (homônimo) da banda é
carregado de letras de apelo adolescente, sem qualquer pretensão
poética, artística ou política, a não ser a
de invocar a rebeldia essencial do jovem.
Falam de amores
perdidos ('I don't wanna break-up'), da vontade de desaparecer que
às vezes bate quando estamos tristes ('Disappear') e da dificuldade
de se amar uma menininha ordinária que te esnoba, apesar de você
ser um cara legal ('Ordinary Girl'), entre outros dramas adolescentes.
Quer dizer, em princípio, o Tsar aparece como mais uma banda neo-punk
qualquer, como o Green Day e o Offspring. A diferença entre eles
está na parte que realmente importa, ou seja, na música.
As faixas desse
primeiro CD embalam a energia e a atitude das bandas atuais em um instrumental
que lembra os primeiros anos do Ziggy Stardust, de David Bowie, mas com
uma roupagem moderna e vocais afeminados à moda do Placebo. Percebe-se
um ponto em comum? Sim, Jeff Whalen é um andrógino para californiano
nenhum botar defeito. Apesar disso, não são praticantes de
um novo glam rock, que outrora celebrizou os homens com cara de mulher.
O som da banda
puxa mesmo para a tal proposta punk, vide os riffs da guitarra de Dan Kern.
O que separa o Tsar do cenário atual é uma noção
muito boa de como elaborar uma melodia rock'n'roll, como comprovam 'Calling
All Destroyers', 'MONoSTEReo', 'Kathy Fong is The Bomb'
e todas as outras.
Ao promover
essa mistura - inseparável - de atual e antigo, os rapazes saíram-se
melhor que a maioria dos new rockers, a nova geração do rock
de boutique. Assim como eles, também tocam alto (muito alto!), mas,
ao mesmo tempo, conseguem ser grudentos no ouvido sem chatear. Nada que
vá ficar para a história, pois o som não deixa de
ser descartável, feito para o rádio. O Tsar pode até
não tocar muito por aí, como Smash Mouth ou Sugar Ray, mas,
com certeza, é algo um passo à frente (ou para trás?)
da 'rebeldia' enjoativa das FMs.

|