Textículos
de Mary - Entrevista
por
Viviane
Menezes e Tathianna Nunes
fotos de Abelardo
Mendes Jr

Nascidos da uma mutação
dos testículos da travesti Mary, os três integrantes que se
revesam no vocal da Textículos de Mary, habitam em uma realidade
paralela e são os representantes dos marginalizados. Essa historinha
foi criada pela banda para dar um verniz lendário de como ela surgiu.
Na verdade, o Textículos de
Mary, que é uma das mais novas revelações do Rock
pernambucano, é fruto de uma brincadeira. Os nove integrantes queriam
se divertir e resolveram montar um grupo irreverente que desse abertura
para todos os tipos de brincadeiras possíveis. O grupo possui três
vocalistas: Fabinho (Chupeta), Henrique (Lollypop) e Tony (O Sielene
Lapadinha) e a banda D'As Cachorra, Lícia (Pixota), Nado (Loiranegra),
Adriano (Bambi), Rafael (Dúbia Keitesuelen), Carlinhos (Scarlet
Cavalêra) e Caio ( Kaiadroga).
Com influência de gente como
Velvet
Underground, David Bowie, New York Dolls, os Textículos de Mary
fazem um punk misturado com música brega, essa é a segunda
maior característica da banda. A primeira claro, não poderia
deixar de ser, o estilo marcante de suas roupas e performances extravagantes.
Suas letras escrachadas e explícitas
merecem um capítulo a parte. Um universo inteiro de travestis e
crimes passionais cria vida nas músicas barulhentas do Textículos.
A banda, que em apresentações ao vivo, exagera ao máximo
no figurino, tem uma performance teatral ao extremo, digna de um Zé
Celso Martines absurdamente intensificado.
Há um ano atrás, CD-demo
nem pensar, os Textículos ainda estavam no tempo da fita cassete.
Em formato digital, apenas disputadíssimos dez disquinhos traziam
seu primeiro registro em estúdio. Hoje, os Textículos gravaram
um álbum independente pelo selo DECKdisc.
O Pré-lançamento foi
feito em grande estilo no Abril Pro Rock 2002. "Cheque Girls", o nome do
suado trabalho, deve chegar as lojas brasileiras em maio. Músicas
como, "Charles Bronson's Song" e "Todinha Sua" (a famosa versão
gay de "She-Ra": "porque eu sou bicha/ me apresenta pro He-Man/ seu irmãozinho
é uma gracinha/ e eu sou todinha do bem") estão na ponta
da língua do público, apesar das poucas oportunidades que
a banda tem de se apresentar.
Confira abaixo a entrevista que Viviane
Menezes e Tathianna Nunes realizaram a pedido da Scream and Yell, um dia
após a apresentação da banda no Abril Pro Rock 2002.
O porta voz da banda foi um dos vocalistas, Fabinho, que também
atende pela alcunha de Chupeta.
Scream and
Yell: Fale um pouco sobre o surgimento da Texticulos de Mary?
Fabinho: Fora a historinha fictícia
em torno do surgimento da banda, a Texticulos surgiu mesmo quando Nado,
o percussionista, começou a namorar com a minha mãe (risos).
Nós tínhamos algumas coisas, tipo letras e melodias, mas
nada muito sério. Depois eu, Karen, Henrique, Nado e Adriano começamos
a fazer shows, essa seria a primeira formação que era constituída
de teclado, percussão e guitarra. Os nossos primeiros shows foram
em festivais no Soparia, famoso bar daqui de Recife que fechou em 1998
e também em outros bares. Depois de algum tempo, os jornais daqui
da cidade começaram a trazer notícias sobre a banda. No ano
de 2000, Guti, idealizador do Rec Beat, nos chamou para tocar no festival.
Agora para um grande público mesmo foi em 2001, no Abril Pro Rock
de Recife e de São Paulo e recentemente tocamos de novo no Abril
Pro Rock de 2002 apenas aqui no Recife.
S&Y-
Quais as principais influências musicais de vocês?
Fabinho: De tudo, assim da década
de 70 temos Velvet Underground, David Bowie, New York Dolls, o Punk em
geral, tanto inglês como o americano, nos anos 80 temos um pouco
do gótico, daquela parte sombria, da galera dos anos 90, temos Pixies,
o Sonic Youth. Nós somos uma salada de tudo (risos).
S&Y -
Como é o processo de criação das músicas? Quem
mais compõe?
Fabinho: A maioria das músicas
sou eu quem compõe. Geralmente eu levo a letra e a melodia básica,
daí, ou a gente mantém ou aprimora com o resto da banda.
Mas, é tudo bem dividido.
S&Y -
Como foi lançamento do primeiro trabalho, o "Cheque Girls", na semana
do Abril Pro Rock, 2002?
Fabinho: Foi bom, muito bom.
Na verdade foi um pré-lançamento. Trouxe uma boa repercussão
para a banda e estamos sendo procurados pela imprensa tanto daqui do Recife,
quanto do Brasil inteiro, e isso é muito legal. O disco mesmo só
sairá em maio, mas já está bem divulgado e com certeza
quando sair nas lojas já terá uma mídia bem preparada.
S&Y -
Fale sobre a produção de Rafael Ramos, ex-Baba Cósmica,
no "Cheque Girls". Como surgiu esse encontro?
Fabinho: Bom... ele nos viu pela primeira
vez na extinta Showbizz em 2000, uma matéria falando sobre o Rec
Beat. Quando nós fomos a São Paulo para o show no Abril Pro
Rock 2001, ele conseguiu falar com a gente na MTV, pois participamos do
programa Gordo a Go-Go... e aí ele passou a procurar a banda. Depois
de um tempo, ele entrou em contato com a gente por telefone e ficamos conversando
sobre a possibilidade de se fazer um disco. E... nós conversamos
muito a respeito de como queríamos o nosso trabalho, pedimos sugestões
a ele. E assim, ele conseguiu um resultado legal, pois Rafael escuta muito
rock e isso facilitou. Ele deixou o trabalho bem atualizado, porque mesmo
tendo essas influências antigas o nosso som é bastante atual,
procuramos isso, algo que seja bem nosso.
S&Y -
Por que a música a "A Vingança de Geyse Kelly", uma das músicas
mais pedidas no shows, não entrou no CD ?
Fabinho: Na verdade ela está
sendo guardada para o segundo CD. Esse primeiro disco nós dividimos
cronologicamente, pegamos as nossas primeiras músicas, as demos.
Este disco é mais estigado, mais rápido, punk mesmo. O outro
será mais cool. O "Cheque Girls" é psicopata o outro será
psicótico. (risos)
S&Y -
Como será feito a divulgação do disco, algum show
programado para Recife ou pelo resto do Brasil?
Fabinho: Isso ainda está sendo
engatilhado. Primeiramente, queremos divulgar nas rádios. Nós
sabemos que as nossas músicas tem algumas barreiras pelos temas
que tratamos, então estamos vendo como vamos trabalhar essa recepção.
A idéia é fazer primeiro shows fora de Recife, mais no eixo
Rio e São Paulo, já que o público daqui já
está acostumado com as nossas performances. Queremos fazer os shows
em locais pequenos, assim como foi feito no início aqui no Recife,
depois disso voltaremos para cá, Recife, e continuaremos o nosso
trabalho com shows e tudo mais.
Informações sobre a
Textículos de Mary
Fabinho: (81) 3432-6307
E-mail: txtmary@hotmail.com
Preço médio do Cd:
R$ 25,00
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