Superphones
pare e pense
por Carmela Toninelo

O universo central-urbano de Porto Alegre é sediado pelo comércio, marginalidade e lixo bizarro cortês que toca a alma. Todos vêem, mas nem todos ouvem.

Dentro de um exercício programado dos tímpanos com as pupilas, é de longe que você começa a fechar os olhos para ouvir o som que vem a distância. Já mais próximo, e com um volume mais alto, você esquece a visão e permanece somente com aquilo que te sensibiliza. Reverência ao britpop e ao indierock, mas unicidade faz com que, no oitavo andar de um prédio antiguérrimo algumas vezes por semana, cinco amigos se reunam para gerar aquilo que te consome e te toca. Música, própria de Foguinho (Marcus Vinícius) nos vocais, Sérgio Kalil e Fabian Umpierre nas guitarras, Marcelo Kalil no baixo e Pedro Belleza na bateria.

Superphones é uma banda que mescla o poder dos dons musicais com a sedução concebida em quem ouve. Ouvindo com phones nos ouvidos ou não, o super nunca se perde, apenas se transforma.

Nenhuma banda que pertenceu, entrou ou vive na história presente possui em sua formação, planejamentos estratégicos ou futuro predestinado. A grande maioria surgiu da vontade humana em produzir som que expressasse as razões e sentimentos daqueles que as sentiram. Um amigo que aprendeu a tocar violão, outro que preferiu o baixo, que conheceu um outro que adorava as baquetas da bateria, que incentivou um camarada simpático a tocar teclados.

A história da banda gaúcha Superphones não é muito diferente. Amigos de infância do interior se reencontraram na capital, conheceram mais um ou dois, um irmão também se interessou e quase sem perceber uma banda estava formada. Underdogs, The Valerians e por fim o grupo (de na época seis amigos) ganha o nome semiótico de Superphones.

Então pare e pense.
Caixas de som que exalam música são algo, mas phones nos ouvidos é o que há. Ou você nunca deu importância para o som exclusivo que te consome, ou você nunca teve música de qualidade nos ouvidos. E Superphones é o que há de novo.

Suzanne Vega em Luka, Superphones em 9th Floor. Oasis em Supernova, Superphones em Soopermusica (atual Where Have You Been). Moby em Porcelain, Superphones em Deep Trip (Danny Boyle deveria ter cotado a banda gaúcha para a soundtrack de A Praia). Cowboy Junkies em Come Calling, Superphones em Walking. E o primeiro EP foi lançado no final de dezembro passado, com uma faixa mp3 bônus em versão light de Where Have You Been (sem bateria, baixo e guitarras, os vocais meigos são apenas modesta descrição). 

Ao contrário de Bidê ou Balde, Superphones faz show no Garagem Hermética de Porto Alegre. Aliás, o lançamento do EP Special Play foi lá, oito meses após sua definitiva formação. Estiveram no Bailão dos Solteiros do CardosOnline com Video Hits, Round I, II e III com Winston e no tributo ao bom e velho rock and roll, Ame o Rock!, com Tom Bloch, Winston, Walverdes e Bidê ou Balde.

Março será a vez de Superphones tocar com Wonkavision e Astromato em mais uma festa London Burning em seu recanto Orbital paulista. E o único porém atual da banda é a ausência de Scooby (Bernardo Richetti), antigo tecladista e o mestre das dancinhas no palco. O menino decidiu trocar a carteira de músico por um passaporte cheio de carimbos, mas nestes casos, parcerias com Will do Wonkavision são bem vindas, bem como o aguardo de Camilo (perdido em Londres e antigo Daff) para preencher o vão deixado.

E como o universo central-urbano de Porto Alegre não pode ficar sem a unicidade das músicas de cinco grandes meninos, Superphones entra novamente em processo de criação, composição e sonorização. Dave Mathews Band tem #41, Superphones tem Untitled #2. Mas a confirmada para o novo EP que está sendo gravado é Dust, assim como Radiohead tem Just, Echo and the Bynnymen - Rust, Travis - Luv e Bright Eyes - Touch. Vale muuuuito esperar, mantendo os phones ligados, sempre com a qualidade super que eles merecem.

contatos com a banda - www.superphones.com.br