Fotos - Della Rocca / Divulgação
Skol Beats
2002 - Catártico
por
Marcelo Silva Costa
Catártico. Numa palavrinha
só, é assim que foi o Skol Beats 2002, terceira edição
do maior festival de música eletrônica da América Latina,
e um dos maiores do mundo.
Cinqüenta e quatro atrações
(31 nacionais e 23 gringas) revezando-se nos 12 mixers espalhados por cinco
tendas e um palco ao ar livre e mandando loopings pelas 220 caixas de som
espalhadas pelos 145 mil m2 que o festival ocupou este ano no Autódromo
de Interlagos preenchido por mais de 40 mil pessoas, de todas as tribos
possíveis e imagináveis. Ufa.
Catártico. Mas a aventura não
começa no autódromo...
17h - Olho as atrações
e cogito as que quero ver: Goldie, Fernanda Porto, Dj Marky, Patife, Anderson
Noise, Todd Terry e, claro, Groove Armada. Antes disso tudo eu já
devia ter dito algo: eu não sou lá muito fã de música
eletrônica... mas, a paixão por MÚSICA (em maiúscula
e negrito) nos faz encarar um evento desses.
Primeiros cortes no line-up: Goldie
e Fernanda Porto começariam muito cedo (19h e 19h30, respectivamente).
Bem, muito cedo para mim que estava pretendendo chegar em Interlagos às
23h, não para muita gente que já estava lá quando
os portões se abriram e os bumbos começaram a bater forte
no peito, isso às 16h!!!!
Segundo corte: Groove Armada e Patife
tocariam na mesma hora (em tendas diferentes, claro). Melhor ver os ingleses,
escolha definida.
21h30 - Saio de casa para encarar
um percurso de 29 km que normalmente seria feito em meia hora. Que nada,
congestionamento monstro (afinal, dois dias antes do festival os 40 mil
convites já estavam esgotados) e, muita paciência. Por sorte
dos deuses da música pisei no "Outdoor Stage" no momento em que
o Groove Armada iniciava sua apresentação. Difícil
explicar a sensação. Nota de 0 a 10? Hummm, 10.

O Groove Armada é formado pela
dupla Andy Cato e Tom Findlay. Ao vivo contam com uma banda (baixista,
guitarrista, baterista, tecladista e percursionista) cujo destaque maior
é Jonathan White que parece querer que o som de seu baixo atravesse
o peito do freguês. O som ao vivo mistura bases pré-gravadas
com a banda e imagens aleatórias. O impacto é fulminante.
Impossível ficar parado. Os principais sucessos do duo marcaram
presença, mas o ápice aconteceu quando o vocalista e trompetista
Dominic Glover anuncio "My Friend": "Vocês devem saber que quem canta
essa canção é a Rachael Brown. Mas como ela está
grávida, eu vou cantar. Espero que vocês gostem". A música,
inserida em trilha sonora de novela global, foi recebida com histeria.
Não precisa dizer que foi arrepiante, ou precisa? Com um suave toque
jazzy, um baixo agudo no talo e bateria e percussão duelando com
os beats, o Groove Armada fez um show totalmente rock and roll.
00:40 – Fim de show, hora de buscar
um energético, comer algo e analisar a estrutura do festival (papo
de jornalista, né). E é simplesmente impressionante como
a produção do evento foi cuidadosa nos mínimos detalhes.
Na parte de alimentação, grandes marcas (Pizza Hut, Dunking
Donnuts, Bobs, entre outras) serviam comida de primeira, como se estivéssemos
em um shopping. Sem contar que o festival ainda abrigava um restaurante!!!
A estrutura show do festival ainda contava com uma tenda especial para
o Mercado Mundo Mix e vários quiosques de bebidas e comidas espalhados
entre as tendas. A parte de segurança também era ok e toda
estrutura beirando o sensacional, da parte do som até as informações
por placas. O único ponto contra foram as enormes filas na entrada
do festival, o que causou muita reclamação e, segundo me
contaram, a falta de água durante alguns momentos. Tirando isso,
produção impecável.
Após devorar pizzas ótimas,
ingerir energético e divertir-se com charadas de um tiozinho super
simpático da limpeza, hora de ir ver Dj Marky, na Tenda Movement.
Outra baixa no meu line-up pessoal: Todd Terry e Marky tocariam na mesma
hora. O que eu fui ver?
02:30 - Começou com apenas
cinco minutos de atraso mas foi... arrepiante. Muitos vivem dizendo que
o lance cool da música eletrônica é ela não
ter cara, um q de punk na desconstrução de ídolos,
certo? errado. Balela das maiores. Dj Marky foi recebido por uma multidão
de rostos em transe gritando "Marky, Marky, Marky" tal qual uma torcida
de futebol ou uma audiência rocker. Arrepiou a alma e preparou terreno
para o set list do Dj que leva o nome da drum´n´bass brasileira
para pistas nunca dantes imaginadas. Como foi Dj Marky na Tenda Movement?
Ele só fez chover!!! Uma noite clara, com um ventinho frio e uma
temperatura de mais ou menos 20 graus pairava sobre Interlagos às
3h de sábado para domingo. Mas, dentro da Tenda Movement o calor
deveria estar beirando os 50 graus. Exagero? O calor era tão grande
que condensou dentro da Tenda fazendo "chover" sobre o público
que dançava alucinadamente. Parecia chuva de verão! Não
precisa falar mais nada, ou precisa?
Marky ficaria na Movement até
as 4h30. Também não precisa dizer que este editor só
agüentou pouco mais de uma hora das batidas hipnotizantes do cara,
certo. Em busca de água e de um lugar para descansar, tenda de imprensa,
3h45 da madruga.
Anderson Noise assumiria os toca-discos
da Tenda The End as 4h, mas quem disse que eu conseguia levantar o corpo
da cadeira na sala de imprensa. A hora que o corpo atendeu ao pedido do
cérebro, o mandamento era "casa". Deu só para da uma olhadela
na entrada da Tenda The End, achar bacana e voltar a pensar na minha cama.
04h30. Hora de voltar pra casa, não
sem se impressionar que havia mais gente chegando naquele momento do que
saindo (o festival deveria acabar as 10h da manhã, mas sempre vai
até as 12h ou 13h). Pique total. Faltou ver muita coisa, faltou
fôlego para dançar muita coisa, mas, sobretudo, sobraram sorrisos.
O que mais se pode querer?
05h - Casa. Corpo cansado, coração
feliz e alma lavada. Amar a MÚSICA, qualquer música,
sobre todas as coisas, como diz uma amiga, mantém o cérebro
desentupido e o coração palpitante. E faz a vida ter mais
sentido, ou pelo menos, ser mais divertida. Numa palavra: catártico.
E ponto final. (ou até 2003, como queiram).
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