Pelo Meu Direito de Nadar Contra a Corrente (só para me exercitar).
Já ouviu Kid A, o último cd do Radiohead? Não quero desculpas, seja objetivo: sim ou não? E como isso mudou a sua vida? 
(Antes que você leve a pergunta a sério, quero dizer que ninguém está interessado na resposta ...)
Na primeira conversa que tive com um cara que hoje muito admiro, ele me perguntou o que eu achava do Radiohead. Eu disse que nunca tinha me entusiasmado, e que tinha o Ok Computer, mas não havia gostado muito. "Ah", ele me disse com um sorrizinho (digamos) cúmplice, "então você prefere o Bends ..."

É isso que eu não entendo ... Como assim? Não tem outra alternativa? Não posso, simplesmente, não gostar de Radiohead? É contra alguma lei?

E isso não acontece só em relação a eles, mas também com a maioria das bandas britânicas da atualidade. Vira e mexe, Travis e Belle & Sebastian são eleitas, alternadamente, as melhores bandas escocesas de todos os tempos, num fenômeno típico da "bobalização", detectado (brilhantemente) pela Flávia Ballvé no SY 03 *.

Infelizmente, temos aí boas bandas, que foram rotuladas como sagradas, e sobre a quais é proibido não ter boas opiniões. O Radiohead, por exemplo, virou uma unanimidade que não pode ser contestada. E mais: além disso, também é popular, pois fez o crossover mais improvável dos últimos anos. Todo mundo conhece a música do comercial do carrossel (não sei como não foi trilha de novela ...)!

Mas isso não é tudo. Lançam um disco que todos dizem ser intragável, mas que é lindo. É chato, mas é genial (aliás, taí um caso raro de genialidade compreendida até demais) ... E o pior, é que muita gente boa está entrando nessa onda. O que leva alguém a descrever uma música, como "perfeita para se curtir um pôr-do-sol em Marte, ao lado da amada"? Ou "o tipo da música para se ouvir com o seu andróide preferido"? 

Sinceramente, eu não sei. Mas lendo isso, entendo o que Joey Ramone sentiu a cerca de trinta anos atrás, quando soube que uma banda havia lançado um LP de duas faixas, uma de cada lado. Sei o que ele sentiu, e o que ele fez: formou uma banda em que raramente uma música teria mais de dois minutos e meio.

E é isso que me dá esperanças: algum moleque, em algum lugar, vai ler algo como as "descrições" acima, vai pegar uma guitarra que mal aprendeu a segurar, e vai tomar uma providência, tenho certeza (de preferência, "gritando & berrando").

E eu até sei quando: será em 2002. 
É sério. Graças ao crescimento da velocidade da informação e à globalização (desculpe-me, mas você sabe: hoje em dia, uma teoria que se preze, tem que usar de alguma maneira estes conceitos, são as regras), as revoluções no rock estão acontecendo em ciclos cada vez menores. Cinco anos mais cedo a cada vez.

Faça as contas: considerando o ano-zero do rock'n roll, como acontecido nos EUA, em 1957 (tá, eu sei que está errado, e que teria que ser antes, mas assim as minhas contas não dariam certo ... Mas se você tiver boa-vontade, vai acabar descobrindo algo importante que aconteceu neste ano - provavelmente, envolvendo o Elvis Presley -, sem contar que uma teoria que nega os fatos, demonstra independência intelectual), vinte anos depois, em 77, tivemos a explosão punk inglesa (deixe de ser chato, e desconsidere os punks americanos), com Sex Pistols, Clash, e aquela cambada toda. Voltando aos EUA, quinze anos depois, temos o fenômeno Nirvana (ahá! pensou que eu ia dizer "o movimento grunge", né? Seu péssimo, essa é uma teoria séria!), em 92.

Ok, você é uma cara esperto e já percebeu: a próxima ruptura (anotem: essa é outra palavra-chave para se conseguir credibilidade) será, dez anos depois, em 2002, na Inglaterra, o que faz sentido, pois ser vizinho do Radiohead, deve ser pior do que ser só dominado culturalmente por eles (não que eu esteja reclamando, pois já fui catequizado há tempos).
 

É, mas se formos adiante, vamos ver que isso vai acontecer de novo, nos EUA, em 2007 (já pensou, que legal? Cinco anos depois, tudo de novo. Nem vai dar tempo da próxima geração se tornar cínica), e depois ... depois nada. Cinco menos cinco, dá zero.
Ou seja, más notícias: o rock (ainda) não morreu, mas de 2007, não passa.
hugo ( hugolt@hotmail.com ), colabora com este zine, está fazendo um curso para Mãe Dinah, e sabe que a melhor banda escocesa de todos os tempos é o Exploited, seguido de perto pelo Nazareth; não sabendo, entretanto, como classificar o Travis e o Belle & Sebastian. Provavelmente, logo após o Simple Minds.

* mais um serviço de satisfação pessoal, humildemente prestado pelo movimento "F.F.F. da F" (ainda em fase de testes).


nemnometem recomenda:

100 Garotas
Mais rara do que uma vitória corintiana na Copa João Havelange, só mesmo uma comédia adolescente inteligente e sensível como esta.
Cheia de teorias e frases de efeito (quase sempre de uma ironia comoventemente ingênua), ela dará, aos adolescentes de todas as idades, todas as respostas necessárias.
Mas, infelizmente, sempre se pode contar com a burrice governamental, que classificou o filme como impróprio para menores de 16 anos.
Se é o seu caso, não desanime por causa disso e dê um jeito de assistir: será uma experiência muito educativa, tenho certeza.
 

U - 571 : A Batalha do Atlântico
Ok, você já sabe dos defeitos deste filme: mostrar a quebra do código de guerra nazista como uma proeza norte-americana e a participação do Jon Bon Jovi (no filme, quero dizer).
Mas e daí? Você, que nem sabia deste episódio da 2ª Guerra, agora já sabe até, que na verdade os heróis foram os ingleses. E o Jonnhy não atrapalha, eu juro. Nem dá para notá-lo, coitado ...
Pois então: você que gosta de John Ford, Clint Eastwood, Preacher, Jonah Hex, Tenente Blueberry, Cães de Aluguel e Frederick Forsyth, deixe de besteira, e divirta-se!
Ah, nem falei do que se trata, né? É sobre honra, coragem, determinação, companheirismo e noção do dever, mas isso você já deve ter sacado sozinho. Mas, no final, o que conta mesmo, é que esse é um puta filme de guerra.
Ah, e tem o Harvey Keitel! Legal!



ouvido de passagem:
 
- Puta, essa chuva é fogo!
- Fogo nada! É água, mesmo ...
- Toma cuidado, cara! O meu pé direito tem um encontro marcado com a sua bunda!
- Rá! Só se for agora!
Cabeças e pernas rolaram no chão.
"... aí, o cara olhou pra trás, e tava lá a vaca! Ele ficou puto, e acelerou mais ainda o carro: 70, 80, 90, 100! E a vaca atrás, acompanhando! Aí, ele perguntou: 'Porra, como é que essa vaca consegue correr tanto?' ..."
Se eu estivesse na rua, era só fingir que estava olhando uma vitrine ou outra coisa, e ouvir o resto. Mas era um corredor vazio, que só tinha parede e mais nada ... Fiquei mais sem-graça do que curioso. 
Mas agora, há essa dúvida que me consome: qual será o final dessa piada, afinal?
Você sabe? Cartas para redação!