Muse
A melhor
das bandas que copiam o Radioehad
por
Marcelo Silva Costa

O som de um belo piano invade a sala.
Sobre ele, uma voz angustiada parece que vai ter seu coração
partido a qualquer momento. A primeira coisa que vem à cabeça
é Radiohead. Será que eles voltaram a fazer rock??? Não,
por enquanto, mas um de seus vários discípulos acaba de chegar
ao segundo álbum: o Muse.
Depois do estrondoso sucesso do primeiro
álbum, Showbizz, o trio de moleques que descobriu o rock
através de "Nevermind" do Nirvana e "The Bends" do Radiohead está
de volta com Origin Of Symmetry, um álbum pesado e dolorido.
A comparação com o Radiohead é inevitável.
Matthew Bellamy, o vocalista, parece um clone de Thom Yorke e, às
vezes, parece querer ser mais Thom Yorke do que o próprio. No máximo,
consegue ser um Fran Healy (vocalista do Travis) à beira do suicídio.
Mesmo assim, em um ano em que o rock
parece dar voltas em torno de si mesmo, é louvável que três
moleques pisem nos pedais de distorção e façam o maior
barulho possível.
Os moleques começaram bem moleques.
Com 13 anos já faziam barulho sob a alcunha de Gothic Plague. O
trio chegou a mudar o nome da banda mais duas vezes até chegar ao
curto e direto Muse.
A banda inglesa surgiu influenciada
pelo rock americano do Smashing Pumpkins e do Nirvana e não tava
nem aí para tudo o que a dobradinha Blur/Oasis fazia (nas paradas
e fora delas). A única coisa que chamou a atenção
de Matthew Bellamy, Chris Wolstenholme (baixo) e Dominic Howard (bateria)
no velho mundo foi "The Bends" do Radiohead.
Os dois primeiros EPs da banda arrancaram
suspiros da crítica britânica e receberam um aliado de peso:
John Leckie, o cara que havia produzido "The Bends". Leckie não
se fez de rogado e entrou em estúdio com o trio. O resultado foi
o multi-platinado Showbizz, o álbum que o Radiohead ficou
devendo após o estouro com "The Bends" (eles preferiram fazer história
com o sensacional "Ok Computer").
Origin Of Symmetry, o novo
álbum, não muda nada na receita Muse de sucesso. As guitarras
continuam altas e barulhentas, a voz de Matthew continua chorosa e gritada
e eles continuam como um sub-Radiohead (impossível não traçar
o paralelo Silverchair/Pearl Jam), síndrome que dificilmente vão
conseguir abandonar.
Isso tudo quer dizer que Origin
Of Symmetry é ruim? De forma alguma. A banda é derivativa,
mas faz um barulho dos diabos, perfeito para se ouvir no último
volume, o que já arranca sorrisos do rosto do freguês.
A tal que começa com piano
é "New Born", segundo single retirado do álbum. O
pianinho ali dura 40 segundos até que as guitarras assumem a frente.
Assim acontece também nas ótimas "Bliss", "Space
Dementia" e no primeiro single "Plug In Baby" com direito a
riff chicletão.
A mistura tecladinhos deprê
e guitarras barulhentas é a fórmula básica que funciona
bem até a metade do álbum. Daí pra frente acaba entornando
o caldo nos vocais exagerados de "Feeling Good" e na terrivelmente
chata "Screenager", cheia de efeitos e com uma introdução
que esbarra no dedilhado clássico; o resultado decepciona. A porrada
volta com a desinspirada "Dark Shines" e o mundo parece que vai
acabar com todo mundo ajoelhado ao som do órgão de igreja
de "Megalamonia", a bacana última faixa.
Tentar explicar o título do
álbum é um supremo desperdício. Segundo Matthew, o
título veio de um livro que comentava sobre a beleza do universo,
a sincronicidade e simetria das dimensões e blá blá
blá, o que deixa um certo ranço épico nos bons rocks
do trio.
No final fica a impressão que
o Muse são apenas três garotos se divertindo (Rock não
seria só isso? Precisava chorar tanto? Será que ele consegue
cantar duas horas assim ao vivo?) com baixo, guitarra e bateria. No mais,
das bandas que copiam o Radiohead, a melhor. Basta?
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