Metalmorphosis
!!!
por
Marcelo Almeida
Bem, caros amigos, estréio
hoje esta coluna que tem como finalidade falar um pouco a respeito de rock
com guitarras distorcidas, não importa o sub-gênero que seja.
A intenção é tentar dar uma vasculhada no que de bom
tem acontecido no reino dos decibéis ensurdecedores. Esta coluna
não quer ser uma cartilha ou algo parecido trazendo todas as novidades
do mundo dizendo o que é bom ou não, e sim, expressar algumas
opiniões bem particulares. A ênfase desta será em bandas
que possam a vir ser relevantes para este já tão maltratado
estilo musical. Pra começar, gostaria de falar a respeito de algo
que há tempos me atormenta.
O metal morreu?
Bem, esta é uma das afirmações
mais descabidas que tenho ouvido há um bom tempo. Acho que desde
o estouro do rock da cidade de Seatlle (grunge é um termo inventado,
pelamordedeus) a mídia quer matar o filho mais bastardo do rock´n´roll.
Logicamente, que todos que o quiseram matar caíram do cavalo - e
bonito, diga-se - e hoje em dia tentam ignorá-lo. No geral,
a mídia deixa o metal em segundo plano preocupando-se mais em buscar
a "sensação do momento". Aquelas famosas "descobertas" da
imprensa britânica que são consideradas gênios e não
passam sequer do segundo disco. Alguém aí lembra do Soup
Dragons? Nada contra a mídia em si, pois esta, geralmente, busca
por bandas mais acessíveis aos padrões ditos normais. O metal,
punk, rock alternativo, e mais alguns gêneros não dependem
da mídia para sobreviverem, pois possuem público fiel, cativo
e doido por novidades, e sempre sobreviveram muito bem no underground.
São daqueles que tem "amor" a música e não se preocupam
muito com o que a crítica diz a respeito. O fã de heavy metal
em si é um ser meio estranho. É capaz de render juras de
amor a determinada banda, desde que esta não modifique muito o seu
som. Evolução é uma palavra não muito agradável
aos fãs do gênero. Dizem que o metal não evolui. Outra
besteira. Quem acompanha de perto sabe muito bem que o metal desde suas
primeiras engatinhadas evoluiu e muito. Se pra pior ou melhor, fica a critério
de você. Particularmente, prefiro as bandas antigas, mas hoje em
dia temos muitas bandas bacanas no cenário. Basta saber separar
o joio do trigo e conseguiremos ouvir muita barulheira de bom gosto.
Das
bandas mais novas, uma que me chamou muita atenção foi o
Nightwish. Os caras são das
gélidas terras da Finlândia e fazem uma mistura de metal melódico,
com incursões góticas e arranjos realmente muito belos. Eles
têm 3 álbuns lançados (inclusive no Brasil): Angels
Falls First, Oceanborn e Wishmaster. O cabeça e líder da
banda é o tecladista Tuomas Holopainen, mas o grande charme e carisma
da banda está na cantora Tarja Turunen. Deus, como canta essa mulher!!!
Pra quem não sabe, Tarja tem formação clássica.
Seu vocal de soprano causa estranheza em uma primeira audição,
mas vai nos conquistando de forma encantadora. A sua delicadeza aliada
aos arranjos meio góticos da bandas com passagens clássicas
faz com que uma audição da banda seja algo realmente prazeroso
até pra quem não é fã de heavy metal. O engraçado
é que eles ainda mantém uma acento pop e podem se tornar
um dos nomes mais importantes do cenário da música pesada.
A banda aterrisou em terras tupiniquins
para dois shows: São Paulo e Curitiba, onde foram muito bem recebidos.
Vale salientar que conseguiram levar perto de 3 mil pessoas ao Tom Brasil
num sábado que choveu horrores em São Paulo. A banda gostou
tanto da apresentação na terra da garoa que vai editar um
EP com o show daqui e mais algumas músicas inéditas. Além
de ser ótima vocalista, a senhorita ainda é uma das pessoas
mais simpáticas e humildes que já tive prazer de conversar
(via e-mail). Recentemente, a Century Media licenciou - eles são
do selo europeu Spinefarm - os 3 álbuns da banda para os Estados
Unidos. Caso a banda estoure na terra do Tio Sam, não será
surpresa nenhuma vê-los em capas das mais famosas revistas especializadas
do mundo. É esperar pra ver.
O metal brasileiro vive um momento
de expectativa para o crescimento. Com a cisão de Sepultura e Angra,
sobrou o Krisiun para honrar o Brasil no exterior. Os gaúchos lançaram
o fantástico e massacrante "Conquerors Of The Armageddon" em 2000
e excursionaram pelo EUA e velho mundo com bandas de grande renome no underground
metálico. O Sepultura vai lançar o "Nation", um álbum
conceitual que fala sobre uma nação utópica: algo
como a Sepultribe. É esperar pra ver. Com a debandada de 3 integrantes
do Angra, os remanescentes, Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt estão
recrutando novos integrantes para tentar dar sequência a sua trajetória
vitoriosa no exterior, principalmente Europa (ênfase na França)
e Japão. Os "rebelados", Luís Mariutti, André Mattos
e Ricardo Confessori montaram o Shaman, que conta com o irmão de
Mariutti nas guitarras e já estão compondo material para
o disco de estréia. Apesar do Soulfly não poder ser considerada
uma banda brasileira, Max Cavalera lançou no ano passado, Primitive,
que exacerba ainda mais os experimentalismos do primeiro álbum.
É um álbum para opiniões maniqueístas. Novos
valores (e nem tão novos) vêm surgindo como: Tuatha de Danaan,
Dragon Heart, Shadow Mask, Imperious Malevolence, Syndrome, Symbols, Endless,
Liar Simphony, Eterna, Dark Eden, Thoten, Rebaelliun, Santarem, entre outros
que seriam impossíveis de serem citados neste curto espaço.
Como podemos notar, o metal ainda pesa e muito no gosto do público.
Em tempo: bandas de rock/punk/metal
e outras adjacências que queiram ter seu trabalho divulgado, entrem
em contato pelo e-mail: digitalvoodoo@bol.com.br |