Maybees
Pensando
Grande
por
Alexandre Petillo

Você, leitor esperto, já
sabe que o Maybees lançou um fantástico disco novo.
Picture
Perfect, o segundo lançamento desse grupo independente de São
Paulo chegou às lojas em março e arrancou bons elogios da
crítica especializada. Não pra menos, é um dos mais
belos discos de rock nacional lançado nos últimos tempos.
A banda, pioneira no mundo indie cantado em inglês, preferiu a sofisticação
de arranjos bem tocados e produzidos à crueza das guitarras distorcidas,
recheando o disco com 11 músicas, que se encaixariam perfeitamente
como 11 singles.
Numa tarde calma de sexta, o guitarrista,
tecladista e principal compositor do Maybees, Mauro Motoki, conersou conosco.
Ainda espantado com a grande receptividade do disco, o guitarrista contou
que a banda entrou em estúdio pensando grande. "Nós queríamos
fazer 40 takes de cada música, até achar o ponto ideal, como
as grandes bandas fazem. Mas tivemos que adaptar isso para a nossa realidade,
que não permite tal coisa, por falta de tempo e dinheiro. Portanto,
chegamos no estúdio com arranjos abertos e fomos tratando as músicas
à medida que fomos gravando, até que ficasse perfeita num
todo".
O Maybees apareceu na mídia
no lançamento do seu epônimo primeiro disco. Vários
grandes veículos estamparam o grupo em suas páginas. Alguns
críticos chegaram a acreditar que seria a banda capaz de levar para
as rádios o rock inglês feito por brasileiros. Não
foi o que aconteceu. De lá pra cá, continuaram tocando no
circuito underground. Mesmo assim, trazem em Picture... uma sonoridade
inédita para um disco independente: vocais cristalinos, arranjos
sofisticados, naipe de metais. "Nós transformamos a energia em técnica.
Não temos o mesmo equipamento das bandas de fora. Aqui precisamos
saber trabalhar muito para tirar o melhor proveito do que temos em mãos.
Os metais foram pra dar um clima meio Rolling Stones de 72, 73. Ficou arrepiante",
conta o guitarrista.
No novo álbum, Vanessa Krongold,
a vocalista, parece disposta a entrar no rol das grandes cantoras de rock
do país. Ela acabou ficando conhecida do grande público por
fazer algumas participações em shows do Ira! e aparece perfeita
no CD. Ainda assim, o público indie já começa a preparar
as suas garras para atacar o Maybees. Esse deve ser o último trabalho
do grupo cantado em inglês. A banda, que conta ainda com Habacuque
(guitarra), Edu (baixo) e Falcão (bateria) estuda a possibilidade
de um lançamento com músicas em português, para alcançar
um público maior. Já estão sendo chamados de traidores
do movimento. "Cara, isso é muito esquisito", comenta Mauro. "Não
podem nos chamar de vendidos, porque não nos vendemos pra ninguém.
E se vendemos, somos otários, porque ainda não recebemos
dinheiro algum (risos). Mas o fato é que não componho mais
em inglês. Já faz meses que escrevo em português. É
claro que estamos evitando clichês, mas é o que eu quero fazer
no momento".
Ainda assim continuam pensando grande.
Picture... traz boas participações especiais de Edgard Scandurra
(Ira!) e Fernanda Takai (Pato Fu). Para os próximos meses, pretendem
excursionar pelo país abrindo alguns shows do Ira!. "Queremos crescer
como banda, ver como é a estrada, enfrentar obstáculos. Temos
que pensar grande, senão de que adianta ficar lutando?" Mauro questiona.
Antes, portanto, de gravar em português, ele diz que pretende mandar
cópias de Picture Perfect para algumas publicações
inglesas. É uma boa, pode ser que os integrantes do Travis, Coldplay
e Doves ouçam e aprendam como se faz boas músicas.
MAYBEES
Picture Perfect
(Polythene Pam Records)
O que era promessa agora se tornou realidade.
Poucos discos foram tão bem arranjados e produzidos no meio independente
brasileiro como este. Logo
de cara, "Chord of Life" parece grudar no cérebro. O vocal potente
e preciso de Vanessa Krongold conduz a música que passeia entre
a fúria e a calmaria. O pop rock simples de uma banda singela, agora
transborda bom gosto com a adição de cordas, metais e teclados.
A baladaça "Leave me in Bed (I don't want to argue)" lembra os bons
momentos do pop sessentista, com referências explícitas a
Brian Wilson e seus Beach Boys. "Erika", "Rain" e "Understand you're Tired"
chegam a ser dilacerantes. Soa clichê, mas se fosse uma banda nascida
em Londres, definitivamente seria o hype do momento. No entanto, são
brasileiros, vão agradar alguns jornalistas e indie-kids, mas uma
grande massa roqueira cansada das baboseiras vigentes, vai perder um grande
e inspirado disco de rock.
Confira o excelente site deles, muito
melhor que os que concorreram a melhor site no VMB - www.maybees.com
Alexandre
é editor do Scream & Yell e este texto foi escrito originalmente
para a revista Rock Press
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