Santa
Madre Cassino - Matanza
por Alexandre
Petillo
A melhor
banda do velho-oeste
O quê: Gosta de rock independente
mas está cansado daquelas bandinha gaúchas que imitam o Travis
e se acham o máximo? Não agüenta mais os órfãos
paulistanos do My Bloody Valentine? Não suporta aquela cariocada
chorando as pitangas enquanto a mulherada fica de peito de fora na praia?
Matanza
é a sua banda. Cavalos nas ruas, saloons infestados de foras da
lei, duelos ao meio-dia, xerife caçando bandidos, prostitutas gostosas
e bebedeira toda noite (apesar daqueles que pedem um copo de leite no balcão).
Esse é o mundo do Matanza, a banda country brasileira mais hardcore
do velho oeste, egressos das cinzas do Acabou La Tequila, conceituada banda
do cenário independente carioca. O primeiro disco,
"Santa Madre
Cassino", lançado pela Abril Music, traz todo um universo bang-bang
regado a guitarras potentes, criando uma inusitada mistura de Johnny Cash
e Willie Nelson com Cramps, Ramones e Reverend Horton Heat.
Quem: Donida (guitarra), Jimmy (vocal),
Nervoso (bateria) e China (baixo).
Como: Country com hardcore com psychobilly
com Cramps com Johnny Cash com Reverend Horton Heat com Willie Nelson com
Ramones, ou seja, só coisa boa. Rock bandido da melhor qualidade.
Tiros: O disco de estréia dos
cowboys traz várias pérolas do novo cancioneiro brasileiro,
como "Ela Roubou Meu Caminhão", a música de trabalho,
que fala de um infeliz que passou dez anos na cadeia e quando sai percebe
que sua amada o deixou e ainda por cima levou o seu veículo. "Eu
que tinha até tatuado o nome dela/eu pensava nela toda noite nesses
dez anos / Que eu passei trancado naquela prisão / Essa foi demais
/ Isso não se faz / Ninguém vai acreditar / Ela roubou meu
caminhão", diz o refrão. Além de "As Melhores
Putas do Alabama", "Eu Não Bebo Mais", "Rio de Whisky"
e "Quanto Mais Feio".
Duelo
ao pôr do sol: "O meu sonho é tocar na Festa de Peão
de Barretos. Fico imaginando a gente mandando o nosso country com hardcore
e cem mil pessoas com chapéus nas mãos dançando alucinadamente,
com aquele poeirão levantando. É isso que eu quero para mim",
crava Donida, para o Scream & Yell.
Mira laser: "Santa Madre Cassino"
saiu com a assinatura de um produtor "duvidoso": Rafael "Baba Cósmica"
Ramos. Donida refuta: "Cara, o Rafael acompanhou a gente desde o começo,
conhece muito bem o espírito da banda. O disco saiu exatamente como
o Matanza soa. Essas bandas que saem por aí dizendo que o Rafael
estragou o seu disco, como os caras da Vídeo Hits disseram, foi
porque eles não souberam conduzir as gravações. Eu
tive toda a liberdade do mundo. Fiz o disco de jeito que eu quis", sentencia.
Veredicto: Ou seja, ainda não
comprou o seu? Ah, já sei, você é mais um daqueles
fãs das bandinhas "mamãe troca minha fralda", como Coldplay.
Matanza é rock para quem toma cerveja no balcão em copo americano. |