Fernanda Porto & Xerxes de Oliveira 
Chopperia do SESC Pompéia
17/04/01
por Gilberto Custódio

Nunca tinha ouvido falar da Fernanda Porto, até receber um e-mail de divulgação de um show que ela faria no Chopperia do SESC Pompéia tendo o mestre Xerxes de Oliveira (o homem por trás do melhor drum`n`bass made in brazil XRS Land) fazendo as programações. E o show seria gratuito e em um horário acessível. Pena que seria em dia de semana, bem no horário da minha faculdade, mas aí eu troco fácil fácil um showzinho e cervejinhas pelas aulas. Ainda mais que eu iria ter pela primeira vez um contato tanto com o som da Fernanda Porto quanto com o Chopperia do SESC, que eu já tinha ouvido falar muito bem, além de assistir uma perfomance ao vivo do Xerxes de Oliveira.

Ao chegar no local já em cima da hora a coisa se complicou para achar uma vaga nas redondezas, já que no Teatro do SESC estava havendo a gravação do Musikaos e dentro do galpão estava ocorrendo coquetel de lançamento de alguma coisa que não me lembro o nome. Ou seja, estava tudo lotado e eu acabei chegando pelo menos uns 20 minutos atrasados no show. Por sorte, pouco depois de entrar no Chopperia, eu e uma amiga conseguimos sentar numa mesa e assim poder aproveitar o show mais a vontade.

O Chopperia do SESC superou de longe todas as boas expectativas que eu já tinha. O local é espaçoso, tem uma excelente acústica e iluminação e é preenchido por diversas mesas de madeira maciça de 4 lugares. Ao sentarmos na mesa, logo um garçom veio nos mostrar o cardápio que serve todos tipos de porções e bebidas. A bebida veio rápido, junto com um cinzeiro. Lindo! Pode fumar o que quiser lá dentro que ninguém vem encher o saco. Maravilhoso! Aí foi só relaxar na cadeira e curtir o show em super estéreo. 

Na música em que comecei a prestar atenção, Fernanda Porto tocava em alto e bom som um saxofone enquanto Xerxes de Oliveira tirava os mais diversos sons de teclados, sintetizadores e um computador. Como se não bastasse o show ainda contava com a participação do VJ Alexis, que projetava num telão em cima do palco um mix de imagens sampleadas, fotos (de Daniela Schneider) e imagens ao vivo do próprio show, captadas por três câmeras estrategicamente posicionadas. A VJ conseguia mostrar em imagens, de uma forma espetacular, tudo o que o som transmitia. Só esse telão em si já era um show de entretenimento a parte.

O som era uma mistura perfeita da mais ortodoxa e conservadora MPB com as batidas quebradas e transgressoras do drum`n`bass. Nunca vi casamento tão perfeito. O vozeirão de Fernanda Porto também ajuda bastante e quando ela pega o violão ou guitarra, consegue tirar os mais perfeitos acordes de bossa nova que se encaixam perfeitamente às batidas do Xerxes, que oras seguiam suave acompanhando a música em si, oras quebravam toda a estrutura com as mais fortes, graves e quebradas batidas. 

Ao final do show (um bis que teve o repeteco de Samba Sim, o que parece ser o hit da cantora, que no show aparece no remix feito pelo DJ Patife) o clima era de celebração total. Bastante palmas. Clima mais do que agradável! Ainda fiquei mais de uma hora depois do final do show sentado na mesa batendo papo e curtindo o Chopperia. Uma delícia.

Ano passado a revelação em termos de show foi o Transistors e seu roque sujo garageiro sessentista. OK, justiça seja feita, teve o Wander Wildner também. Deu empate. Esse ano dois nomes fortes disputam essa vaga: Super 8 e Fernanda Porto. Três! Tava me esquecendo do Bidê ou Balde, que inclusive vai tocar segunda feira as 22:00 no Woodstock; simplesmente imperdível!