The Harsh Light of Day (Fastball)
por Rodrigo Seabra
rseabra@hotmail.com

Fastball não decola em seu terceiro CD 

Em 1998, o Fastball alcançou projeção com The Way, extraída de All the Pain Money Can Buy, segundo disco da banda. A música, um inexplicável bolerão transformado em rock, mostrava um amadurecimento em relação ao anterior Make Your Mama Proud, em que Miles Zuniga (guitarra e vocais), Tony Scalzo (baixo e vocais) e Joey Shuffield (bateria) simplesmente repetiam a surrada fórmula pop-punk dos anos 90. Trabalhando um pouco sua faceta pop, a banda começou a burilar influências e a criar uma música diferente, mais palatável. Não era original, mas agradava aos ouvidos afeitos a hits de FM. 

O que parecia o princípio da construção de uma personalidade própria, entretanto, não se cumpriu. O álbum The Harsh Light of Day mostra que a principal característica da banda ainda é, infelizmente, a simples colagem de influências e de influenciados. O Fastball não copia uma banda específica, mas soa, ao mesmo tempo, como Billy Joel (You're an Ocean, Wind Me Up), Duran Duran (Funny How It Fades Away), Breeders (This Is Not My Life), baladas ramônicas (Dark Street) e, em certos momentos (Time), é tão pop que lembra o Hanson. 

Em cima de tudo isso, a banda cria melodias que remetem aos Beatles - em especial à fase solo de Paul McCartney - e estruturas aparentadas do compositor londrino Elvis Costello. O excelente Brian Setzer (ex-Stray Cats) faz uma participação em “Love is Expensive and Free", balada que não condiz em nada com a carreira rockabilly do cantor e guitarrista. Mais uma mostra da mistura pop sem limites ou um desperdício do talento de Setzer? 

É surpreendente o fato de The Harsh Light of Day não ser um disco desagradável, ao mesmo tempo em que praticamente não apresenta méritos próprios. As harmonias são bem construídas e a sonoridade foge à mesmice. No entanto, é gritante a falta de lampejos de criatividade. Enquanto a maioria das bandas prefere seguir uma certa identidade musical, o Fastball perde o rumo ao buscar incessantemente uma inspiração externa. 

É possível, no álbum, constatarmos o talento dos três integrantes tanto para tocar quanto para compor. Por isso, a banda pode vir a caminhar por suas próprias pernas, e, quem sabe, até carimbar algum top ten na primeira década deste século. Entretanto, ainda não foi neste trabalho que o Fastball vislumbrou a luz do sucesso.