O REI ESTÁ VIVO!
por Alexandre Petillo

Preste muita atenção: Elvis Presley pode estar chegando na sua cidade para uma temporada de shows, mesmo depois de vinte e quatro anos de sua morte. O quê? Como?

ELVIS IS BACK IN THE BUILDING!!!

Agora é verdade. Milhares de pessoas ao redor do planeta têm visto Elvis Presley. E ele não foi pego comendo hamburgueres em lanchonetes, morando numa fazenda isolada e muito menos gordo e careca. O Rei do Rock está onde sempre gostou: no palco, cantando e em forma. E o mais incrível: em sua primeira turnê mundial. 

"Elvis-The Concert", é uma superprodução que reúne, ao vivo, no palco, companheiros de banda de Elvis, acompanhando uma imagem do cantor, projetada por modernos feixes de luz e lasers. Esta é, de fato, a primeira turnê mundial do cantor. Enquanto esteve vivo, Elvis realizou apenas cinco shows fora dos Estados Unidos – cinco apresentações em três cidades do Canadá, em 1957. 

O projeto ganhou a estrada no começo de 1998, em algumas cidades dos Estados Unidos. Depois de uma elogiada e disputadíssima apresentação em Memphis, em 97, durante as homenagens de 20 anos da morte do Rei, a produção concluiu que seria interessante (e rentável) percorrer todo o planeta. De janeiro a julho deste ano, o projeto deixou os Estados Unidos, percorreu o Canadá e o México e embarcou para diversos países da Europa, Ásia, Austrália e Japão. Diversas datas na Inglaterra tiveram suas bilheterias esgotadas meses antes do show. “Uma turnê mundial sempre foi um sonho inquieto de Elvis. Ele sempre cobrava isso de seus produtores. Muitos fãs, que não podiam viajar até os Estados Unidos para ver o ídolo, mandavam centenas de cartas pedindo uma grande excursão. Agora, mais de vinte anos depois da morte de Elvis, esse sonho se torna realidade”, disse, por e-mail, Glen D. Hardin, pianista que tocou com Elvis no começo dos anos 70 e participa do atual projeto.

O espetáculo é o máximo que pode se aproximar de uma autêntica apresentação de Elvis Presley. Os produtores editaram diversas cenas em vídeo de apresentações de Elvis do final dos anos 60 e começo dos 70. Foram removidos todos os sons externos das cenas, apenas isolando o vocal de Elvis. Esse efeito, permite que Elvis “cante”, enquanto a banda o acompanha ao vivo. A imagem do cantor é projetada pouco à frente dos músicos, em uma enorme tela. O público não vê contornos do telão e aqueles que estiverem um pouco mais distante do palco, terão a nítida impressão de que Elvis realmente está no palco, cantando. 

Hardin não sabe dizer se o Brasil pode estar no caminho de Elvis. "Estamos dando um tempo, passando por um hiato. Não sei quando e nem onde serão os próximos shows, os empresários ainda estão fechando. Talvez voltaremos só em 2002, para uma turnê bem grande, afinal, será o ano em completam 25 anos sem Elvis". 

Mesmo tratando-se apenas de um "fantasma", a presença de palco de Elvis é impactante. A interação da banda com a voz do mito e a reação do público a cada música, faz com que o espectador quase esqueça que Elvis não está ali em carne e osso. "Elvis-The Concert", o evento, já foi declarado oficialmente no Guiness, o Livro dos Recordes, como a "primeira turnê ao vivo onde a atração principal está morta". Mais um esquisitice, para o rol de esquisitices do maior e mais influente homem do século 20. 

Veja o repertório da "Elvis-The Concert" tour


 

"EU VI ELVIS!"

"Estive em Memphis, em agosto de 97,  no vigésimo aniversário de morte do Rei. Sempre fui fã de Elvis, desde adolescente. Acompanhei toda a carreira dele. Na noite do dia 16, logo após a tradicional vigília nos portões de Graceland, começou esse show, "Elvis-The Concert". Fiquei arrepiado com aquilo. Logo nas primeiras músicas, eu senti um arrepio. Era incrível, realmente parecia que Elvis estava ali. O entrosamento da imagem dele com a banda tocando ao vivo é perfeito. Em um momento, ele até apresenta os músicos para o público. Arrepiante, inesquecível." 
Marcelo Costa, do Fã Clube Oficial Elvis Presley Brasil. 


"NÓS TAMBÉM VIMOS ELVIS"

Alguns relatos coletados na internet de norte-americanos que afirmaram terem visto Elvis Presley vivo, em carne e osso. 

"Eu vi Elvis em uma loja de Leetsdale. Todos na região o conhecem por Jesse. Acho que ele adotou o nome do irmão. Ele mora numa fazenda. Tentei chegar perto, mas os seguranças não deixaram" – Tim, de Leetsdale. 

"O Rei do Rock mora numa fazenda gigantesca. Sou veterinária e tenho um colega que trata de seus cavalos. Elvis mudou de nome e sumiu porque tinha medo de ser assassinado". – Melinda, de Pasadena

"Elvis roubou a minha mulher. Ela é bonita. Tínhamos um bar de beira de estrada. Ele passou por lá várias vezes. Minha mulher dizia que era o Elvis. Eu duvidava. Aí eles fugiram. Já andei três Estados atrás deles. Ele a leva a bordéis. Conversei com uma prostituta que transou com os dois". – Edward, de Denver.

"Elvis está de novo em Memphis. Está com o cabelo claro e bem curto, com a cabeça quase raspada. Falei com ele num café, e ele acabou confessando quem era. Disse que passou mais de 15 anos em outros Estados e só voltou a Memphis quando achou que não seria facilmente reconhecido". – Abbey, de Memphis.

"Elvis trabalha num centro de recuperação de drogados na minha cidade. Ele usa o nome de Joey, mas eu sei que é ele". Justin, de Boca Raton. 

"Não acreditei quando minha mulher disse que o homem que estava colocando carpetes em nossa casa era Elvis. Gordo e careca, era muito parecido mesmo. Só realmente acreditei quando ele cantou uma canção. Ninguém tem aquela voz". – Peter, de Richmond.



LEITOR, VOCÊ NÃO SERIA O QUE É SEM ELVIS!

Por acaso você se lembra da primeira vez que ouviu a palavra "Elvis Presley"? Estranhamente, todo mundo que viu a luz do mundo dos anos 60 até hoje, parece nascer já sabendo quem é Elvis. Pode ser que você não goste dele ou mesmo não conheça a sua carreira completa (com certeza, em algum momento da sua existência, você ouviu "Love Me Tender" ou "Always On My Mind", só para ficar em duas beeem populares), mas pode ter certeza: sem ele, você, esta revista, o mundo, ninguém, seria do jeito que é hoje. 

A mistura da música branca americana (o country) com a música dos trabalhadores negros (o blues), em um andamento mais acelerado é a formula do rock’n’roll. Por ser bonito, branco e com uma voz de veludo, Elvis popularizou o gênero. Chuck Berry (negro) e Bill Halley (feio e gordinho) já faziam esse som antes de Elvis, mas não tinham apelo.   

Se Elvis não existisse, o rock seria um ritmo negro, sem penetração na maioria branca americana, nos Estados Unidos. O  jeito como rebolava e mexia os quadris, lhe rendeu o apelido de "The Pelvis". O rebolado do jovem roqueiro mexeu profundamente com a libido das garotas, a ponto da censura proibir que as câmeras de TV o focalizassem da cintura para cima.

Elvis inventou o rock e por tabela, toda a cultura jovem. Sem Elvis, não existiram os Beatles. E sem os Beatles, não existiria a revolução cultural dos anos 60 – drogas, cabelos compridos, sexo livre, independência feminina e o escambau. A cara que a juventude tem hoje, mesmo multifacetada e dividida em várias tribos, nasceu do rock. E o rock nasceu de Elvis.  


A INVENÇÃO DO ROCK!


 


Tudo começou em 18 de julho de 1953. Elvis Presley, um caminhoneiro conhecido da pequena e pacata cidade de Tupelo, no Mississipi, cruzava Memphis, quando resolveu comprar um presente para sua adorada mãe, Gladys. Na procura pelo presente, Elvis (que além de motorista, também estudava eletrônica) viu um anúncio em uma loja, de um lugar que fazia gravações de discos caseiros por um preço bem barato. 

O Memphis Recording Service ficava na 706 Union Avenue e era exclusivamente uma gravadora de blues. Comandada por um homem de 31 anos chamado Sam Phillips, a pequena gravadora fazia promoções para quem quisesse gravar um compacto de forma acessível. Assim como centenas de pessoas na época, Elvis fora atraído pela oferta e resolveu gravar algumas canções de presente para a mãe. Extremamente nervoso, Elvis aguardava em uma salinha enquanto Phillips ajustava o estúdio. A secretária da gravadora, Marion Keisker, sentido pena do estado de nervos do jovem, resolveu puxar conversa. Ela perguntou: "Que tipo de cantor você é?". "Eu quanto qualquer tipo de música", respondeu ele. Ela voltou a perguntar: "Você canta parecido com quem?". "Eu não me pareço com ninguém", respondeu Elvis, de primeira. 

No fim do dia Elvis saiu com o presente de sua mãe: um compacto com as músicas "My Happiness" e "That’s The Heartaches Begin". Na saída, Elvis pagou US$ 4 pela gravação. Foi o preço que ele pagou para inventar o Rock’n’Roll. Este talvez tenha sido o melhor investimento da história da economia. 

Dez meses depois Elvis fora contratado pela gravadora de Sam Phillips, que lançou o primeiro disco daquele jovem branco de voz negra. Nascia ali o mais rentável artista da cultura ocidental, tendo vendido mais de 1,5 bilhão de discos, fitas cassetes e cds em todo o mundo. Elvis morreu em 16 de julho de 1976, por overdose de barbitúricos, na banheira de sua mansão, Graceland, em Memphis. Horas antes de sua morte, Elvis lia o livro "A Investigação Científica em Busca da Face de Jesus", um trabalho onde pesquisadores reconstituem os últimos dias da vida de Jesus Cristo.