CORNELIUS -  Point
por Renato Keiteris 
ruidos@nexdesign.com.br 

Não tem parada errada! Discão porreta demais … poderia parar a resenha por aqui, sem dizer absolutamente nada sobre o álbum, bastaria apenas salientar a excelência de "Point" ao máximo! Poderia dizer que "Point" é muito mais preciso, acertado e com foco na sonoridade vanguardista do que seu predecessor de 5 anos atrás, "Fantasma", enebriado na reconfiguração, apropriação de sons e estilos imersos na verve psicodélica insana.

Livre para tudo, Keigo Oyamada é o cara por trás do Cornelius, japonês maluco que ama música brasileira – não precisa ir muito longe, escute a faixa "Brazil", ou qualquer outro trabalho do cara. Este lançamento, acaba soando bem ambient, ou diria, um tanto orgânico … báh! Lá estão os famosos rótulos de prateleira. Cornelius pode ser considerado um grande criador, ou melhor, um grande experimentador. Envolto em uma exótica mistura de pop dos anos 60, música eletrônica, bossa nova, garage rock e dream pop, Cornelius acaba trazendo altas doses de prazer para nossos ouvidos.

Este disco, realmente sobressalta os sentidos! Não caia na conversa fiada de outrém, corra atrás e experimente esta viagem cheia de brilhantismos sonoros. "Another View Point" e "Smoke", soam perfeitamente surpreendentes e espontâneas. O cantar dos pássaros em "Bird Watching At Inner Forest" e o borbulhar das águas em "Drop", dão ao disco uma aura bem natural e fresca, lembrando os samplers que o Matmos bem mesclou em “A Chance to Cut Is a Chance to Cure” de 2001. Naturalismo mais do que surreal!

Para abrir com chave de ouro, ouça "Bug (Electric Last Minute)" e a barulheira de "I Hate Hate", evidente mostra de outra paixão de Keigo Oyamada: Kiss e Black Sabbath. "Point" veio para engrossar o caldo, trazendo toda a bagagem estética que fez de "Fantasma" tão fascinante, mas com a diferença brutal de melhoria musical constante. Na primeira ouvidela, talvez os fãs mais entusiastas se decepcionem, porém ao perceberem a coesão, os momentos de loucura em pequenas doses de harmonia, além das inumeras mudanças e o contraste musical deste, tudo acaba fazendo sentido e transforma qualquer ouvinte em um fã incondicional de Cornelius!

Cornelius andava bem sumido nestes últimos anos … em uma grata recompensa pela espera, "Point" é mais que um presente, é uma verdadeira retomada à boa fase. Gravado durante um ano em seu próprio estúdio, resultou em um trabalho ultra-pessoal. Apenas um engenheiro de som ajudou na lapidação deste recente lançamento. Keigo, além de cuidar de todo o lado musical de "Point",  também criou o conceito de merchandise envolvido no disco, capa, posters, sacolas plásticas para as lojas e dirigiu os 5 clips, dentre eles "I Hate Hate", "Smoke" e "Point Of View Point" que são incríveis … Ufa! Loucuras à parte, tenho certeza que ao ouvir "Point" do Cornelius, seu grau de êxtase chegará ao máximo! Como havia dito: discão porreta demais…