Walking
With Thee – Clinic (Slag)
por
Leandro Miguel de Souza
leandro_pixies@bol.com.br
Taí uma banda bacana. E geralmente
bandas bacanas lançam discos bacanas.
Os ingleses do Clinic, depois da elogiada
estréia "Internal Wrangler", apostaram em cores mais sombrias para
o novo disco. O quarteto de máscaras cirúrgicas estruturou
suas canções em bases simples, abrindo espaço para
os teclados e envolvendo as canções em véus hipnóticos
e fantasmagóricos.
Essa atmosfera climática domina
o disco. Embora seja possível fazer associações ao
Radiohead fase
atual, o Clinic se distingue pelo fantástico uso de seus teclados
e pela sujeira da produção. Se "Kid A" fosse gravado numa
garagem, com instrumentos convencionais, soaria como "Walking With Thee".
Simples assim. A banda ainda tem a manha de permear suas canções
com um estranho toque pop. Faixas como "Welcome" (com corinho no melhor
estilo "ooooohuuu") e a ótima "The Equalizer" (onde uma base eletrônica
estilo gótico, uma linha de baixo poderosa e teclados emulando um
sax se fundem sob uma produção lo-fi) comprovam o fato.
Mas quando manda qualquer senso pop
às favas, O Clinic se sai muito melhor. "Harmony" e "For The Wars",
respectivamente, as faixas de abertura e encerramento do disco, são
amostras que o quarteto tem muito combustível para queimar. "Harmony"
traz uma base simples de baixo e bateria dividindo espaço com teclados
etéreos, os versos sussurrados de Ade Blackburn ("Eu acredito em
harmonia. Eu acredito em véspera de Natal") e uma escaleta arrepiante.
Já a última faixa do disco é melhor ainda, com um
preguiçoso arranjo jazzy contribuindo para o clima de despedida
e entregando o ouvinte de vez à terra dos sonhos.
A fórmula é empregada
eficientemente em outras faixas como "Come Into Our Room" e "Mr. Moonlight",
no entanto sem o brilhantismo das canções citadas anteriormente.
O Clinic não esqueceu de exercitar
sua veia rocker, que havia ditado o ritmo do disco de estréia. A
pegajosa faixa-título e "Pet Eunuch" são deliciosas descargas
elétricas, com os teclados dando aquele tempero esperto de churrasco
às músicas.
A
sedutora "The Vulture", mais as pulsantes "The Bridge" e "Sunlight Bathes
Our Home" completam um disco que, se não sensacional, possui pelo
menos o mérito de não ter nenhuma faixa fraca. Agora é
esperar pra ver se esses doutores conseguem potencializar os lampejos de
criatividade presentes nesse disco em suas próximas canções
e, aí sim, fazerem um disco do C@*#$#&!
11 faixas depois. Passados 38:41 minutos,
é hora de se perguntar: Um dos melhores discos do ano? Não
mesmo. Mas é uma bem-vinda surpresa, um disco que prova a consolidação
de uma banda talentosa, que trilha um caminho próprio e, graças
a isso, proporciona uma refrescante brisa na cena rock da terra da rainha.
"Walking With Thee" é digno da alcunha dada à banda. Um disco...
er... ...bacana. E quer saber o melhor? Acaba sair no Brasil
pelo selo paulistano Slag Records,
o que torna o prazer pela música mais... ãhn... barato. E,
convenhamos, em tempos de crise isso é muito importante.
Leandro Miguel
de Souza, 18 anos, estudante de jornalismo, gostaria de dizer que nunca
quebrou um osso e que a única vez que foi hospitalizado foi quando
teve convulsões ao ouvir Katinguelê numa festa de aniversário. |