Chemical
Brothers
por
Danilo Fantinel

"Come with us", da dupla inglesa
Tom Rowlands e Ed Simons, é um disco irregular. Os caras que inauguraram
uma nova fase da música eletrônica em 1995 com o big beat
de "Exit Planet Dust" e atingiram o mundo com "Dig Your Own Hole"
em 1997 não mostram muitas novidades em 2002.
Os brothers lançaram um álbum
que alterna composições pobres com faixas mal aproveitadas.
São poucos os acertos nesse disco cheio de mais do mesmo, no qual
até a vocalista Beth Orton deixa a desejar. Não há
nem sinais de algo parecido ao túnel sonoro construído nas
últimas cinco faixas de "Surrender" (1999), por exemplo.
A música "Come with us"
tem
uma boa edição de vocais, mas a trilha é repetitiva
e cansativa. Não é uma boa abertura para um álbum.
Pule para a segunda faixa. Não. "It began in Afrika", com
tigres sintéticos rugindo e tudo, é um tribal simplório
mais que conhecido. Batuque por batuque fique com Afrika Bambaataa, ou
mesmo Afrika Shox, homenagem de Leftfield ao DJ norte-americano dos 80.
"Galaxy Bounce", com guitarras
wah wah, é animada e contínua até uma confusão
de ruídos tomar conta da faixa. Agora podemos dizer que o álbum
começou. "Star Guitar" é perfeita. Muitas batidas
fortes aliadas a teclados leves, que puxam o ouvinte para um passeio intergalático.
Vá com os Chemical Brothers sem medo.
A ótima "Hoops" segue
a mesma fórmula, mas troca teclados por violões até
que a batida funk toma forma. Um funk século XXI, com refrão
suave interrompido por batidas nervosas. Impossível não dançar.
Impossível não lembrar do funk pornô dos bailes de
periferia do Rio.
A
dupla inglesa é conhecida por fazer excelentes faixas lentas, quase
trip hops, com colaboração de Beth Orton em sua maioria.
Dessa vez, "The Sate we're in", não repete a parceria de
sucesso. Não é uma faixa ruim, mas não envolve como
produções anteriores e não emociona, como a vocalista
costuma fazer com seus ouvintes. "Alive Alone" ("Exit Planet Dust")
e "Where do I begin" ("Dig Your Own Hole"), ambas com vocais de
Orton, são superiores não só em termos de trilha,
mas também com relação à interpretação
da cantora.
"My elastic eye", "Denmark"
e "Pioneer skies" são descartáveis. O disco acaba
bem com "The test", com vocais do ex-Verve Richard Ashcroft em perfeita
sintonia com a música da dupla.
Em uma época em que grupos
menores como Avalanches, Ladytron, Pepe Deluxé e Fischerspooner
fundem estilos e criam músicas incríveis em sonoridades diversas,
os mestres da eletrônica atual parecem perder o controle sobre samples
e seqüenciadores.
Danilo Fantinel
é jornalista e produtor de internet. Edita o
Interface - cultura alternativa. |