Duas são as maneiras de uma banda/artista repensar a carreira: ou faz uma coletânea de seus maiores sucessos ou lança um álbum ao vivo. Não deixa de ser sintomático que as duas maiores bandas britânicas da década de 90, que passaram esse período trocando sopapos e pontapés e números 1 na parada, escolham cada uma o seu caminho. Blur - The Best Of (EMI) O Blur vem de The Best Of, coletânea jóia que reúne 18 faixas do que de melhor esse grupo de universitários ingleses fez em dez anos. Das 18 faixas, 17 foram single (só This Is a Low, do álbum Parklife, não foi lançada em single). De resto, só jóia. Do primeiro single, She's So High (1990), ao último, No Distance Left to Run (1999), a banda mostra as várias caras que o próprio rock teve nos últimos anos. Dois brindes fazem parte da coletânea. Pelo primeiro você não paga nada. É a inédita Music Is My Radar, faixa esquisita, porém bacana. A tal, inclusive, foi licenciada para um portal inglês de telefonia celular, e, quando o telefone de um fã que tenha o sistema tocar, não será trimmm, mas sim a referida. O segundo bônus é mais caro. Na versão importada do CD, você ganha um outro, de "bônus", trazendo dez canções ao vivo, em Wembley, em seqüência cronológica de single. Dez. Oasis - Familiar To Millions (Sony Music) O Oasis escalda-se no álbum ao vivo. Para isso, com toda megalomania que cerca esses ex-pobretões, nada melhor que gravar o show num estádio de Wembley (veja só) lotado, com 70 mil pessoas de backing vocal. Foram dois dias, mas só as canções do primeiro foram registradas. Quer saber o clima? No inicio da apresentação do segundo dia, flagrada em um excelente bootleg, Liam Gallagher, o único rock star vivo da atualidade (rock star é, ou deveria ser, aquele cara irresponsável, drogado, puto, que fala o que dá na telha, sempre, como só Liam faz hoje em dia) manda a seguinte pérola ao pequeno público de 70 mil pessoas: "Vamos agitar essa porra. Não tem nenhum Simple Minds aqui em cima não". O repertório é aquilo. Algumas canções do fraco Standing On The Shoulder Of Giants, mas que soam legais ao vivo, e um punhado de canções (já) clássicas, com destaque supremo para as acachapantes Stand By Me, Champagne Supernova e Don't Look Back In Anger, além de versões matadoras para Hey Hey My My de Neil Young e, zuzu bem, Helter Skelter dos Beatles. No saldo final, ponto para o Oasis. E para o Blur também. Por Marcelo Costa |