Qual
a sua metáfora?
Por
Diogo M. de Farias Silva
diogo.silva@pilkington.com.br
"... Sabe? Quando alguém deita
de costas pra você, e você deita atrás bem coladinho,
e você deixa o braço assim em cima (...). É, mais tem
que botar o outro braço em algum lugar ou deixar de lado pra botar
entre os corpos. A única outra opção é deixar
esticado em cima da sua cabeça, mas algumas vezes o seu ombro sai
do lugar e quando eu durmo assim, eu geralmente procuro um lugar pra botar
o braço enquanto eu ainda fico deitado coladinho...".
E
daí?
Bem, tire suas conclusões,
este é o trecho do filme Mallrats de Kevin Smith, onde o personagem
Brodie (Jason Lee) conta à metáfora de seu relacionamento
com René (Shannen Doherty).
As metáforas são sempre
subjetivas, particulares e insanas. Talvez seja pelo fato de se fundamentarem
numa relação de semelhança subentendida entre o sentido
próprio e o figurado.
Certa vez conheci uma garota daquelas
que te dão tontura logo no primeiro contato, mas o fato é
que eu estava fechado para relacionamentos, mas não queria perdê-la
de vista. Foi então que dei para ela um vasinho com um desses pequenos
cactos ornamentais. Ela achou pouco usual e talvez de um romantismo um
tanto quanto bizarro, mas quando eu disse que o cacto é uma planta
com peculiaridades como alta resistência a ambientes desfavoráveis,
adaptativo e que necessitava de pouca água para sobreviver, mostrando
logo em seguida meu telefone marcado na borda do vasinho, ela entendeu
tudo.
As metáforas nos consomem
e são inevitáveis, pois na maioria dos casos parece que só
através delas podemos nos expressar para as pessoas que nos rodeiam.
Imagine aquele CD que você almeja
há tempos, vasculhou galerias, destrinchou catálogos e acabou
conseguindo-o num sebo em Itaquaquecetuba, pois bem, logo depois da aquisição
você passa a ter uma relação de interação
e cumplicidade tão grande e intensa que acaba esquecendo de
toda sua discoteca. A verdade é que essa parceria acaba não
sendo eterna, pois sempre aparecerá algo novo e interessante, mesmo
que leve um tempo significativo.
Em uma outra ocasião bebi
o melhor dos vinhos, conheci realmente uma pessoa que já havia conhecido.
Ela me mostrou um pouquinho de sua vida, seus livros, comentou as músicas
do Belle&Sebastian e me disse que adorava Goya e Velázquez.
O pior de tudo é que dessa vez os papéis se inverteram, ela
não estava disposta a encarar uma jornada. A verdade é que
não a conheci por completo, apenas me embriaguei aos pequenos goles.
Dessa vez eu acabei me tornando o próprio cacto, só que a
dona do cacto poderia ter cravos e gerânios que necessitam de cuidados
diários. Não, nesse caso não foi desconfiança,
talvez prudência. A prudência pode ser irmã da desconfiança,
mas é muito mais apresentável que esta.
Metaforismos amorosos são sempre
os que acabam sendo mais usados e alguém sempre tem algum para citar:
·
"Amar
é mudar a alma de casa"
Mário Quintana
· "Não há
diferença entre um sábio e um tolo quando estão apaixonados"
George Bernard Shaw
· "A ausência diminui
as paixões medíocres e aumenta as grandes, assim como o vento
apaga as velas, mas atiça as fogueiras"
Anônimo
· "Conquistar é
surpreender sem assustar"
Bianca Ramoneda
Inevitavelmente você se lembrou
daquela garotinha de tempos atrás, mas caso você não
tenha se lembrado, não se preocupe, conforme eu já havia
citado no começo, tudo é muito subjetivo, particular e insano!!!
Esse
texto é dedicado a uma garotinha punk rocker que tocou meu coração
e está com meus cd’s do B&S. |