O ano
em que Guga devolveu o orgulho de sermos brasileiros
por
Carlos Eduardo Dada Fernandes
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| Guga:
provando que bate mesmo um bolão. |
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O ano 2000 não
foi muito diferente dos anos anteriores. A pilantragem no poder foi a mesma,
o salário mínimo continuou sendo uma piada sem graça,
enfim ... Mas como o brasileiro costuma se orgulhar do país através
do esporte, vejamos: fomos um fiasco nas Olimpíadas. Tá certo
que a medalha de prata no revezamento 4x100 do atletismo foi algo formidável
e que valeu por todos os Jogos. Mas o que dizer dos "amarelões"?
O ocorrido nas finais do vôlei
de praia ainda não foi possível entender. Principalmente
no feminino. Já no masculino, não foi a primeira vez. O vôlei
de quadra masculino, então, pelo amor de Deus. Faz uma campanha
louvável na fase de classificação e acaba perdendo
para a Argentina na seqüência. Não por eles serem nossos
rivais, mas porque são inferiores mesmo.
É... mas nada se compara ao
nosso querido futebol. Que feiúra!!! Que papelão!!! Deixa
pra lá.
E tem o hipismo, com o Rodrigo Pessoa.
E eu não o culpo e nem o classifico como fiasco. Imagina o Brasil
inteiro de olho e torcendo por ele, o melhor cavaleiro do mundo na atualidade. |
Eu, particularmente, confiava demais
nele e em sua montaria. Mesmo depois daquela falta boba no início
do percurso. Mas não é fácil realmente. A responsabilidade
era gigante. O Rodrigo não estava apenas lutando por uma medalha
de ouro, e sim por todas as outras perdidas. E pelo fiasco do nosso futebol.
Ironia do destino, a vitória não pode ser concretizada por
problemas físicos de sua montaria. Coisas do esporte. E por todo
seu esforço e pela medalha de bronze por equipe, é que aplaudo
esse garoto.
Mas esses Jogos de Sydney não
foram só lamentações. As meninas do basquete mostraram
como superar a falta de estrelas como Hortência e Paula com muita
raça e vontade. As meninas do vôlei não levaram o tão
sonhado título, mas, com sempre, mostraram amor a camisa e também
muita raça e vontade. Fiquei muito chateado após a derrota
contra Cuba, não pela derrota em si, mas pela tristeza que tomou
conta das jogadoras que fizeram de tudo para vencer. E elejo a atacante
Leila como símbolo da garra do esporte feminino.
O atletismo, como de costume, contabilizou
seus feitos para o país do futebol. Com muita luta, sem lugar decente
para treinar e sem salários milionários com o da turma do
fiasco.
E o Guga? Qual a relação
dele com tudo isso? Bom, eu só quis mostrar que estivemos muito
carentes de alegrias nesse ano. E como o esporte é o que nos faz
rir de felicidade no Brasil, e o futebol, como o principal deles, é
só palhaçada (nem vou tocar na virada de mesa da Copa JH),
alguém tinha de nos salvar.
É lógico que não
esqueci da vitória de Rubinho Barrichello na F1, mas o título
na Masters Cup e o 1º lugar nos dois rankings do tênis mundial
fizeram de Guga o nosso maior orgulho. Desta vez não tem porém
algum. O mundo todo sabe e viu Gustavo Kuerten mostrar quem manda no assunto
tênis. Ele merece. Nós brasileiros merecemos essa alegria.
Que os outros esportes e atletas,
principalmente no futebol, se mirem no exemplo das meninas do vôlei
de quadra e do basquete e no "manezinho da ilha", e mostre que a garra
e a vontade de se superar para vencer vale muito mais que qualquer outra
coisa nesse mundo.
Valeu, Guga!
Carlos
Eduardo “Dada” Fernandes, 23, nasceu em Taubaté, torce para o Santos,
e ganhou o cd “Run Devil Run” do “tio” Paul McCartney num amigo secreto. |