7ª
Erotika Fair SP
por
Marcelo Toledo 11/07/2002
Qual
a expectativa de quem vai a um evento como a Erotika Fair? A minha,
pelo menos, era encontrar um ambiente que estimulasse a libido,
pois este me parece ser o gancho de marketing da feira. Imaginei
que veria belas mulheres vestidas com roupas provocantes, distribuindo
brindes, folhetos ou demonstrando produtos nos stands, como se
costuma ver nas outras feiras. Quem já foi ao Salão
do Automóvel, a qualquer feira de tecnologia ou até
mesmo à Bienal do Livro sabe do que estou falando.
Assim
que cheguei ao estacionamento, percebi que a minha expectativa
não era muito diferente do senso comum. A maioria das pessoas
na fila eram homens, em bandos, e todos com a ansiedade aparente
e sorriso maroto, como era de se esperar. Como os micos só
acontecem com os outros, aviso o caro leitor de que eu me mantive
absolutamente tranqüilo na fila, com todo o ar blasé
que me é característico.
Logo
após a bilheteria e a indefectível revista, o profundo
decote de uma bela morena entregava a todos um sachê com
gel íntimo na entrada da exposição, e isso
me fez crer que a minha expectativa se concretizaria. Infelizmente,
logo em seguida veio a decepção. A feira, que já
está em sua sétima edição, e passou
por cidades como Florianópolis, Curitiba e Salvador, além
de São Paulo, deveria saber preparar melhor o ambiente.
Instalada
em um velho galpão, não havia glamour ou cuidado
na apresentação dos stands desta feira. Vários
deles estavam vazios, ou apenas com uns pobres banners pendurados.
Poucas mulheres, pois até os atendentes dos stands de sex
shop eram homens. E não acredito que isto poderia excitar
as visitantes, pois estes profissionais manejavam vibradores e
que tais como se fossem peças de máquina de lavar
ou telefones celulares.
E
quais os destaques da feira? Bem, tinha lá uma sósia
da Tiazinha, muito vulgar, que se apresentava cantando um cover
da Suzana Alves de hora em hora. No palco em frente à praça
de alimentação, revezando-se com a falsa Tiazinha,
uma Feiticeira mais falsa ainda dançava ao som do último
sucesso da Shakira. Claro que estas atrações eram
apresentadas por uma drag-queen que se achava melhor do que Luciana
Gimenez ou Adriane Galisteu…
Outra
curiosidade era a quadra em que homens e mulheres disputavam futebol
no gel. Claro que a empresa que distribuía o gel íntimo
na recepção era a mesma que ajudava a galera a se
lambuzar na tal quadra. Achei uma boa jogada de marketing, uma
das raras boas idéias de marketing que vi neste evento.
Mas sobre isto vou falar mais adiante. Voltemos às atrações.
A
feira se dividia em 3 atividades distintas. Além dos 20
e poucos stands da área de exposição, havia
um "Parque Erótico" e uma sala reservada para shows. No
parque, pagava-se 3 reais para entrar em stands fechados com atividades
como massagem erótica, dança com umas mulheres sadomasoquistas
e "swing games", entre outras. Uma falha da organização
foi não deixar uma área envidraçada para
que o público pudesse espiar o que se passava no interior
das salas, como havia no ano anterior (a foto no fim do texto
é da 6ª edição). Isto com certeza esquentaria
mais os visitantes.
Também
por 3 reais tinha-se acesso ao palco reservado para os shows.
Revezavam-se strippers que, vez por outra, chamavam pessoas da
platéia para interagir. Uma das melhores bailarinas que
vi foi uma tal Renata. Além de dançar bem, tinha
um corpo escultural. Mesmo sabendo que maquiagem e a luz certa
fazem milagres, poderia jurar que aquela garota não tinha
vestígios de celulite. Como já disse, mico só
acontece com os outros, e faço questão de afirmar
ao caro leitor que não gritei, não assoviei, não
chamei a moçoila de gostooooosa, nem ofereci casa, comida
e roupa lavada, como certos indivíduos presentes…
Mas
vamos à parte séria. A Erotika Fair proporcionou
um retrato da realidade brasileira deste mercado de produtos eróticos
e de serviços ligados ao erotismo. Mesmo com bom potencial
de negócios e muito dinheiro envolvido, este mercado ainda
está mal organizado, apesar das boas idéias. Um
release divulgado pela organização aponta que as
locadoras faturam anualmente 6 milhões de reais com filmes
eróticos. E não havia nenhuma distribuidora de filmes
lá, para promover lançamentos e fazer noites de
“autógrafos” com as atrizes e atores.
O
mesmo documento informa que revistas faturam R$ 48 milhões
ao ano, e sites faturam R$ 12 milhões. Mesmo assim estavam
ausentes do evento, com exceção para da Sexy, com
os inconfundíveis vendedores de assinatura da Editora Abril:
"Já pegou seu brinde, amigo?". Quem marcou presença
foi a DKT – ONG responsável pela produção
das camisinhas Prudence. Com muito material informativo sobre
AIDS e DSTs, eles tinham um engraçado trailler para vender
preservativos a preço de custo, masculino e feminino.
Em
resumo, uma feira de negócios, boa para empresários
do setor, donos de motéis, sex shops, etc. Para o público
em geral, se a minha opinião realmente bater com o senso
comum, a expectativa não foi correspondida. Para melhorar
a imagem do evento junto ao grande público, faltou marketing:
distribuição de brindes, contratação
de belas modelos, e mais atrações gratuitas. Quem
sabe no próximo ano, aquela stripper não me chama
no palco para uma massagem erótica? Claro que irei com
meu ar blasé, caro leitor…
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