Confins
da Terra
por
Carmela Toninelo
E
tudo começou em uma noite.
Sentei em frente ao computador disposta
a usufruir pela primeira vez do e-commerce. Decidida a comprar um livro,
ainda sem nome, eu fui à busca. Nada parecia me atrair, até
o momento da seção de queima de estoques de uma simpática
livraria.
Foi quando a obra ganhou nome. "Os
confins da Terra" era um título de peso. Na memória, eu me
via sempre nas livrarias reais a acariciar seu formato, suas páginas
e a chocar-me com seu preço - R$60,00. Mas alí estava eu
... observando uma página na web com a oferta - R$14,00. Ahh, não
deu outra. Clique no "comprar" e negócio fechado.
"Os Confins da Terra, uma viagem na
véspera do século 21" (Bertrand Brasil, 1996 - 545 páginas),
traz um jornalista americano, Robert Kaplan - com bloco de notas e mochila
nas costas, viajando por lugares inusitados e inesperados. Uma viagem através
da África Ocidental, Egito, Irã, Ásia Central, Índia,
Paquistão e Sudeste da Ásia.
A intenção de Kaplan,
ao escrever o livro, era expor suas investigações sobre o
efeito da explosão demográfica e da degradação
do ambiente nesses países, bem como observar a forma como as várias
culturas que encontrasse reagiriam a esse efeito. Mas o encontro e a rápida
vivência com diplomatas, ministros de estado, contrabandistas e moradores
locais, fez Kaplan perceber o verdadeiro problema, em lugares tão
separados como Serra Leoa e China Oriental. O renascer de antigos conflitos
culturais e também a dissolução de fronteiras nacionais
à medida que as regiões iam se definindo segundo as linhas
étnicas e históricas.
As observações realistas
de Kaplan permitiram que o mesmo fugisse de generalizações
grandiosas sobre o choque de civilizações e pudesse substituí-las
por retratos íntimos das pessoas que conheceu. Foi na miserabilidade
da existência diária e nos medos, frustrações
e ideais das pessoas, que Kaplan buscou a chave do futuro de um país.
O livro não é uma obra
comum, nem tampouco rápida. Impossível é iniciar a
leitura e desejar terminá-la no mesmo dia.
Necessita-se de tempo para digerir
e compreender tamanha quantidade de números, índices, fatos
históricos e atuais que Kaplan apresenta. E ele não mede
palavras para criticar ou até mesmo idealizar nações.
Seu discurso é complexo, mas também íntegro e contextual.
Não buscando um romance ou
ficção, encontramos neste livro a realidade sóbria
de países até então, menos favorecidos - economicamente,
politicamente. Uma ótima pedida para atualizarmos nossos conhecimentos
culturais menos desenvolvidos. E não esqueça, antes de procurá-lo
em uma livraria real, tente uma visitinha virtual ... não garanto
a barbada de preço, mas vale tentar!
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