Dez
(Quase) Amores
por
Carmela Toninelo
É
final de outubro, eu acordo meio jururu, vou para São Leopoldo fechar
algumas matérias, sabendo que até o meio dia devo estar de
volta em Porto Alegre para a minha costumeira sessão terapêutica
em grupo. Penso e não penso em ir. Acho que não estou em
um dia muito bom para me deixar ser analisada (isso se eu expor alguma
coisa). Acho que não estou me sentindo muito forte para convencer
alguém sobre as minhas análises também.
Quase onze da manhã e eu estou
voltando para Porto Alegre. Esqueço das horas e esqueço a
terapia. Vou comprar CDs no centro de Porto e me iludir com a idéia
de que boa música irá elevar meu espírito.
Compro CDs, continuo andando entre
a multidão que se encontra no centro, sinto calor,... o sol também
estava forte. Vejo a Galeria Chaves, me lembro do senhor-menino Takeda
e suas indicações literárias. Entro numa livraria.
"Dane-se o consumo de hoje", penso.
"Tô merecendo, tô merecendo", termino.
Saio da livraria com uma quase alma
inquieta. Preciso ler o livro, e rápido. E ouvindo um dos CDs novos,
sento confortavelmente no transporte público que me levará
de volta à São Leopoldo. Abro o livro. E leio. Sem parar.
Dez (quase) Amores de Cláudia
Tajes foi a melhor sessão terapêutica do dia. Aliás,
não existiram outras 120 páginas de leitura, capazes de fazer
tão bem à minha pessoa - tão depressa e tão
empolgantemente.
A narrativa de Cláudia, pela
personagem central Maria Ana, é dividida em 10 contos estilo comédia
romântica. Ou como a própria autora descreve "Amores que viraram
histórias. Histórias que viraram amores. Ou quase."
Há mais comédia que
romance. Corações partidos, regenerando-se rapidamente. Encontro
e desencontros. Infância, adolescência, amadurecimento e (quase)
maturidade.
Maria Ana é uma dentre tantas
- parecidas mas não idênticas - mulheres. Feminismo barato
e apocalíptico não há. O que encontramos é
uma feminilidade típica. A característica vaidosa de uma
mulher que se arruma, mas não se descabela quando o fim de um relacionamento
- que parecia ser o perfeito - é anunciado.
Maria Ana é sensível
e frágil como toda mulher. Sonha com cavalos brancos e príncipes
encantados, mas graças ao bom tom de Cláudia, não
age como uma Branca de Neve ou uma Cinderela. Por vezes poderá até
agir como uma bruxa ou uma tia maquiavélica.
Vá ler.
Se não quiser gastar 18 reais
que a publicação exige para a posse, entre na fila dos que
agora, revezam o empréstimo da boa obra terapêutica.
Carmela
Toninelo, que após terminar a leitura prometeu pintar os cabelos
de branco e ir correndo comprar Intimidade
- na livraria mais próxima |