Retratos
de Uma Obsessão
por
Silvia C. Almeida
O que você faria se não
tivesse uma família? O que você faria se não tivesse
ninguém para amar e compartilhar a vida? O que você faria?
Esses questionamentos talvez nunca
tenham passado por sua cabeça, leitor. Você deve ter pelo
menos uma pessoa no mundo com que possa contar. Não é o caso
do personagem Seymour "Sy" Parrish, interpretado brilhantemente por Robin
Williams no suspense "Retratos de uma Obsessão" (One Hour Photo,
2002).
Sy é um pacato e solitário
balconista de um laboratório de revelação de fotos
em 1h no supermercado Savmart. Dedicado, procura fazer o seu trabalho da
forma mais precisa possível, tudo para ver a satisfação
de seus clientes, por quem zela tanto como se fossem da sua própria
família.
Sy tem alguns clientes preferenciais,
como a família Yorkin, a qual idealiza e se sente parte dela. O
revelador de fotos chega a sonhar que é o tio de Jake Yorkin (o
filho) e que freqüenta a casa da família à vontade.
Além disso, ainda tem em seu apartamento uma parede inteira recoberta
de fotos dos Yorkin ao longo dos anos, copiadas às escondidas no
trabalho.
O que poderia ser apenas um
excesso de cuidado, vai se tornando uma grande obsessão quando Sy
descobre que aquela família que ele tanto idealizava não
era perfeita.
E ele vai tentar "consertar" isso,
novamente se sentindo parte da família, e tendo mais um motivo para
estar com raiva: a sua demissão no emprego por conta da discrepância
de fotos a mais que copiava às escondidas.
Dirigido por Mark Romanek, especialista
em videoclipes, "Retratos de uma Obsessão" prende o telespectador
com cenas de extrema angústia e suspense, e tudo isso sem uma gota
de sangue derramada – a não ser na cena do pesadelo de Sy, com os
seus olhos jorrando sangue, bem ao estilo de Stanley Kubrick.
Robin Williams prova ser um ótimo
ator em um papel muito longe do que era acostumado a fazer em seus outros
filmes.
O longa também coloca o questionamento
anteriormente mencionado: o que você é capaz de fazer não
quando se sente sozinho, mas quando é sozinho?
Acho que você nunca precisou
pensar nisso, não é leitor?
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