Jalla!
Jalla!
por
Marcelo Silva Costa
Suécia, 2000. Duas histórias
bem particulares resultam em uma comédia deliciosa. A primeira:
um jovem imigrante libanês sofre pressão familiar para casar-se
com uma garota libanesa que não conhece, imagine amar. A segunda:
um rapaz sueco enfrenta o drama da impotência.
Roro (Fares Fares) trabalha na limpeza
pública com seu amigo Mans (Torkel Petersson). O libanês Roro
está completamente apaixonado pela sueca Lisa (Tuva Novotny) com
quem mantém um namoro. O grande problema é explicar para
sua família que ele está apaixonado por uma sueca e explicar
para a namorada o conflito familiar que essa escolha causará. Enquanto
enrola a namorada do jeito que pode para não ter de enfrentar a
família, Roro se vê numa confusão maior: sua família
já arranjou-lhe uma esposa. A escolhida é a doce Yasmin (Laleh
Pourkarim) que precisa casar-se para não ser deserdada/deportada.
Nem Roro nem Yasmin querem se casar, mas a pressão familiar é
tanta que ambos decidem fingir que aceitam a idéia. A cena em que
se conhecem, com toda família bisbilhotando é impagável.
A pressão familiar de ambos
os lados é tão forte que os dois são obrigados a passar
mais tempo juntos, o que faz Roro mentir para Lisa dizendo que Yasmin é
sua prima. Porém, é questão de tempo para Lisa descobrir
a verdade e acabar com tudo.
Por outro lado, seu amigo Mans enfrenta
um problema, ahñ, maior. Apesar de todos os esforços de sua
namorada, Jenny (Sofi Ahlstrom Helleday), em seduzi-lo e animá-lo,
Mans simplesmente não consegue fazer sexo. Dessa cruel constatação,
Mans começa a procurar remédios (desde medicina natural)
e estimulantes (vídeos, roupas, chicotes) que tragam de volta seu
tesão. Todas as dúvidas que tal situação devem
trazer a cabeça masculina estão explicitas de forma tragicômica
aqui. Quando Mans recorre a um sex shop é impossível não
rir...
Atente para as passagens impagáveis
protagonizadas pelo personagem surdo/mudo de Benyam Eriksson (Benson),
"primo" distante do Hélio de La Peña do Casseta e Planeta,
e pela poderosa barriga do pai de Roro, Farsan (Jan Fares).
Marcando a estréia do diretor
Josef Fares (então, com 23 anos) na sétima arte, "Jalla!
Jalla!" é delicioso, engraçado, humano, inteligente e romântico.
Pisando o território das comédias românticas tanto
quanto das comédias de erro, "Jalla! Jalla!" mostra como o diretor
vê o contraste cultural entre suecos e libaneses, afinal Josef nasceu
no Líbano e imigrou para a Suécia quando tinha 10 anos, convivendo,
em casa com os valores libaneses e, no trabalho e na rua, com o modo de
vida sueco.
Colocando o dedo na ferida libanesa,
Josef cria uma bem humorada comédia romântica que funciona
a perfeição mesmo para olhos brasileiros, tanto que conseguiu
um relativo sucesso na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo
em 2001 e o prêmio de Melhor Primeira Obra do 4º Festival Internacional
de Cinema de Brasília de 2002, além de sair vencedor do US
Comedy Arts Festival e o Bermuda International Film Festival.
E se você observou bem os sobrenomes,
Jan Fares e Fares Fares são, respectivamente, pai e irmão
do diretor Josef que recrutou, ainda, vários parentes e amigos para
o elenco de "Jalla! Jalla!". Confira, vale a pena.
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