Divonos
Segredos
por
Marcelo Silva Costa
Sandra Bullock está de volta,
mas a esqueça. Os melhores momentos de "Divinos Segredos" ("Divine
Secrets of the Ya-Ya Sisterhood – 2002") dizem respeito as "coroas" Ellen
Burstyn, Maggie Smith, Fionnula Flanagan e Shirley Knight que roubam várias
cenas dessa mediana comédia dramática familiar.
Sandra Bullock é Siddalee,
uma garota que deixou sua terra natal (a Lousiana) para tentar a sorte
como dramaturga em Nova York, cidade em que vive com seu namorado, Connor
(Angus MacFadyen). A tentativa também escondia uma fuga: a do domínio
neurótico imposto por sua mãe, Vivi (Ellen Burstyn de "Réquiem
Para Um Sonho" e Ashley Judd, quando jovem).
O relacionamento mãe e filha
segue intacto até uma malfadada entrevista de Siddalee para a revista
Time (a Veja norte-americana, guardadas as devidas proporções,
claro) em que a filha sugere que Vivi não foi uma boa mãe
ao revelar memórias familiares. Desse ponto em diante, as duas mulheres
iniciam uma longa briga (e haja telefones) que ameaça por fim ao
relacionamento familiar tanto como ao casamento marcado de Siddalee.
Percebendo o tamanho da encrenca,
um grupo de amigas de Vivi põe mãos a obra e "seqüestra"
Siddalee pretendendo apresentar a jovem como foi a vida de sua mãe
na adolescência. As amigas de Vivi formam uma fraternidade chamada
Ya-Ya, um grupo de quatro mulheres que desde crianças viveram e
aprontaram muito, todas sempre unidas. Dispostas a sempre ajudarem umas
as outras, as Ya-Ya tentam mostrar para Siddalee porque sua mãe
bebe demais, é excêntrica e egocêntrica. Drama e diversão
debaixo do mesmo teto.
Estréia na direção
da roteirista Callie Khouri, ganhadora do Oscar com "Thelma & Louise"
(1991), "Divinos Segredos" é mediano, mas diverte ao analisar problemas
familiares com singular criatividade e delicadeza. Não tem a força
de "Thelma e Louise", mas traz diálogos inteligentes e afiados que
fazem pensar, principalmente, os homens, já que se estes são
meros coadjuvantes da trama, podem olhar com distanciamento esse filme
"feminino".
Dessa forma, Khouri vai das picuinhas
aos problemões tentando "provar" que ser mãe é, como
diz o antigo ditado, padecer no paraíso. A grande pergunta que fica
é: onde padecem os filhos?
Meio que perdoando as excentricidades
maternas(que não servem como justificativas, mas, você sabe,
mãe é mãe), "Divinos Segredos" tem alguns bons momentos,
resultando bastante assistível, principalmente no tocante a atuação
de Maggie Smith e Ashley Judd.
Se Sandra Bullock faz o básico
do básico, uma mera aparição da dama Maggie Smith
faz o cinema vir abaixo em gargalhadas. Carregando quase sempre em uma
das mãos uma garrafa de vodca e deixando a outra para puxar um garrafão
de oxigênio, Smith está impagável (assim como em "Assassinato
em Gosford Park", que lhe rendeu uma indicação ao Oscar
em 2001).
Se você quer um filme leve,
"Divinos Segredos" é uma boa pedida. Mas os dois filmes linkados
neste texto surgem bem mais obrigatórios.
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