Resident
Evil - O Hóspede Maldito"
por
Marcelo Toledo
Os únicos motivos para ir ao
cinema ver este filme de Paul Anderson são a belíssima estética
de Milla Jovovich e os lábios carnudos de Michelle Rodriguez. Acredite,
caro leitor, mas é só. Com um dos rostos mais perfeitos que
eu já vi no cinema, e muito bem explorado nos closes, Milla parece
bem à vontade no papel de uma mulher com amnésia, que aos
poucos vai re-descobrindo seus dotes para o combate e a sobrevivência
em situações adversas, a medida em que vai recobrando a memória
e percebendo a confusão em que estava metida.
"Resident Evil - O Hóspede
Maldito" é baseado em um jogo homônimo da Capcom. Entretanto,
de acordo com o diretor e roteirista Paul Anderson, a história do
filme se passa antes da saga mostrada nos jogos da série. Anderson
deve estar querendo ser dono do filão, já que está
é a segunda adaptação que o cineasta faz de games,
trabalhando anteriormente em "Mortal Kombat".
Os fãs tem comentado aos quatro
cantos que está é a melhor adaptação para um
filme de game. Que me perdoem, mas filmes como este atentam contra a nossa
inteligência. Veja algumas curiosidades: em sua primeira cena no
filme, Milla está nua, caída no box do chuveiro, e enrolada
de forma bastante insinuante na cortina do box. Ela se levanta, se cobre
com um elegante robe de cetim, a história vai se desenrolando, e
quando você menos espera, lá está ela, magnífica,
lutando contra mutantes genéticos e bandos de mortos-vivos, em um
vestido vermelho de alças, todo vaporoso, que nunca rasga, nem suja,
nem se modifica... nunca!
Pausa. Caro leitor: há tempos
li uma obra de Jorge Mautner, e gostei do modo como ele criava conceitos
pela simples justaposição de palavras, bem ao estilo alemão
de escrever. Adotarei a fórmula. Voltemos ao filme.
E o que dizer dos agentes ultra-bem-treinados
que são enviados para descobrir o que havia acontecido no local
ultra-bem-guardado que era um laboratório ultra-hiper-secreto, comandado
por um ultra-hiper-computador? Bem, eles enfrentam os vilões da
história com ultra-modernos revolveres calibre 38...
Mas há outras qualidades no
filme. A personagem de Michelle Rodriguez é uma militar de nome
Rain, que não tem medo de nada, encara todas as paradas e está
sempre com um ar insinuante-erótico-desafiador, que devo reconhecer,
me agradou bastante, até quando ela estava toda arrebentada...
O que eu considero relevante é
observar que o filme se baseia em lugares comuns, como se fosse uma colcha
de retalhos de outras produções. Os zumbis lembrarão
um vídeo-clipe do Michael Jackson, o lance da experiência
genética também já está batido, a super-mega-corporação
responsável por toda a confusão deve ter sido inspirada no
Robocop, e por aí vai.
Mesmo a exploração da
beleza de Milla Jovovich já não é novidade, para aqueles
que se lembram dela com cabelos laranja e belíssima em "O Quinto
Elemento". Infelizmente, o expediente do liquidificador torna-se mais e
mais comum, e acaba por contaminar gêneros que não deveriam
utilizá-lo. Alguém se lembra da cena do chuveiro de "Psicose",
em que a sombra da faca e o close no rosto da garota no banho eram suficientes
para eletrizar a platéia. Bons tempos...
Porém, citando um cartum de
Laerte,
o filme deve ser muito bom para aqueles que acreditam que vida "são
aqueles coracõeszinhos ali no canto da tela. Se perder os três
tem que começar tudo de novo"...
Começando tudo de novo: Os
únicos motivos para ir ao cinema ver este filme de Paul Anderson
são a belíssima estética de Milla Jovovich e os lábios
carnudos de Michelle Rodriguez. Acredite, caro leitor, mas é só...
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