É sério?
por Marcelo Silva Costa
 
"Refém do Silêncio" (Dont’ Say a Word) começa bem, com um assalto a banco. A camêra consegue registrar o nervosismo do ato e a confusão que esse ato acarreta. Ladrões que roubam ladrões.  

Daí para frente a coisa se perde. Cinco minutos devem durar essa cena inicial e todo o resto que se verá não chega ao impacto desse inicio fulminante. 

Estamos diante de um thriller típico de bandidos e mocinhos. Os bandidos querem um diamante e irão fazer o possível e o impossível para ter esse diamante em mãos. O mocinho é um psiquiatra nova-iorquino que tem uma filha graciosa e linda, assim como uma esposa linda e graciosa.  

Básico, básico, básico.  

Mas a pergunta que fica é: como thriller, "Refém do Silêncio" consegue funcionar? Não.  

O filme é fraco. Boas atuações de Michael Douglas (como o psiquiatra Nathan Conrad) e Brittany Murphy (que se saiu muito bem em "Garota, Interrompida") não salvam um roteiro exagerado e óbvio.  

Cinco ladrões roubam um diamante em um banco. Um desses passa os outros para trás e, o chefe do grupo, ao saber que foi "roubado" (ironia, ironia) tenta voltar ao banco e é preso. Dez anos depois ele é solto e decide ir atrás do "amigo". É estranho que mesmo dez anos depois o amigo ainda não tenha vendido o diamante e sumido para as Bahamas ou para o Brasil, mas tudo bem.  

Na busca pelo diamante, uma garota. Elisabeth (Brittany Murphy) é a filha do amigo ladrão e sobre de ataques psicóticos. Ela tem um número, o número que levará os bandidos ao diamante. Mas sua loucura não a permite falar nada além de "não direi nada".  

O Dr. Nathan é o encarregado em tentar tirar de Elisabeth esses números, caso contrário, sua filha graciosa e linda, morrerá. E é isso. Precisa dizer como acaba?  

Um exemplo. Uma cena, em particular, chama a atenção. Aggie Conrad (Famke Janssen, que estrelou o elenco brilhante de "Celebridades" de Woody Allen) está deitada na cama. Ela está com a perna engessada, devido a um acidente de esqui. Quando o chefe dos ladrões descobre que algo aconteceu errado, manda um de seus capangas matá-la. Ela, engessada, mais fraca, acaba se saindo melhor. Como? Enfiando uma agulha de tricô no peito do bandido. A sala de cinema veio abaixo, em risos. E eu acho que a cena não era para ser uma piada...