"Redemoinho"
Por
Marcio Souza
Será que eu entendi direito?
Um peixe é o narrador! Bom, até aí, tudo bem, o ‘peixe-anjo’
começa a história, num ambiente viscoso, que tenta representar
o modo que o ser humano trata a si mesmo, que fala sobre culpa e redenção.
De uma maneira bizarra e mal humorada.
Depois de cometer um aborto, perder
seu status e de atropelar e matar por acidente um velhinho, uma jovem entra
numa jornada de auto destruição que, aparentemente, não
leva a nada, já que ele não tem coragem o suficiente para
fazer o que aparenta tentar.
O título é bem apropriado.
O mar e os peixes são a representação da culpa, com
seu cheiro impregnado, ela, por mais que se lave, não tira de si
a responsabilidade.
Que parâmetro, não!
O filme é praticamente dividido
em dois atos, apesar de eu achar que a intenção não
era essa. Na primeira meia hora, é difícil de agüentar,
a trama é lenta e desconexa, quase surreal, que vai caminhando pra
um final óbvio. Quando o filme engrena, somos apresentados a uma
boa comédia de humor negro, quando a jovem se apaixona pelo filho
do pobre velhinho. Momentos de leveza em meio a tanta esquisitice.
Tentando, mais uma vez, se redimir
da culpa, tudo quase se perde novamente. Mais choro, mais banhos, mais
tentativas de se explicar em vão a culpa humana. Enfim, megalomania
boba, que talvez, faça sentido para alguém que esteja se
sinta culpado (que redundância!!!).
Engraçado
é que o filme, rodado em Quebec, parte francesa do Canadá,
é sim, um filme francês típico, apesar da falta de
diálogos inteligentes é claro. A intenção de
soar moderno é alcançada em poucas passagens, o que, é
claro, não torna o filme ruim (como vocês já devem
achar que é a minha opinião). Não, ele não
é ruim, é estranho demais para uma sessão sem compromisso,
cansativo demais para ser acompanhado com um saquinho de pipoca. Talvez,
pomposo demais pra mim.
Não vou comer peixe por um
bom tempo! (rss).
Feito sobre encomenda para jovens
alternativos dispostos a bancar os cinéfilos alternativos antenados.
E só. |