Aproveite
a pipoca
por
Marcelo Silva Costa
15 minutos é um filme
mediano. Eu preciso dizer isso antes de começar a pegar no pé
de toda cultura cinematográfica que de uns dois anos para cá
se especializou em fazer bons filmes ao invés de obras clássicas
e sensacionais. Tudo soa mediano demais. Um épico de liqüidificador
como “Gladiador” ganha Oscars e elogios entusiasmados (pegue algumas doses
de filmes de arena, misture algumas pitadas de romance e empreste a espinha
dorsal de Coração Valente). Um filminho bacana para sessão
da tarde como Erin Brockovich é indicado ao Oscar. Um bom filme
como Traffic é chamado de excelente sem passar grandes emoções,
apenas contando sua história (uma história que todo mundo
está cansado de saber) de forma inteligente. Enquanto eu tento entender
como pessoas choram em um filme como “Dançando no Escuro” e como
é possível alguém gostar de um filme terrivelmente
chato como “Dr. T e as Mulheres”, o cinema passa e caravana não
ladra. Tudo soa deja vu.
É impossível ver 15
minutos e não pensar em Assassinos por Natureza e isso já
corta um pouco do tesão.
Mas não sejamos maldosos porque
mesmo assim o filme vale a entrada. E Robert de Niro vale a pipoca, o cara
é sensacional.
15 minutos discute a manipulação
da mídia. Dois bandidos estrangeiros (um russo, outro polonês)
entram nos Estados Unidos buscando um terceiro bandido que conseguiu fugir
com a grana de um assalto na Europa, enquanto estes dois passaram um tempo
vendo o sol nascer quadrado.
Nos Estados Unidos, a terra da liberdade,
eles descobrem que o sensacionalismo rende mais dividendos do que qualquer
outra coisa, e quer coisa mais sensacionalista que filmar seus próprios
assassinatos? Quer produto mais vendável que assassinar alguém
famoso?
Todo mundo tem direito a 15 minutos
de fama, disse Andy Warhol. Mas nossos dois amigos não querem apenas
15 minutos. Eles querem a vida toda, querem inspirar livros, filmes, cultos,
mas 15 minutos são 15 minutos, não há como escapar,
sussura Warwol.
É só isso. Você
achou pouco? Eu também, mas a pipoca estava boa...
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