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A
magia está no ar
por Tatiana
Tavares
É tempo de preparar as varinhas,
vestir o chapéu pontudo e a capa de invisibilidade e se posicionar
em frente ao caldeirão. Estréia nos Estados Unidos e Europa:
"Harry Potter e a pedra filosofal", filme do diretor Chris Columbus,
baseado no primeiro livro da série que conta as aventuras e desventuras
do menino bruxo de 11 anos, da escritora inglesa J.K Rowling.
No Brasil as crianças - e adultos,
por que não? - vão ter que esperar até o próximo
final de semana para ver na tela o resultado que custou nada menos que
US$ 150 milhäes. Serão cerca de 350 cópias espalhadas
por todo o Brasil.
E a Warner não está
brincando em serviço quando o assunto é "magia". No próximo
dia 14, estréia o novo filme de Xuxa, "Xuxa e os duendes",
dedicado a crianças mais novas, entre os quatro e oito anos e em
primeiro de janeiro do ano que vem, entra em cartaz o primeiro lançamento
da trilogia "O senhor dos anéis", dirigido ao público
adolescente e adulto.
Mas o que há de tão
especial em Harry Potter e sua turma? Talvez nem a própria autora
saiba a resposta. Há pouco mais de quatro anos, ela, recêm-separada
do marido, enfrentava um dos piores momentos de sua vida, mantendo-se através
do seguro desemprego pago pelo governo de seu pa¡s. Um belo dia,
como num passe de mágica, Rowling teve uma idéia brilhante
e começou a contar a história de um garoto órfão
criado pelos tios, que aos 11 anos descobre que é um bruxo, assim
como seu pai, e recebe um convite para estudar em Hogwarts, a maior escola
de magia do mundo.
Não haveria nada de surpreendente
nisso tudo, se o livro não tivesse se transformado em mania na Inglaterra
- onde vendeu mais de 100 milhões de exemplares - e se todo este
fanatismo nào tivesse feito com que a escritora de 36 anos se tornasse
uma das 14 personalidades mais ricas da Grã-Bretanha. O livro, que
mais tarde seria traduzido em 47 idiomas, perdendo apenas para a B¡blia,
e lançado em 200 pa¡ses, acabou despertando o interesse da
Warner Bros que, depois de muito trabalho, começou a rodar o primeiro
filme da série de pelo menos quatro (o livro está no
quinto volume e a autora promete ainda mais dois para o ano que vem e o
próximo) que chega às telas agora.
Antes de Chris Columbus, responsável
pelos sucessos "Esqueceram de mim 1 e 2", assumir a direção
de "Harry Potter...", o trabalho esteve nas mãos de Steven Spielberg,
seu "mestre'. Mas o diretor de "E.T" quis promover mudanças estruturais
no filme como, por exemplo, passar a ação da Inglaterra para
os Estados Unidos e construir seu elenco com crianças americanas,
o que a autora desaprovou imediatamente. Depois de uma série de
discussões com a "mãe" de Potter, Spielberg acabou decidindo
se dedicar a "AI - Inteligência artificial", mas muitos garantem
que ele estaria querendo retomar o projeto a partir do terceiro filme.
Se isso é verdade, ninguém
sabe. O que se tem certeza é de que, após os primeiros problemas
com Spielberg, a escritora fez Chris Columbus prometer que seguiria à
risca toda a história de seu livro. E como promessa é d¡vida,
o resultado agradou não apenas à escritora, mas às
dezenas de famosos e anónimos que assistiram às pré-estréias
em Londres, há uma semana, chegando a pagar até US$ 700 por
um ingresso nas mãos de cambistas. Foram realizados testes com mais
de mil crianças inglesas para escolher quem viveria Harry, Rony
e Hermione, o trio inseparável que apronta as maiores confusões
pelos corredores da escola e a Floresta Proibida. Daniel Radcliffe, filho
de um assistente de estúdio e uma diretora de elenco, encarna o
personagem t¡tulo. Rupert Grint é o ruivinho Rony Weasley
e Emma Watson é Hermione Granger, a primeira aluna da turma. Entre
as crianças destaca-se ainda Tom Felton, na pele do arqui-inimigo
de Harry, Draco Malfoy. Columbus teve a preocupação de manter
professores particulares nos estúdios e não expor demais
as crianças na m¡dia, para que pudessem ter a vida mais normal
poss¡vel.
No elenco adulto, os destaques ficam
para Richard Harris, visto recentemente em "Gladiador" (que interpreta
o professor, diretor da escola e uma espécie de protetor de Harry,
Alvo Dumbledore) o grandalhão Robbie Coltrane (encarnando o guarda-caça
e amante de monstros esquisitos, Rubero Hagrid), Maggie Smith (como
a enérgica professora Minerva) e Alan Rickman (como o sinistro e
sombrio professor Snape). Todos os atores do elenco adulto contaram, durante
a entrevista coletiva realizada em Londres no in¡cio do mês,
que seus filhos e netos foram os principais responsáveis pela reprodução
fiel do que está nas 267 páginas para a tela grande.
Tudo começa quando um bebê
de pouco mais de um ano é deixado na soleira da porta dos Dursley,
dez anos atrás. O tempo passa e Harry Potter, maltratado pelos tios
que o colocam para dormir dentro de um armário, descobre que seus
pais não haviam morrido em um acidente de carro, como lhe fora contado
a vida toda. O menino descobre também que é famoso no mundo
dos bruxos e que não faz parte do universo dos trouxas (pessoas
sem poderes mágicos). Ele recebe uma carta de Hogwarts, convidando-o
a fazer parte da escola.
Da¡ para a frente, ao conhecer
Rony e Hermione no trem que os leva ao lendário castelo onde fica
a escola, uma série de confusões e aventuras vão se
seguindo, narrando as aulas de poções, defesa contra as artes
das trevas, vôos em vassouras e etc.
O filme, apesar das duas horas e meia
de duração, tem um ritmo ágil e prende a atenção
do espectador do in¡cio ao fim, principalmente daquele que leu o
primeiro livro. Toda a história está na tela, com excessão
de uma cena ou outra que foi encurtada para diminuir o tamanho do filme
que, segundo o diretor, poderia chegar a ter quatro horas de projeção.
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Os efeitos especiais aparecem, mas
não são o carro-chefe da fita, que tem na trama seu maior
trunfo. Mas as cenas de quadriboll - jogo que para os bruxos é tão
popular quanto o futebol dos "trouxas" - são um espetáculo
à parte. Crianças voando velozes em suas vassouras, ajudadas
por computação gráfica, lembram um frenético
v¡deo game. Pena que passam tão depressa. O diretor, que já
deu in¡cio às filmagens do segundo filme, "Harry Potter
e a câmara secreta", garante que esta foi a parte mais trabalhosa,
mas que daqui para a frente, quando os jogos ganham maior destaque nos
próximos livros, serão ainda mais perfeitas porque a equipe
já dominou a técnica para executá-las.
Parece não haver dúvidas
sobre o sucesso de "Harry Potter e a pedra filosofal". O filme, na verdade,
já se pagou antes mesmo da estréia, tendo os direitos
vendidos para a TV americana pela bagatela de US$ 160 milhões. E
se o assunto são os números astronômicos, a Coca-Cola
assinou um contrato de US$ 150 milhões para explorar a marca Harry
Potter em seus produtos. Aqui no Brasil, (onde o livro já
vendeu mais de 800 mil exemplares) camisetas, bonecos, chaveiros, cadernos,
agendas e muito mais vão fazer a alegria da garotada neste Natal.
Tatiana
Tavares, escreve sobre cultura na Tribuna do Rio e sobre música
na International Magazine
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